O álbum dos Beatles onde George conseguiu superar Paul e se igualar a John
Por Bruce William
Postado em 25 de maio de 2025
George Harrison sempre foi visto como o mais discreto dos Beatles, mas em "Abbey Road", lançado em 1969, ele virou o centro das atenções. Com apenas duas composições assinadas somente por ele — "Something" e "Here Comes the Sun" —, conseguiu cravar de forma definitiva seu lugar entre os grandes. Enquanto isso, Paul McCartney, mesmo com mais espaço no álbum, enfrentou resistência por parte dos colegas e não conseguiu emplacar nenhuma canção à altura das duas de George.
Beatles - Mais Novidades
As músicas de Harrison não só se destacaram no disco como ultrapassaram a barreira do tempo. "Something" foi lançada como lado A de um compacto (ao lado de "Come Together") e se tornou a primeira composição de George a ganhar esse destaque. Já "Here Comes the Sun", gravada por ele com um violão e um sintetizador Moog, virou uma das faixas mais populares da discografia da banda — ainda hoje, uma das mais ouvidas do catálogo dos Beatles no Spotify.
Lennon também deixou sua marca no disco com quatro composições, sendo duas de peso: "Come Together", que abre o lado A e virou um dos riffs mais conhecidos da história do rock, e "I Want You (She’s So Heavy)", uma faixa densa, hipnótica e experimental. Ambas mostraram que ele ainda era um pilar criativo fundamental — mas, curiosamente, não chegaram a eclipsar o brilho inesperado das faixas de George.
McCartney escreveu várias faixas: "Oh! Darling", "You Never Give Me Your Money", "She Came In Through the Bathroom Window", "Golden Slumbers", "Carry That Weight", "The End" e a controversa "Maxwell's Silver Hammer". O álbum também traz momentos de colaboração entre os integrantes, como em "Because" e "Sun King", além de "Octopus 's Garden", escrita e cantada por Ringo Starr. Mas, quando se fala em composições individuais, nenhuma das faixas de Paul alcançou o impacto das duas escritas por George.
A gravação de "Maxwell 's Silver Hammer" se arrastou por semanas. Ringo Starr classificou a sessão como "a pior que já tivemos". George Harrison chamou a música de "afetada" e disse que foi um verdadeiro fardo repetir tantas vezes os mesmos trechos até Paul ficar satisfeito. E John Lennon, além de não participar da gravação por estar se recuperando de um acidente, declarou: "Eu a odeio. Paul tentou de tudo pra fazer dela um single, mas nunca foi e nunca poderia ter sido."
Enquanto Paul se desgastava tentando fazer uma música leve soar importante, George parecia ter encontrado o equilíbrio entre composição, melodia e entrega emocional. "Something" foi elogiada por nomes como Frank Sinatra, que a considerava a melhor canção de amor já escrita — ironicamente, sem saber que era de Harrison e não de Lennon/McCartney.
No restante do disco, as faixas de Paul funcionam bem no contexto da longa suíte que ocupa o lado B, especialmente "You Never Give Me Your Money" e "Golden Slumbers". Mas poucas delas sobreviveram com a mesma força nas apresentações solo ou no imaginário popular como os dois grandes momentos de George. Ao contrário de "Something", por exemplo, que virou presença garantida nos shows de Paul até hoje — ainda que não seja dele.
Mesmo com sua atuação discreta, George fez valer cada segundo de estúdio. "Abbey Road" foi o disco em que ele deixou de ser o "Beatle calado" e mostrou que podia bater de frente com os dois líderes da banda. E talvez não seja coincidência o fato de Lennon e McCartney terem rejeitado sua proposta de incluir mais músicas — como "All Things Must Pass", que só seria gravada após o fim do grupo.
No fim das contas, "Abbey Road" ficou conhecido como a despedida em alto nível dos Beatles. Mas para quem acompanha com atenção, é também o momento em que George Harrison venceu uma corrida que muitos achavam que ele nem estava disputando — superando Paul em impacto e, pela primeira vez, se igualando a John em relevância dentro de um álbum dos Beatles.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As 11 melhores bandas de rock progressivo dos EUA, segundo a Loudwire
A música do Queen que Freddie Mercury considerava melhor que "Bohemian Rhapsody"
Como Paulo Ricardo faz para evitar que suas músicas soem muito metal ou hard rock
Max Cavalera explica o que fez o Sepultura mudar o som em "Chaos A.D."
As 25 melhores bandas de todos os tempos, segundo a Classic Rock
A banda americana dos anos 1970 que é a maior influência da nova baterista do Rush
O projeto que é os "quatro tenores do rock", segundo Eric Martin
Nocturno Culto explica por que o Darkthrone nunca mais tocou ao vivo
Rush inicia novo capítulo de uma carreira baseada em fortes convicções
O melhor álbum dos Rolling Stones de todos os tempos, segundo Keith Richards
Hellripper anuncia 4 shows no Brasil em turnê inédita para 2027
Como Mark Knopfler adaptou um defeito para escapar de tocar guitarra "do jeito errado"
A música do Judas Priest que mistura rock, funk e jazz, segundo Ian Hill
A banda dos anos 80 que Kurt Cobain dizia ter envelhecido rápido demais
O guitarrista mais rápido que Slash viu tocar; "literalmente explodiu minha cabeça"



O show de 1973 em que o Led Zeppelin tirou dos Beatles um recorde de 8 anos
10 músicas lançadas há mais de meio século que superaram 1 bilhão de plays no Spotify
Por que o clássico "Rubber Soul", dos Beatles, recebeu esse nome estranho
John Lennon e a sua complicada relação com a fama
A cantora que Paul McCartney chamou de "a maior" em um estilo vocal
O grande problema da música de John Lennon que ataca Paul McCartney, segundo o próprio
Inscrições do ENEM abertas: quanto você tiraria na prova sobre rock?
O álbum que John Lennon se arrependeu de lançar com Yoko Ono; "Quase arruinou tudo"
O Beatle que Ringo Starr disse não ter bom senso de tempo
Os quatro álbuns dos Beatles favoritos de John Lennon segundo ele mesmo
A famosa canção que marcou o começo do fim dos Beatles


