A canção mais sombria do Metallica segundo James Hetfield: "Melancolia pura"
Por Gustavo Maiato
Postado em 14 de julho de 2025
No universo do heavy metal, explorar o lado mais obscuro da existência é quase uma obrigação moral. Desde os primórdios do Black Sabbath, em 1971, que introduziu a ideia de uma música quase satânica, cada geração encontra seu retrato do mal. No entanto, segundo James Hetfield, vocalista do Metallica, nada chega às profundezas de "One" para expressar a escuridão humana — o verdadeiro "abismo" está aqui. A matéria tem como base informações colhidas em texto da Far Out.
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Hetfield já havia tocado em temas duros: "Jump in the Fire" trazia os clichês do metal tradicional, "Fade to Black" abordava o suicídio, e "Disposable Heroes" pintava uma fábula cruel sobre a guinada dos jovens à guerra. Ainda assim, era com "One" que ele realmente sentia o peso do abismo: "Para mim, ‘One’ é como a escuridão suprema. A sensação mais solitária que você pode sentir." Ele afirmou que seu irmão lhe contou sobre a história original que inspirou a música, o que o deixou "com medo pra caramba" — abrindo o caminho para trazer voz e corpo ao personagem: "‘Estou preso e não sei o que fazer’."
Conforme explica a Ultimate Guitar, inspirada no livro Johnny Got His Gun, "One" mostra a jornada de um homem mutilado, incapaz de se comunicar, uma alma viva que mal é reconhecida como humana. Quando Hetfield explicou a progressão do riff e a narrativa, ele destacou o momento em que a música perde qualquer esperança: a melancolia inicial dá lugar ao pânico, com guitarras que soam como metralhadoras, simbolizando a urgência e o desespero do protagonista.
Essa é, segundo Hetfield, a evolução do conceito que começou em "Disposable Heroes". Lá já havia a crítica ao exército transformando pessoas em "massacre humano", mas em "One" o silêncio é ensurdecedor — o horror direto da tortura mental e física. "A primeira metade da canção é melancolia pura… mas no contexto da história, a parte pesada mostra quando ele percebe que nunca mais vai poder se comunicar" (via Loudwire).
O clipe de "One" levou essa tensão visualmente a outro patamar. Fotos do filme, trechos com o personagem mandando sinais em código Morse, tudo isso amplificou a sensação de confinamento. Hetfield observou que, embora o Metallica não precisasse de vídeos elaborados, aquele vídeo foi "muito mais sombrio", igualando a canção a um filme de terror em forma musical.
Entre temas densos e experiências cruas, Hetfield entende que "One" não foi feita para ser agradável nem executada em família — é um espelho do sofrimento humano. "É difícil de encarar, mas tem que ser apreciado como um bom filme de horror." Com essa definição, ficou claro que, para o Metallica, o poder do metal está exatamente em encarar os abismos do mundo — sem medo de mostrar os detalhes mais sombrios.
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