O hit de Raul Seixas que ele precisou compor rápido após 30% do álbum ser censurado
Por Gustavo Maiato
Postado em 21 de dezembro de 2025
Em entrevista ao canal oficial de Raul Seixas, o guitarrista, produtor e arranjador Rick Ferreira revelou em detalhes como a censura interferiu diretamente no processo de criação do álbum "Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!" - e como essa interferência acabou gerando, quase por acaso, um de seus momentos mais marcantes.
Segundo Rick, o disco estava inteiramente concebido com dez faixas, já gravadas e praticamente finalizadas, quando veio a notícia inesperada: "O disco tinha dez músicas. Com ele pronto, praticamente mixado, veio a informação de que três faixas tinham sido censuradas."

As músicas vetadas foram "Check-Up", "Como o Diabo Gosta" e "Eu Não Quero Mais Andar na Contramão". O impacto não era apenas artístico, mas estrutural. Naquele período, lançar um LP com apenas sete faixas era algo impensável. "Naquela época não existia EP como hoje. Um vinil com sete músicas, em 1986, simplesmente não fazia sentido. A gente tinha um problema sério para resolver."
Rick conta que, diante da situação, foi pessoalmente até a clínica onde Raul estava internado para explicar o impasse. A reação do cantor foi imediata: "Ele falou: 'Não acredito, pô. O disco tá redondinho. Não pode ser'." Sem alternativa, Rick foi direto ao ponto: "Falei pra ele: 'Raul, a gente vai ter que gravar pelo menos mais uma música pra esse disco ficar em pé'."
Foi nesse momento que surgiu a ideia de fazer algo diferente para equilibrar o álbum: "Eu falei: 'Cara, de repente um blues cairia bem. O disco tá muito rock and roll'." A resposta de Raul veio de forma quase cinematográfica. Sentado na cama, tomando café, ele pegou o violão que tinha no quarto e começou a cantar uma música que acabara de nascer: "Ele começou a cantar Canceriano. Eu falei: 'Pô, que música linda'. E perguntei: 'Isso já existe?' E ele respondeu: 'Não, isso tá pintando agora'."
Rick se impressionou com a naturalidade do momento: "Eu falei: 'Tá de sacanagem que você tá fazendo essa música agora, aqui na minha frente? E ele disse: 'É, pintou agora, aqui, tomando café na cama'."
A canção foi gravada rapidamente e entrou no disco como resposta direta à censura, funcionando quase como um remendo forçado - que acabou se tornando um dos pontos mais lembrados do álbum. Rick admite que, por ingenuidade, poderia até ter assinado a parceria, mas preferiu deixar Raul finalizar sozinho: "Faltou um pouco de malícia minha ali. Eu podia ter entrado na parceria, mas não entrei. Não tinha que ser."
Além de Canceriano, o álbum ganhou ainda uma abertura instrumental curta para ajudar a completar o repertório, mascarando a ausência das faixas censuradas. Mesmo assim, o saldo final foi altamente positivo. "Muita gente da crítica que dizia que o Raul estava acabado ouviu esse disco e falou: 'Isso aqui é uma aula de rock and roll'."
Para Rick Ferreira, o episódio não só resultou em um grande disco, como também marcou o retorno de Raul Seixas ao mercado fonográfico, culminando em mais um disco de ouro na carreira do cantor: "Esse foi o terceiro disco de ouro do Raul. Eu falo isso com orgulho: a gravadora acreditou nele, me chamou pra produzir, e o Raul voltou."
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