"Ninguém do Angra precisa de uma reunião para ter dinheiro", afirma Edu Falaschi
Por Bruce William
Postado em 04 de março de 2026
O assunto volta e meia vira uma caricatura nas redes: quando músicos se reencontram, sempre aparece alguém para reduzir tudo a "o que o dinheiro não faz". Edu Falaschi resolveu encarar esse tipo de comentário de frente ao falar da volta ao palco com antigos parceiros do Angra - e a fala dele é do tipo que corta a conversa antes que ela vire novela.
Os encontros já têm data e endereço. A formação ligada ao período do Rebirth (2001) vai se reunir no Bangers Open Air, em São Paulo, no dia 26 de abril, e depois faz um segundo show fora do festival, no Espaço Unimed, em 29 de abril, também na capital.

O gancho óbvio é o aniversário de 25 anos do "Rebirth", disco que virou referência da fase "Nova Era" e que, por isso mesmo, carrega um peso simbólico fora do circuito brasileiro. O próprio material de divulgação do Espaço Unimed trata o show do dia 29 como a única apresentação dessa formação fora do festival e lembra que a formação completa do "Rebirth" não tocava junta como Angra desde 2007.
Quando perguntado pela Rolling Stone se isso pode virar mais datas, a resposta foi bem pé no chão: primeiro vem o que já está marcado. Ele fala em foco total no Bangers, em "lavar a alma" com a apresentação e deixa a porta aberta apenas como consequência - se a coisa acontecer bem e fizer sentido, aí se conversa depois, inclusive com a ideia de levar para outros lugares e países.
Quanto à acusação automática de "reunião por dinheiro", Edu não foge do básico, explicando que é claro que tem cachê, porque é trabalho e porque o show é grande, mas ele puxa o freio na generalização que transforma qualquer reconciliação em "pegou mal mas pagou bem". "Óbvio que tem cachê. Somos headliners. E ninguém aqui é ONG, né? Trabalhamos com música, somos profissionais, então, obviamente, terá dinheiro. Mas graças a Deus ninguém do Angra precisa de uma reunião para ter dinheiro. Todos estamos bem de vida, consolidados, fizemos 'pé de meia'."
Ele também aponta a contradição do tribunal permanente de comentários: quando a banda briga, vira "o Angra só briga, muita discussão, mó novela"; quando faz as pazes, vira "reconciliou por dinheiro". E ele ainda dá uma risada disso, como quem já entendeu que, na internet, o placar vem pronto - você só escolhe em qual lado vão te colocar.
Os dois shows de abril acabam ficando com esse gosto duplo: por um lado, o evento musical em torno do "Rebirth"; por outro, a chance de ver gente adulta trabalhando junto depois de anos de ruído público, com todo mundo sabendo que existe dinheiro envolvido (porque existe em qualquer show) - e mesmo assim aceitando que a motivação pode ser bem mais simples, quase antiga: juntar a formação certa, tocar as músicas certas, ver como o público reage e sair do palco com a sensação de que aquele capítulo foi fechado do jeito que precisava, sem pedir licença para comentários de feed.
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