O músico que está no nível de Leonardo Da Vinci e Pablo Picasso, segundo Carlos Santana
Por Gustavo Maiato
Postado em 03 de dezembro de 2025
A trajetória de Carlos Santana sempre foi guiada por uma relação profunda com a música, tratada não apenas como expressão artística, mas como experiência espiritual. Para muitos ouvintes, o guitarrista é sinônimo de improviso envolvente e melodias que parecem atravessar fronteiras culturais. Como escreveu o jornalista Tim Coffman para a Far Out, Santana "nunca foi do tipo que buscava apenas o single perfeito", e grande parte de sua obra se apoiou na criação de atmosferas expansivas, não na competição com o que outros artistas faziam.
Quando sua banda emplacou sucessos como "Evil Ways" e "Oye Como Va", o foco continuava sendo a liberdade musical. Coffman observa que, nos discos, o diferencial estava na troca entre os músicos: "Quando você tem duas pessoas solando lado a lado, não estão apenas tocando por tocar. Estão tendo uma conversa musical". Santana construía essa conversa com uma sensibilidade que chamava atenção até de gigantes como Prince, que admirava o equilíbrio entre agressividade e suavidade no seu toque.

Carlos Santana e Miles Davis
Esse espírito curioso e receptivo abriu portas para encontros transformadores - e nenhum deles foi tão marcante quanto sua convivência com Miles Davis. Coffman descreve Miles como alguém que "praticamente desafiava qualquer tentativa de rotulá-lo" e como "a própria personificação da música". Para Santana, trabalhar ao lado do trompetista era mergulhar em um universo onde cada gesto carregava significado. Ali, a lição não vinha apenas das notas tocadas, mas da postura artística de alguém que respirava inovação.
Ao recordar a amizade com Davis, Santana não economiza reverência. O guitarrista afirmou que Miles pertence ao mesmo patamar de gigantes das artes: "Acho que ele está no nível de Stravinsky, Da Vinci, Pablo Picasso. Os verdadeiros gênios têm uma maneira de parar o tempo de modo que, em um instante, você sente o infinito". Segundo Coffman, a convivência com o trompetista tinha uma energia tão singular que "quando você anda com Miles, não precisa de um Rolex, porque o tempo é sempre agora".
O jornalista também destaca a capacidade de Miles de reinventar o jazz continuamente. "O gênero poderia ter permanecido estagnado", escreve Coffman, se Davis tivesse escolhido o conforto. Em vez disso, o trompetista rompeu padrões em Kind of Blue, enveredou para terrenos elétricos em Bitches Brew e explorou outras culturas em Sketches of Spain. Cada álbum apontava para um novo horizonte - e essa ousadia inspirou Santana a buscar caminhos igualmente imprevisíveis.
Nos anos seguintes, já após seu renascimento comercial, Santana abraçou colaborações diversas e mergulhou em projetos que refletiam esse impulso criativo. A lição aprendida com Miles Davis permaneceu viva: "é muito mais emocionante fazer saltos de risco que outros músicos jamais ousariam tentar", como pontua Coffman. É essa inquietação compartilhada que mantém os dois artistas entre os nomes que ainda provocam, influenciam e inspiram novas gerações.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Novo disco de Tony Iommi mantém acesa a chama do Sabbath, segundo resenha da Classic Rock
Devido à demanda, U2 anuncia data extra no Brasil
Moyses Kolesne manda recado a quem reproduz discursos de Lemmy sobre política
Overkill é anunciado como headliner do Overload Beer Fest, que será realizado em março
Como Jason Newsted criou o riff de "Blackened" do Metallica e a reação de James e Lars
"Nevermind" (Nirvana) ultrapassa "Back in Black" (AC/DC) e "Dark Side..." (Pink Floyd) em vendas
O roqueiro brasileiro que se queimou com Jô Soares após falar mal de Ayrton Senna
Dirk Verbeuren, do Megadeth, agradece Pete Sandoval por ter inspirado "legiões de bateristas"
Rod Smallwood desconversa ao ser perguntado sobre planos futuros do Iron Maiden
A música do Iron Maiden que influenciou o Big Four do thrash metal, segundo o Ultimate Guitar
A música dos Ramones que provavelmente seria "cancelada" nos dias atuais
Marko Hietala arrisca palpite sobre o que levou Floor Jansen a sair do Nightwish
O lado mais egoísta da humanidade inspirou a história de um dos maiores clássicos de Dio
Phil Lewis (L.A. Guns) considera Robert Plant mais inteligente que Ian Gillan
As 5 melhores músicas do Iron Maiden com Paul Di'Anno nos vocais, segundo o Ultimate Guitar
O músico que fez o lendário Carlos Santana se sentir musicalmente analfabeto
"Smooth" do Santana virou sombra para o Matchbox Twenty, e banda tem resposta afiada
10 discos dos anos 90 que são perfeitos, segundo o Classic Rock History
Os 5 músicos com quem Gene Simmons comprou algumas das maiores brigas de sua carreira
O guitarrista que Prince achava que "tocava mais bonito" que Jimi Hendrix
Carlos Santana elege o melhor solo de guitarra de Eric Clapton
Os caras não sabem com o que estão se metendo; quando Santana fez um alerta pros Stones


