O vocalista que Paul Gilbert tentou recriar na guitarra; "não conseguia cantar como ele"
Por Bruce William
Postado em 07 de março de 2026
Paul Gilbert sempre foi lembrado como aquele guitarrista de mão leve e velocidade absurda, mas, nos últimos anos, ele tem falado cada vez mais sobre canto, mas não como "plano B", e sim como parte do pacote. Numa entrevista recente replicada pela Ultimate Guitar, ele explicou por que cantar rock, na prática, é um trampo bem mais desgastante do que muita gente imagina, e como isso mexe com a forma de compor e até com a maneira de sobreviver num show.
Paul Gilbert - Mais Novidades
A conversa começou com aquela observação que muita gente faz (e poucos guitarristas gostam): em geral, quem é monstro na guitarra nem sempre tem uma grande voz. Gilbert não entrou no modo "me elogia que eu aceito"; ele foi por outro caminho e falou de identidade vocal. Pra ele, voz não é só "bonita" ou "feia", é assinatura - e mesmo quem não soa como o próprio ídolo ainda pode ter algo que funciona por ser único.
E aí ele puxa o exemplo que virou a parte mais engraçada (e honesta) do papo: Ronnie James Dio. Gilbert lembra que fez um álbum inteiro em cima disso, "The Dio Album" (2023), em que ele toca na guitarra linhas que acompanham e recriam melodias vocais de músicas do Dio no Rainbow, no Black Sabbath e na carreira solo. "Ronnie James Dio… uma das maiores vozes de todos os tempos. E eu sabia que, com a minha voz, eu não conseguia cantar como ele. Então eu usei a guitarra. Mas eu tenho o meu próprio som, e isso influencia como eu escrevo. Acho que vale a pena explorar isso, porque sempre vai te dar alguma coisa que é especial."
A sacada aqui não é "tocar igual ao Dio" (até porque isso não existe). É entender que, se a voz do cara era inalcançável pra ele, ainda dava para perseguir aquela musicalidade por outro lugar - e isso explica por que tanta gente que toca guitarra fala de cantor como se fosse um instrumento. No caso do Dio, então, é quase inevitável: as melodias dele às vezes parecem já vir com "linha de solo" embutida.
Gilbert também fala do lado físico do negócio, que costuma passar batido. Cantar rock, pra ele, não é só acertar nota - é sustentar volume e pressão por uma noite inteira, com banda alta, ambiente barulhento e energia lá em cima. "Ser cantor de rock é difícil. Porque, quando você canta rock, você tem que estar cantando o mais alto que você consegue a noite inteira. Acho que, pra qualquer cantor, é um trabalho muito duro."
Ele conta que, ao fazer o álbum "WROC" (2026), tomou cuidado pra não colocar tudo no topo da extensão vocal o tempo todo. A ideia foi alternar regiões, deixar espaço pra notas altas aparecerem onde fazem sentido, e manter partes em médio e grave também - justamente para não chegar no fim do show "sem voz" por ter tentado cantar no limite do começo ao final.
Pra fechar, ele cita uma música do disco, "Go Not Thither", como uma das que ele mais gosta de cantar por causa do desafio: tem gritos e notas altas que funcionam pra voz dele, mas depois a linha desce, dando fôlego e contraste de registro. No fundo, é a mesma lógica que ele aplicou lá atrás com o Dio: reconhecer o que você não é, e transformar isso em método - seja com a guitarra falando por você, seja com a voz jogando no terreno onde aguenta a pancada.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Iron Maiden transforma primeiro festival próprio em celebração monumental de 50 anos
O lado bom e o ruim de fazer shows na América do Sul, segundo o líder do Iron Maiden
A opinião de Steve Harris, do Iron Maiden, sobre o The Darkness
5 músicas de rock que todo mundo conhece, mas pouca gente sabe de quem são
Floor Jansen promete "volta às raízes metal" em seu novo álbum solo
Novo vídeo mostra como está Mingau quase três anos após o tiro na cabeça
5 músicas que quando tocam no show todo fã de metal entra no mosh na hora
Bruce Dickinson afirma que Blaze Bayley é "um cara fantástico"
Futuras atividades do Queen dependem de Brian May, revela Roger Taylor
Steve Harris compareceu a apresentação de Blaze Bayley no EDDFEST.
Steve Harris relembra o dia em que bebeu antes de um show do Iron Maiden
O músico que salvou os Ramones e depois deu no pé, deixando os caras na mão
Bruce Dickinson escolhe qual turnê do Iron Maiden é a sua preferida
A melhor banda de rock progressivo do Brasil, segundo a Loudwire
Tom Morello confirma falecimento da mãe, Mary, aos 102 anos
Guitarrista Paul Gilbert (Mr. Big, Racer X) confirma dois shows no Brasil
O vocalista que Paul Gilbert tentou recriar na guitarra; "não conseguia cantar como ele"
Guitarristas: os 5 melhores para conhecer as últimas décadas


