Os dois álbuns do Wings que Paul McCartney acha que não ficaram tão bons
Por Bruce William
Postado em 13 de abril de 2025
Poucos artistas na história da música têm uma obra tão celebrada quanto a de Paul McCartney. Ainda assim, nem mesmo ele está imune ao próprio senso crítico. Após o fim dos Beatles, McCartney seguiu carreira solo e, em seguida, formou o Wings com o objetivo de começar algo do zero, com outro nome, outra formação e outra proposta.
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O projeto nasceu da experiência positiva que Paul teve ao gravar "Ram", álbum feito em dupla com Linda McCartney, onde ele voltou a experimentar o prazer da colaboração fora do universo dos Beatles]. Ao montar o Wings, seu objetivo era simples e ousado: recomeçar do início, como se fosse um novato na indústria.
Mas mesmo carregando o prestígio de ser um ex-Beatle, a nova banda enfrentou tropeços. E o próprio McCartney reconhece isso. Em declaração resgatada pela Far Out, ele afirmou que "Wild Life", o primeiro disco do Wings, foi um grande erro: "Depois que ouvi o 'Wild Life', pensei: 'Droga, estragamos tudo com esse disco'". O álbum foi gravado em poucos dias e, segundo ele, soava cru demais.
Se o primeiro não agradou, o segundo tampouco trouxe alívio. Sobre "Red Rose Speedway", McCartney foi ainda mais direto: "Não dá pra encarar". Embora tenha tido mais cuidado na produção e incluído sucessos como "My Love", o disco não conseguiu consolidar a nova fase como ele esperava, nem em vendas, nem em crítica.
É importante lembrar que McCartney vinha de um momento delicado. Após o fim traumático dos Beatles, ele passou por um período de depressão, sem saber se ainda queria seguir como músico. Nesse contexto, os primeiros discos do Wings foram quase terapêuticos, mas também carregavam as inseguranças naturais de alguém tentando se reerguer sem seus antigos parceiros.
A recepção morna dos dois álbuns o fez duvidar do futuro da banda. Porém, ele não desistiu. "Band on the Run", lançado logo depois, mudaria tudo. Gravado em parte na Nigéria e repleto de desafios técnicos, o álbum se tornou um marco na carreira solo de Paul, consolidando o Wings como um projeto relevante e deixando para trás a má impressão dos primeiros lançamentos.
Mesmo com essa guinada positiva, McCartney nunca escondeu sua frustração com "Wild Life" e "Red Rose Speedway". Talvez por isso ele tenha revisitado essas obras em reedições posteriores, tentando resgatar algum brilho nelas, ou ao menos oferecer uma nova chance de apreciação sob outro olhar.
As críticas de McCartney a esses discos não significam que eles sejam esquecíveis. Ambos têm valor histórico, mostram um artista em transição e revelam muito sobre o processo de criação após uma ruptura tão grande quanto o fim dos Beatles. Ainda assim, para quem assinou álbuns como "Revolver" e "Abbey Road", o próprio padrão de exigência pode se tornar o maior desafio.
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