"Não foi muito legal, mas seguimos em frente": Adrian Smith fala sobre a demissão de Paul Di'Anno
Por Ricardo Bellucci
Postado em 21 de maio de 2025
Toda separação tem um grande potencial para deixar marcas e cicatrizes profundas. Em si a separação do Iron Maiden do seu frontman, Paul Di’Anno, seguiu por essa trilha. Recentemente, Adrian Smith, do Iron Maiden, refletiu sobre a decisão da banda de se separar do seu lendário vocalista original, ressaltando como ficou cada vez mais difícil para Di'Anno acompanhar a agenda intensa da banda.
Embora a maioria dos fãs do Maiden pense em Bruce Dickinson como primeira opção para os vocais, algo praticamente automático nos dias atuais, onde uma parte da base de fãs mais jovens tem como referência o atual vocalista, é impossível subestimar e não considerar a importância de Paul Di'Anno nos primeiros anos da banda e o seu papel nessa jornada. A entrega vocal crua, rasgada, direta do falecido vocalista adicionava ainda mais força e uma personalidade visceral a clássicos como "Wrathchild", "Running Free" e "Charlotte the Harlot", enquanto a sua atitude agressiva o elevou ao patamar de um vocalista mítico, com o qual toda banda de rock aspirante ao sucesso poderia sonhar.
"Paul tinha uma ótima voz, mas era um cara muito temperamental", refletiu Adrian Smith em uma entrevista recente ao MusicRadar. Não obstante, o que Smith descreveu como a natureza "temperamental" de Di'Anno acabou se revelando um obstáculo, à medida que os excessos do estilo de vida rock 'n' roll, ao qual o falecido cantor se entregava liberalmente, que cobrariam um alto preço em sua qualidade de vida e saúde no futuro, o que de fato, ocorreu.
"Se você é cantor, sua voz é seu instrumento de trabalho, seu ganha pão. Assim sendo você passa a depender totalmente do seu corpo. Não dá para colocar um pouco mais de distorção no amplificador nem usar efeitos. Não dá para compensar. É você lá fora, e você fica muito exposto. Eu entendo isso." Afirmou Adrian, ao que o guitarrista acrescentou: "A agenda começou a se acumular, e foi difícil para Paul, sendo o vocalista de uma banda de rock tocando cinco noites seguidas aguentar o tranco."
Comparando a voz de Di'Anno com a também lendário Rob Halford, do Judas Priest, Smith continuou: "O Maiden fez uma turnê com o Priest, e o Paul pegou um pouco do Rob — um pouco de vibrato, a sustentação das notas. O Paul estava se aprofundando nisso, e é uma coisa difícil [de se fazer]. Você tem a voz natural com a qual nasceu, e aí você tem que introduzir essa técnica, e o Paul estava começando a fazer isso, para realmente expandir seu alcance, além de dar personalidade à sua voz."

Quando o Iron Maiden lançou seu segundo álbum de estúdio, "Killers", ficou claro que Di'Anno estava com dificuldades para acompanhar, e Steve Harris decidiu, pensando no futuro da banda, que uma mudança era necessária: "Foi Steve quem disse ao Rod [Rod Smallwood, empresário da banda]: ‘Não podemos fazer isso'. Steve, sendo muito decidido, sabia exatamente o que queria fazer a longo prazo. Então, tudo bem, se é assim que você se sente. Não é muito legal, mas seguimos em frente."
Refletindo sobre as diferenças entre Di'Anno e Bruce Dickinson, Smith disse: "Paul não era tão profissional quanto Bruce. E Bruce podia cantar tão alto, tão agudo e tão longamente quanto você quisesse — como uma máquina." E com compromisso e comprometimento muito acima do que Di’Anno entregava. A longo prazo, por mais doloroso que possa parecer, a decisão de Steve se mostrou tremendamente acertada.
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