O disco mais triste que Eric Clapton já fez nasceu de uma perda irreparável
Por Bruce William
Postado em 24 de abril de 2025
O blues sempre esteve presente na trajetória de Eric Clapton, desde os primeiros acordes ainda na juventude até o reconhecimento como um dos maiores guitarristas de sua geração. Mas foi no fim dos anos 1990 que ele levou essa tristeza às últimas consequências com "Pilgrim", álbum lançado em 1998 que ele mesmo descreveu como "o mais triste que já fiz".
O disco surgiu anos depois da morte de seu filho Connor, de apenas quatro anos, que caiu do 53º andar de um arranha-céu em Nova York. A dor foi canalizada inicialmente na famosa "Tears in Heaven", lançada como parte da trilha sonora do filme "Rush" (1991). Mas "Pilgrim" foi mais fundo: era um trabalho inteiro dedicado a sentimentos que, segundo o próprio Clapton, não podiam ser deixados de lado.

"Quando concebi esse álbum, avisei a todos que minha meta era fazer o disco mais triste que já foi feito", revelou o músico em fala resgatada pela Far Out. "Algumas pessoas olharam pra mim como se eu fosse louco. Mas quando ouço discos muito tristes, não fico deprimido. Sinto afinidade, alívio. A primeira coisa que penso é: 'Não estou sozinho. Graças a Deus, não estou sozinho'."
Apesar da ambição emocional do projeto, "Pilgrim" não teve a mesma recepção calorosa de outros álbuns de Clapton. O disco traz uma sonoridade mais polida, com influências de R&B contemporâneo e arranjos eletrônicos, o que causou estranhamento entre fãs acostumados ao blues cru de trabalhos anteriores. Ainda assim, músicas como "My Father's Eyes" e a faixa-título "Pilgrim" revelam um artista despido de defesas, lidando com perdas, memórias e arrependimentos.
Clapton já havia enfrentado momentos difíceis, como a luta contra o vício em drogas e álcool, além da morte de amigos próximos como Stevie Ray Vaughan. Mas nada o abalou tanto quanto a perda do filho. A ideia por trás de Pilgrim era justamente transformar esse luto em uma obra que pudesse consolar outras pessoas, ainda que, para isso, ele precisasse se expor completamente.
Mesmo com críticas divididas sobre o disco, a intenção do guitarrista era clara. Ele sabia que não poderia reverter a tragédia, mas talvez pudesse ajudar alguém que estivesse mergulhado em dor. Para Clapton, a arte sempre foi um refúgio - e dessa vez, ele decidiu dividir esse refúgio com o mundo.
O resultado é um álbum que foge do entretenimento fácil. Em vez de riffs memoráveis ou refrões grandiosos, "Pilgrim" oferece uma jornada introspectiva por tudo aquilo que não tem resposta: perda, fé, reconciliação e o silêncio que fica depois de um adeus inesperado. Se ele conseguiu fazer o disco mais triste de todos os tempos? Talvez não. Mas com certeza foi um dos mais sinceros.
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