Os quatro maiores solos de guitarra de todos os tempos, segundo Carlos Santana
Por Gustavo Maiato
Postado em 17 de novembro de 2025
Carlos Santana sempre foi um artista guiado mais pela intuição espiritual do que pela técnica pura. Apesar de elogios lendários - Hendrix dizendo que "amava sua escolha de notas", Clapton afirmando que Santana "o mantinha alerta", e Miles Davis reconhecendo que ele "sabia pagar a nota certa" - o guitarrista costuma se ver principalmente como alguém em busca de uma frequência capaz de "curar o mundo" através da música. Esse olhar místico também aparece quando ele fala sobre seus heróis.
Em entrevista recuperada pelo Far Out Magazine, Santana listou o que considera os quatro maiores solos de guitarra de todos os tempos, justificando cada escolha com admiração e reverência. Para ele, essas guitarradas representam liberdade, emoção e energia - tudo aquilo que ele mesmo tenta transmitir em seus shows. "Meu trabalho nesta vida é dar às pessoas um êxtase espiritual através da música", disse certa vez. "Se elas choram, riem ou dançam, cumpri minha missão."

A primeira pedrada da lista é "Purple Haze", de Jimi Hendrix. Santana descreveu o solo como algo que pertence a um outro plano: "Hendrix é um dos maiores guitarristas de todos os tempos, e esta é sua música mais emblemática." Ele reforçou que o nível de musicalidade exigido ali é quase sobrenatural: "Sinceramente, você tem que ser Albert Einstein, musicalmente, para tocar daquele jeito. É inacreditável. Pura sensação, pura magia."
O segundo solo escolhido é "White Room", do Cream, onde Eric Clapton brilha com intensidade dramática. Santana não economizou elogios: "Eric é incrível, e este é um dos seus momentos mais altos, tão bom quanto 'Layla'." O guitarrista ainda revelou um desejo antigo: "Eu, Derek Trucks e Eric Clapton queremos fazer um álbum chamado 'Eric, Derek and the Mexican'. Seria nossa versão cósmica da trilha de 'Três Homens em Conflito' - música sobre descobrir o desconhecido."
Em terceiro lugar aparece "Damn Right, I've Got the Blues", de Buddy Guy, figura essencial para Santana e para toda a geração britânica de guitarristas. "Clapton, Jimmy Page, Jeff Beck… todos são ótimos, mas o cara de quem todos nós aprendemos é Buddy Guy. Esse é o cara." Santana reforçou a importância histórica do bluesman: "Não existiria Jimi Hendrix sem Buddy Guy. Ele inventou o turbo blues. Ninguém toca como ele."
Fechando a lista, uma surpresa para quem associa Santana apenas à suavidade latina: "Nothing Else Matters", do Metallica. Além de admirar a banda, ele revelou uma vontade antiga: "Eu adoraria fazer um álbum só de heavy metal. Amo AC/DC, Metallica, Led Zeppelin, Cream, Hendrix…" O motivo da escolha da balada metálica vem do solo de James Hetfield: "É tão melódico, tão apaixonado e tão poderoso. Eu sempre amei a energia deles."
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