Daltrey: o Who faz sentido no século XXI?
Fonte: Rockwave
Postado em 29 de dezembro de 2004
Já se vão quase 40 anos desde que Roger Daltrey uivou o verso "espero morrer antes de ficar velho", cunhando um hino e uma lenda. Hoje, aos 60 anos de idade e avô de dez netos é de se perguntar se isso ainda faz sentido pra ele, que na década de 1960 ajudou a catapultar o Who para o estrelato com seu incalcinável carisma sobre o palco aliado às letras de Pete Townshend e os acordes de guitarra tão furiosamente arrancado pelos braços de moinho de vento do guitarrista. Se você perguntar pra ele, como a revista Billboard fez, a resposta é sim, tudo faz sentido. Ele acaba de gravar vocais para um DVD de animação para crianças entre 2 e 4 anos, chamado "The Wheels On The Bus". Sim, aquele cara que girava microfones frente a uma banda que destruía seus instrumentos no palco depois de tocar em um volume ensurdecedor, tem gravado músicas pra crianças e diz que, agora sim, a vida faz sentido.
"Tendo tido filhos e, depois, netos, tudo isso me pareceu uma bela idéia. Sim, são dez netos. É simplesmente fantástico. Finalmente, a vida começou a fazer um pouco de sentido. Eu não vejo Roger Daltrey como nada além de um ser humano do dia a dia. Nunca fui ultra-protetor com o lado da imagem nesse negócio de rock'n'roll. Você para com isso aos 40 anos. Para mim, tudo que resta é a música que você toca e isso, em se tratando do The Who, é mais poderoso hoje do que jamais foi: , diz Daltrey.
Escaldado por rompimentos, projetos solo e reuniões que deram certo, Daltrey vê o Who de outro modo e vê sua própria vida escolhendo novos caminhos e novas utilidades para a música. Por isso também, ele tem se envolvido com projetos assistenciais que envolvem crianças e arrecadam fundos para jovens carentes. "Nosso trabalho sempre foi sustentado pelos adolescentes, então é bom poder fazer algo em troca", diz ele em entrevista à revista Billboard.
Hoje em dia, ele divide o Who com Pete Townshend, depois das mortes do batera eith Moon, em 1978, e do baixista John Entwistle, em 2002. A dupla remanescente passou anos conversando e discutindo idéias até que o momento chegou. Neste mês, os dois entram em estúdio para gravar o primeiro disco de estúdio do Who desde "It's Hard", de 1982. Pete vem tratado o disco pelo nome de "Who2" e descreve o título como "parcialmente provocativo". Daltrey está ansioso para entrar em estúdio, mas reconhece que será estranho gravar com o Who outra vez. "Só restamos Pete e eu. A primeira coisa que vamos fazer é entramos em estúdio, ele e eu, e fazer música juntos. Então, a gente vai pegar a banda que toca ao vivo com a gente e trabalhar, envolvendo-os no que for que a banda crie, o que é, outra vez, uma coisa estranha", diz ele.
Sobre o seu papel na banda, Roger diz não saber dimensionar ao certo, mas acha que a longevidade da banda se deve ao estilo de música "totalmente único" que Pete faz. Sobre ele, não há o que dizer. "Não posso ser objetivo a respeito do meu papel nisso. Nunca me vi. E eu tampouco vi o Who. Sei que existe uma energia na música do The Who que é inegável e isso está na composição das músicas", diz.
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