Nirvana: o 5º elemento relembra da sua participação na banda
Por Brunelson T.
Fonte: Rock in The Head
Postado em 28 de junho de 2018
A violoncelista norte-americana Lori Goldston já tocou com David Byrne, Cat Power, improvisou com percussionistas brasileiros e também já criou trilhas experimentais para o cinema, mas você deve se lembrar dela mais pela presença no fúnebre show acústico do NIRVANA em Novembro/1993, gravado em New York e apenas 05 meses antes da trágica morte do vocalista.
Lori é lembrada até hoje como o 5º elemento do NIRVANA durante a turnê do último álbum da banda, "In Utero" (4º trabalho de estúdio, 1993), além da clássica apresentação acústica. Hoje, introspectiva e com respostas pensadas em longas pausas, Lori olha para trás e vê a experiência de um ano com os ídolos grunge como "uma grande aventura".
Em entrevista para o UOL lá em 2014, ela havia dito: "Kurt era uma boa pessoa, muito inteligente e engraçado. Quando estávamos em turnê, eu só tentava ficar fora das brigas no palco, o que era aterrorizante para mim. Eu tinha que tomar bastante cuidado para não ser atingida por algo verbal durante a apresentação".
Naquele ano de 1993, Cobain já estava cansado da fórmula da banda que ele próprio resumia em tocar uma base limpa nos versos com distorção e gritos no refrão, formato que fez do álbum "Nevermind" (2º disco, 1991) um álbum milionário, mas que provavelmente acabaria com a sua voz em certo período.
A vontade de evoluir musicalmente, misturada à pressão da gravadora e a expectativa dos fãs, o guiaram para a busca de uma sonoridade diferente no álbum "In Utero". Além da guitarra adicional de Pat Smear, que havia entrado na formação da banda 03 meses antes, o instrumento escolhido para trazer frescor ao NIRVANA foi o violoncelo de Lori.
Na época, ela dava os primeiros passos com a sua banda, BLACK CAT ORCHESTRA - grupo de cabaret jazz - quando foi escolhida para uma experiência com a banda grunge. Da noite para o dia, a violoncelista dava uma pausa nas noites intimistas em pequenos clubes para as sessões de fotos com rockstars e shows com centenas de adolescentes histéricos: "Foi legal e um grande evento na minha vida, mas ao mesmo tempo foi estranho. Conheci pessoas muito legais, mas as coisas eram um pouco diferentes para mim, como tocar para grandes audiências e viajar em turnês, por exemplo. As minhas circunstâncias para tocar sempre foram modestas".
Em uma das poucas vezes em que fala sobre o assunto NIRVANA, Lori lembrou que o seu processo criativo nos álbuns "In Utero" e no show acústico da MTV, funcionou de forma colaborativa: "Era uma grande mistura, onde cheguei a sugerir e criei alguns trechos. Kurt cantarolava uma linha ou criava em cima das gravações e foi bom colaborar com todos eles, incluindo Kurt. Ele sabia o que queria ouvir, mas ao mesmo tempo ele era muito aberto a ideias, sabe? Um excelente tipo de pessoa para trabalhar".
Sobre a experiência no show acústico, Lori disse que guarda poucas memórias: "As câmeras e a atmosfera em geral me deixaram muito nervosa, por isso que essa experiência é quase como um grande apagão para mim".
No show acústico ela permaneceu sentada ao lado direito de Krist Novoselic (baixista) e tocou em 08 das 14 músicas gravadas naquela noite, entre elas as canções "Dumb", "Polly", "The Man Who Sold The World" (cover DAVID BOWIE) e a sua versão favorita da apresentação, a marcante "Where Did You Sleep Last Night" (cover do cantor LEADBELLY).
Hoje, a artista prefere se reservar ao lugar de alguém que teve um acordo profissional temporário e que não se adequou. Na época, além de horários restritivos e setlist que eram praticamente iguais por onde passavam, a banda estava inibida pela gravadora de ter contato com drogas, confusões ou bebidas (na verdade, esse recado era somente para Kurt, mas a gravadora procurava sempre generalizar para que a cobrança não caísse somente no vocalista).
No ano seguinte em 1994, durante a turnê europeia, essas cobranças e instabilidades acenderiam uma bomba relógio, resultando no último show da banda em 01 de Março na Alemanha e no colapso de Kurt em Roma - onde, em seu quarto de hotal, ele ingeriu mais de 30 comprimidos do remédio para dormir chamado Rohypnol misturado com champagne, levando-o ao coma. Aqui ele já havia escrito uma carta de despedida, que foi ocultada por Courtney Love e empresários da banda, vindo a tona para a mídia e fãs somente agora no século 21.
"Foi maravilhoso fazer a turnê nos EUA. Eles foram ótimos e muito educados, mas eu era mais feliz se eu voltasse para o meu namorado e para a minha banda, sabe? Eu adorava tocar as músicas do NIRVANA com eles, mas é da minha natureza prosperar na variedade. Preferia ficar em casa e ficaria muito bem. Para mim, a turnê norte-americana já havia sido o suficiente", concluiu Lori, acrescentando que prefere a "calmaria da maturidade e a importância de se reinventar, e não fazer só o que as pessoas te dizem para fazer".
Confira a performance do NIRVANA no acústico da MTV em 1993, com a música "Polly" (lançada no álbum "Nevermind").
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