O álbum dos Beatles que John Lennon chamou de horrível de fazer: "Condição bem ruim"
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de abril de 2026
Mesmo depois de Sgt. Pepper's e de outros clássicos da fase final dos Beatles, John Lennon continuou olhando com desconfiança para parte do que a banda produziu nos últimos anos. Entre os discos que mais o incomodavam, um em especial ocupava lugar delicado: Let It Be. Em texto publicado pela Far Out, a história foi retomada a partir de declarações duríssimas do músico sobre aquelas gravações.

Ao recordar o processo, Lennon não tentou suavizar nada. "A gente gravou algumas faixas e ninguém estava realmente naquilo", disse. Em seguida, resumiu a sensação que teve no estúdio: "Foi um sentimento horrível em Twickenham, sendo filmado o tempo todo". Ele ainda atacou o horário imposto às sessões: "Você não consegue fazer música às oito da manhã".
O contexto ajuda a explicar o incômodo. As sessões do projeto Get Back, que depois dariam origem a Let It Be, começaram em janeiro de 1969 nos Twickenham Film Studios, em Londres, sob a ideia de registrar os Beatles criando um álbum ao vivo e ainda transformar o processo em documentário. Lennon reclamou justamente desse ambiente: um estúdio de cinema, câmeras por toda parte e pressão para produzir cedo demais.
Na mesma fala, ele também destacou que a banda entregou a mixagem a Glyn Johns, algo incomum para eles naquele estágio da carreira. "Foi a primeira vez desde o primeiro álbum que entregamos isso para outra pessoa", afirmou. Depois veio a frase mais ácida: "A gente ia lançar aquilo em uma condição bem ruim".
Lennon ainda sugeriu que, naquele momento, nem se importava tanto com o desgaste da imagem do grupo. Pelo contrário: via algum valor em expor o colapso. Segundo o texto preservado em seu site oficial, ele achava que deixar o material sair daquele jeito mostraria ao público o que estava acontecendo com os Beatles naquele ponto.
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