Mídia, individualidade e Rock n'Roll

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Por Arimateia Rodrigues
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Diante da atual indústria de opinião pública é possível "ser você mesmo"? As sociedades formaram-se e subsistiram através da história pela transmissão de valores, comportamentos e idéias que foram passados entre os membros da comunidade e de geração em geração. Através de um contínuo processo de aprendizagem, os jovens apreendiam desde a infância os costumes e tradições, e dessa maneira eram preparados para a vida adulta.

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Embora a propaganda já existisse desde o surgimento do dom da palavra, sob o poder de manipular e persuadir as pessoas sem recorrer ao uso da força física,foi no séc. XIII que se deu de forma organizada com a " Congregatio Propagare Fide" instituída em 1633 pelo Papa Urbano VIII, e também conhecida como "Congregação da propaganda" ou simplesmente "Propaganda". Esta era uma comissão de cardeais encarregada das missões estrangeiras da Igreja.

No entanto, alguns séculos antes, Júlio César fazia afixar certas notícias nas paredes do Fórum, como informe popular, enquanto circulava outra versão bem diferente entre os membros da classe governante.

Assim, as instituições religiosas, juntamente com as instituições políticas foram as pioneiras no uso da palavra com o objetivo de formar valores e direcionar opiniões através de uma comunicação de massa.

Essa comunicação de massa, através da " difusão do conhecimento" foi alavancada por dois fatos históricos: a invenção da imprensa por tipos móveis em 1454 que possibilitou a divulgação de idéias e informações sobre fatos muito mais rápida e amplamente do que nas épocas anteriores, embora tenha-se tornado realmente eficaz apenas com o advento da instrução obrigatória. E a Reforma Protestante que enfraqueceu a Igreja nos países aderentes, dividindo-a em várias seitas, que se por um lado debilitou o domínio da Santa Madre sobre os pensamentos e discussões dos protestantes, também introduziu o hábito de leitura da Bíblia e conseqüente estímulo à alfabetização, que os deixou vulneráveis à comunicação de massa através da imprensa.

Chegamos então a nossa atual definição de propaganda, que segundo Leonardo W. Dobb, Da Universidade de Yale é "uma tentativa sistemática por um indivíduo ( ou indivíduos) interessado(s) em controlar a atitude de grupos de indivíduos mediante o uso da sugestão e, conseqüentemente controlar-lhe as ações". Chegamos também à nossa pergunta: diante da atual indústria de opinião pública é possível "ser você mesmo"? Diante de tal passado histórico-cultural é possível afirmar individualidade? Até onde as informações recebidas diariamente pelos meios de comunicação podem ou devem nos influenciar?

Vivemos em uma sociedade que incessantemente convida-nos a realizar sonhos através do consumo, uma sociedade do "ter" e não do "ser", uma sociedade onde vende-se de tudo, de desejos a sonhos e soluções para desejos insatisfeitos. Vende-se alimento, abrigo, segurança, prestígio e, acima de tudo, vende-se o sonho da individualidade, que é conseguido, logicamente, consumindo,afinal você não é qualquer um, então mostre isto comprando um carro especial, indo a lugares especiais, tendo uma garota especial ou um cartão de crédito especial.

O sistema social através da mídia possui um controle da opinião de massa impressionante, pregando principalmente para os jovens e crianças visto eles serem mais vulneráveis às técnicas de sugestão e persuasão, e pregando para categorias massificadas através do emprego de estereótipos e aproveitando-se do fato de que a credulidade individual, em multidão tende a reduzir-se ao mínimo denominador comum. É o princípio "Maria vai com as outras".

O "Monstro Sist" de quem falava Raul Seixas, nada mais é que o conjunto de leis não-escritas, mas extremamente presentes em nosso modelo social contemporâneo e que doutrina, principalmente os jovens a normalidade do ajustamento social, que dá ao público " o que ele quer" ou mais especificamente, o que foi condicionado a querer. Para manter essa normalidade social empregam diversas que se especializam na manipulação de massas, para que essa massa unificada não se pergunte: ajustar-se por que? Ou a quê?

Além da técnica do emprego de estereótipos são usadas outras técnicas como a substituição de palavras neutras, por outras adequadas ao objetivo a ser alcançado, a repetição de slogans e frases de efeito, a afirmação inquestionável do ponto de vista, a seleção cuidadosa de alvos contrários a serem atingidos, o apelo à autoridade, que pode ser um especialista em determinada área ou uma celebridade.

É uma barra ser jovem e consolidar valores diferentes dos habituais em uma sociedade em que tudo já vem pronto para ser engolido, pois não podemos negar o fato de sermos todos produtos da cultura e da época em que nascemos, podendo no entanto, se a vida for um jogo, jogarmos com o que temos e arrumarmos as cartas à nossa maneira. Podemos como homens sonhar com um mundo diferente e vivermos de acordo com estes sonhos, podemos mudar como pessoas e não darmos importância à fogueira inquisitorial dos preconceitos que arde ainda na praça, e nos exortam à normalidade do ajustamento social,e mesmo sabendo que o " Monstro Sist " absorveu todos os golpes e os devolveu de forma distorcida, como aconteceu com os hippies que começaram com o The Mamas and the Papas e vêem atualmente sua filosofia deformada pela moda neo-hippie, como os Punks que começaram com os Sex Pistols e atualmente aturam modistas comerciais, mesmo assim o jovem homem (rocker) não estagnou na sua busca por "si mesmo". John Lennon estava errado, o sonho não acabou.

Mas, é possível ser você mesmo diante da atual indústria de opinião pública? Sim, se pensarmos que mesmo como produtos históricos da sociedade em que vivemos podemos arrumar as cartas à nossa maneira individual. Não, se pensarmos que com isso queremos formar uma outra corrente da sociedade.




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