Santana promete lançar disco instrumental
Fonte: Terra Música
Postado em 17 de março de 2006
Depois de construir uma trajetória como grande guitarrista virtuose da música latina, nos anos 70 e 80, Carlos Santana se transformou em "popstar". Passou a vender milhões de discos, tocar nas rádios mundo afora e simplificar sua sonoridade para os ouvidos de todos.
A guinada é polêmica, já que levanta uma das mais antigas questões do showbiz: até onde vai o limite entre arte e interesse comercial? Neste sábado, na Praça da Apoteose, o guitarrista mexicano tentará provar, no palco, aquilo que defende em entrevistas: ao atualizar sua música, Santana não deixou para trás o que considera essencial - a emoção.
"Estou sim tocando no rádio, graças a Deus. E, entre 1973 e 1997, eu não queria isso, porque tocava música instrumental. Mas eu tomei uma decisão. E por causa dela eu hoje posso dar entrevistas como essa, fazer shows pelo mundo e falar sobre música e sobre as possibilidades de unirmos o mundo de forma que o rico não continue tão rico e pobre não continue tão pobre. Eu penso com o coração e não com a mente. O trabalho do jornalista é criticar, tudo bem. O meu é tocar o coração das pessoas", diz o guitarrista, que afirma ajudar financeiramente entidades beneficientes do Brasil.
A resposta pausada e tranqüila, quase zen-budista, mostra não apenas a maturidade de um Santana aos 58 anos, mas também que as críticas recebidas têm sido uma constante em sua vida nos últimos tempos. Principalmente depois que lançou os discos Supernatural (de 1999, do hit Smooth, que vendeu 25 milhões de unidades), Shaman (2002), e All that I am (2005), todos trazendo convidados díspares, como Dave Matthews, Seal ou Mary J. Blige.
Tudo indica que Santana se enveredou por uma fórmula bem-sucedida que ele não quer abandonar, mas o guitarrista nega:
"Não podem dizer que minha música virou comercial, porque ela ainda tem espírito. Não importa se toco em Jerusalém, ou no Brasil, quero que todos gostem da minha música e sei que todos se esquecem de onde são quando me escutam. Esse espírito não tem muros nem bandeiras. É apenas música de verdade, como já fizeram John Coltrane e Bob Marley".
Os próximos passos de sua carreira, no entanto, mostram que Santana já percebeu o desgaste sofrido. Ele vai resgatar as raízes dos tempos em que sua guitarra estava em primeiro plano, e não a canção, como aconteceu em seus últimos trabalhos.
"Minha guitarra hoje não está em destaque porque é isso que a música requer, diferentemente do que fazia no passado. Mas eu vou lançar um disco instrumental em meados do ano para que as pessoas possam ouvir nada além da guitarra. O que não quer dizer que tenha medo de perder minha identidade. Estou seguro de quem eu sou", completa.
JB Online
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