The Cure: Robert Smith comenta o "pesado" álbum autointitulado de 2004
Por André Garcia
Postado em 31 de dezembro de 2022
Após lotar estádios com "Wish" (1992), flopar com "Wild Mood Swings" (1996) e ressurgir com o épico "Bloodflowers" (2000), o The Cure lançou seu autointitulado álbum em 2004. Na época, nomes proeminentes do indie (como Interpol e Rapture) apontavam a banda como grande influência, o que trouxe a ela um novo público — e, com ele, sangue novo.
Cure - Mais Novidades
Com uma sonoridade mais suja e pesada, foi um dos trabalhos que mais agradaram a seu líder, frontman e fundador Robert Smith. Em entrevista para a Rolling Stone, ele comentou a produção:
"Eu estava prestes a fazer o álbum que tinha esperado 15 anos para fazer. Nós [eu e Ross Robinson] nos conhecemos no final do Coachella. Depois do primeiro dia de conversa eu já sabia que queria trabalhar com ele."
"Comecei a escrever músicas bem pesadas, porque, quando se trabalha com Ross, ele tende ao sombrio e melancólico. Ficou claro que ele curtiu todos os tipos de coisas que fizemos — ele é muito ligado no lado melódico da banda, e no lado pop também. Acabamos com 37 demos, que sentamos e selecionamos 20. A gente nem saía do estúdio por dois meses, não recebíamos visitas, ninguém podia entrar. Foi uma experiência surreal!"
"[O álbum] foi tratado quase como que um evento ao vivo: cada dia era uma música diferente. Nós ficamos de frente para a cabine de controle, para que pudéssemos ver Ross e resolver detalhes técnicos. Ele nos botou em um espaço bem confinado, todo mundo junto, com contato visual. De noite, virávamos para outro lado, acendíamos velas e as coisas ficavam bem reais. A gente pegava e se deixava levar. Tudo que estávamos fazendo antes estava culminando naquele disco — essa era nossa mentalidade no estúdio. Eu diria que houve mais paixão na gravação desse disco do que todos os outros juntos", concluiu.
The Cure
O The Cure surgiu com seu álbum de estreia "Three Imaginary Boys" (1979), que desagradou a Robert Smith por sua sonoridade pop e ingênua. A partir dali, com a sequência, "Seventeen Seconds" (1980), "Faith" (1981) e "Pornography" (1982), a banda se tornou cada vez mais sombria, fúnebre e depressiva, até chegar ao fundo do poço emocional.
Quando ficou conhecido como uma figura sombria e deprê, o vocalista ressurgiu em meados da década com uma mudança bipolar: sorridente e saltitante, que dançava desajeitadamente cantando canções pop. Dessa forma, ele se tornou uma personalidade a ponto de seu visual inspirar dois dos personagens mais icônicos da cultura pop noventista: Edward (o mãos de tesoura) e Sandman de Neil Gaiman. Em 1992, a banda chegou a seu auge de popularidade com o hit "Friday I'm In Love", e rodou o mundo a lotar estádios.
A seguir, entrando em um inferno astral pessoal, Smith caiu em depressão com a vida de astro de stadium rock. Para piorar, ele ainda foi arrastado aos tribunais em longos e desgastantes processos envolvendo questões empresariais da banda, como pagamento de royalties. "Wild Mood Swings" (1996) foi produzido em meio a tudo aquilo, e detonado como o pior trabalho da banda. Após mais um longo período de inatividade, retornando com o épico "Bloodflowers" (2000).
"The Cure" (2004) e "4:13 Dream" (2008) mantiveram o alto nível musical, mas sem o irresistível apelo comercial do passado. Após um longuíssimo jejum, finalmente um novo álbum do The Cure, "Shows Of A Lost World", foi anunciado. Com lançamento previsto para 2023, rumores indicam que sua turnê passará pelo Brasil.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Quando Ian Anderson citou Yngwie Malmsteen como exemplo de como não se deve ser na vida
O subgênero essencial do rock que Phil Collins rejeita: "nunca gostei dessa música"
A opinião de Sylvinho Blau Blau sobre Paulo Ricardo: "Quando olha para mim, ele pensa…"
O disco "odiado por 99,999% dos roquistas do metal" que Regis Tadeu adora
O bastidor bizarro envolvendo músico do Brasil e P!nk: "Eu estava de cueca e o Slash entrou"
Para Ice-T, discos do Slayer despertam vontade de agredir as pessoas
O músico que detestou abrir shows do Guns N' Roses no início dos anos 1990
O álbum que Regis Tadeu considera forte candidato a um dos melhores de 2026
A banda grunge de quem Kurt Cobain queria distância, e que acabou superando o Nirvana
A era do metal que Dave Mustaine odeia; "ainda bem que passou"
Grammy omite Brent Hinds (Mastodon) da homenagem aos falecidos
O disco de Bruce Dickinson considerado um dos melhores de metal dos anos 90 pela Metal Hammer
Marcelo Barbosa rebate crítica sobre Angra: Alguém pagou pelo hiato?
O maior cantor de todos os tempos, segundo o saudoso Chris Cornell
A música feita na base do "desespero" que se tornou um dos maiores hits do Judas Priest


Confira os vencedores do Grammy 2026 nas categorias ligadas ao rock e metal
Os 11 maiores discos de onze bandas gigantes dos anos oitenta, segundo a Loudwire
Como Pink Floyd entrou nas influências que mudaram o som do The Cure, segundo Robert Smith
A banda que Robert Smith do The Cure disse ter perdido completamente o sentido do rock
A banda de rock que Robert Smith odeia muito: "Eu desprezo tudo o que eles já fizeram"


