A canção do Rush onde Neil Peart mandou a "pergunta definitiva" que a humanidade pode fazer
Por Bruce William
Postado em 03 de abril de 2025
Rock and roll nem sempre foi um gênero preocupado com grandes questões existenciais. Embora existam bandas como os Beatles, que nos lembram que "tudo o que precisamos é de amor", não há problema nenhum em bandas que seguem os princípios de sexo, drogas e rock and roll em suas músicas. Mas, dentro do subgênero progressivo, sempre houve espaço para uma abordagem mais cerebral, e o Rush soube aproveitar isso como poucas bandas conseguiram, pontua a Far Out.


Ao longo dos anos, a banda canadense foi se destacando por suas letras expandindo a mente, mas de uma maneira muito mais aguda do que se esperaria em um ambiente psicodélico dos anos 60. Quando Neil Peart começou a escrever suas canções, a visão que ele tinha para sua música era muito mais profunda. Em "Fly By Night", ele já falava sobre a obra da controversa autora Ayn Rand e sobre uma batalha mítica entre um cão de neve e um guerreiro. Nada de "Working Man" aqui, ele já estava viajando para territórios maiores e mais complexos.

Com o tempo, o Rush passou a tratar temas existenciais de forma mais direta. A busca por sentido, o acaso da vida e o desafio de lidar com a falta de respostas ganharam espaço em suas composições. No álbum "Roll the Bones", essa abordagem atinge um novo patamar. A faixa-título propõe uma reflexão sobre o papel do acaso e da incerteza em nossas vidas. Sem uma direção espiritual, a música sugere que o foco não deve estar no motivo da nossa existência, mas em como lidamos com ela.
Peart explicou isso com clareza durante conversa com The Tapes Archive: "[Nessa música], eu trato da questão fundamental: 'por que estamos aqui?'. Para mim, essa é a pergunta errada. Em todos os casos, não é por que estamos aqui. A pergunta importante é: o que podemos fazer a respeito disso? Então, pra mim, a resposta é que estamos aqui por conta do processo de evolução, e etc., que levou até o nosso nascimento. Não faz sentido questionar isso, na minha opinião."

"Roll the Bones" talvez seja sua canção mais filosófica, refletindo sua crença em um universo sem propósito definido - apenas ação, consequência e a tentativa de encontrar sentido no caos. Mas mesmo com essa profundidade, a música causou surpresa ao incluir uma parte com rap no meio. A tentativa de inserir esse estilo em uma faixa tão carregada de significado existencial acabou destoando do restante da composição. Para alguns fãs, isso comprometeu o impacto emocional e filosófico da canção. A execução da parte falada, feita por Geddy Lee com efeitos vocais, também não ajudou a suavizar essa ruptura.
Ainda assim, "Roll the Bones" segue como uma das maiores expressões da filosofia de vida de Peart. Não é a música mais celebrada do Rush, mas é uma das que mais explicitamente tentam encarar a pergunta fundamental: não sobre o porquê da existência, mas sobre como reagimos a ela. E, nesse sentido, Peart deixou registrada sua maneira de enfrentar o vazio com honestidade e reflexão.

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