O que Secos & Molhados diz com "os ventos do norte não movem moinhos" em "Sangue Latino"
Por Gustavo Maiato
Postado em 24 de maio de 2025
"Os ventos do norte não movem moinhos" é um dos versos mais marcantes da música "Sangue Latino", lançada em 1973 pelo grupo Secos & Molhados. Escrita por João Ricardo e Paulinho Mendonça, a canção se tornou um hino de resistência, identidade e crítica social — e esse verso, em particular, carrega múltiplos sentidos simbólicos.
Segundo análise do site Letras.mus, o trecho pode ser entendido como uma metáfora para esforços inúteis ou forças externas que não afetam diretamente a realidade local. Ou seja, não adianta esperar que sopros vindos de fora — especialmente do "norte" — provoquem mudanças reais no que está aqui. O "moinho", símbolo de produção e movimento, continua parado. Há aí uma sugestão de impotência diante da espera por soluções alheias, mas também uma crítica à passividade diante da opressão.
Secos e Molhados - Mais Novidades

Já o site Netmundi aprofunda essa metáfora ao vinculá-la ao contexto histórico da colonização da América Latina. Segundo a análise, "os ventos do norte" seriam uma referência direta aos países do Hemisfério Norte — nações colonizadoras que não moviam os moinhos, ou seja, não realizavam o trabalho que sustentava suas riquezas. Essa tarefa cabia aos povos escravizados e colonizados, forçados a manter um sistema de exploração no qual os colonizadores apenas colhiam os frutos.
"Quem trabalhava eram os escravizados. Os países dominantes viviam da exploração da mão de obra escrava, não moviam os moinhos de fato", diz o texto. "A coroa portuguesa e espanhola apenas recebiam as riquezas dos enormes saques."
O verso também se entrelaça com o espírito de autonomia e resistência que permeia toda a canção. A letra declara, com força, que o eu lírico não está vencido, mesmo diante de todas as dores, traições e imposições históricas.
"A menção aos ventos do norte que não movem moinhos pode ser interpretada como uma metáfora para obstáculos intransponíveis, ou como um alerta de que não se deve esperar soluções de fora para problemas locais", reforça a análise do Letras.mus.br.
No plano simbólico, o "norte" carrega ainda o peso de representar a ordem dominante, tanto econômica quanto cultural. Ao afirmar que esses ventos não movem nada por aqui, os Secos & Molhados fazem um gesto de ruptura, sugerindo que a transformação precisa vir de dentro, com identidade própria e resistência.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O clássico do rock que mostra por que é importante ler a letra de uma música
O gênero musical cujo nome não faz sentido algum, segundo Mikael Åkerfeldt do Opeth
200 shows internacionais de rock e metal confirmados no Brasil em 2026
O guitarrista favorito de todos os tempos de James Hetfield do Metallica
A banda em que membros do Iron Maiden e Dio disputaram para entrar e só um conseguiu
Isa Roddy, ex-vocalista do Dogma, ressignifica balada do Black Sabbath
O guitarrista que custou mil dólares por dia a David Gilmour; "eu queria bater nele"
A conversa franca de Bruce Dickinson com Rod Smallwood antes do teste para o Iron Maiden
A importante lição que Steve Harris, do Iron Maiden, aprendeu com o Genesis
Os 3 veteranos do rock que lançaram álbuns que humilham os atuais, segundo Regis Tadeu
A sincera opinião de Pitty sobre Guns N' Roses, System of a Down e Evanescence
O guitarrista que Jack Black chama de "gênio"; "Ele inventou mais riffs do que qualquer um"
Os melhores álbuns lançados por artistas brasileiros em 2025, segundo Regis Tadeu
Vídeo dos Mutantes tocando Beatles em 1969 é encontrado
As bandas de heavy metal favoritas de Rob Halford; "o som deles me abalou até o fundo"

Como Gerson Conrad compôs "Rosa de Hiroshima" do Secos & Molhados, segundo o próprio
A curiosa semelhança entre dois membros do Metallica e Secos & Molhados
O impacto do visual dos Secos & Molhados na ditadura, segundo João Gordo
Kiss sobre Secos e Molhados: "há quem acredite em OVNIs"


