Porque Steve Harris não foi à estreia do documentário sobre o Iron Maiden?
Por Gustavo Maiato
Postado em 07 de maio de 2026
A ausência de Steve Harris na première mundial de "Iron Maiden: Burning Ambition", realizada em Londres em 5 de maio, chamou atenção. O evento reuniu nomes importantes da história da banda, como Bruce Dickinson, Dave Murray, Adrian Smith, Nicko McBrain e Blaze Bayley. Mas o fundador, baixista e principal arquiteto do Iron Maiden não apareceu. Janick Gers também não esteve presente. O site italiano antoniobiggio.com reuniu argumentos que ajudam a explicar a ausência.

A explicação passa, segundo o portal, por uma declaração dada por Harris semanas antes, em 13 de abril, no programa Trunk Nation with Eddie Trunk, da SiriusXM. Segundo o texto original, o músico deixou claro que o filme fala sobre o Iron Maiden, mas não foi feito pela banda. "Na verdade, não fomos nós que fizemos. Fala sobre nós, mas não é feito por nós. Essa é a diferença", afirmou.
Harris disse que a produção apresentou uma ideia ao grupo, mas que o conceito mudou com o tempo. Também afirmou que os realizadores queriam usar imagens e artes da banda, o que poderia dar ao público a impressão de se tratar de um documentário oficial. "Parece que é um documentário nosso. Não é", disse. Para ele, a divulgação deveria deixar claro que era um filme "sobre o Iron Maiden", e não "do Iron Maiden".
A frase mais reveladora veio em seguida. "Acho que teríamos feito as coisas de um jeito ligeiramente diferente, e não direi mais nada", afirmou Harris. A fala ajuda a entender a cadeira vazia no tapete vermelho. O baixista colaborou com o projeto, concedeu entrevistas e fez o que lhe foi pedido. Mas comparecer à estreia significaria endossar publicamente uma obra que, ao que tudo indica, ele não sente como sua.
A postura combina com a trajetória de Harris. Desde o início, ele sempre tratou o Iron Maiden como algo maior do que uma banda comum. É o fundador, o principal compositor e o guardião da identidade do grupo. Por isso, um documentário conduzido por terceiros, com escolhas editoriais que ele faria de outra forma, toca em um ponto sensível: o controle da própria história. A informação é do The People's Movies.
O filme também adotou uma abordagem incomum. Segundo o texto, os integrantes atuais não aparecem em vídeo. Suas falas surgem em voz off, sobre imagens de arquivo e animações. Quem aparece diante da câmera são fãs e convidados, como Lars Ulrich, Tom Morello, Gene Simmons e Javier Bardem. É uma escolha válida para um público amplo, mas muda o lugar da banda dentro da narrativa. Harris deixa de ser autor da própria história e passa a ser personagem dela.
No caso de Janick Gers, a ausência parece seguir outro caminho. O guitarrista já havia mostrado desconforto com documentários durante as filmagens de "Flight 666", em 2009, quando teria evitado a equipe por boa parte da turnê. No palco, Janick é expansivo. Fora dele, costuma ser reservado. Uma première, com câmeras e tapete vermelho, dificilmente seria seu ambiente natural.
A ausência de Janick, porém, é detalhe perto da de Harris. A pergunta que fica é outra: que filme o fundador do Iron Maiden teria feito se estivesse no comando? O que exatamente ele mudaria em "Burning Ambition"? Harris preferiu não explicar. E talvez esse silêncio diga quase tanto quanto sua ausência. Para um músico que construiu a carreira em torno de coerência e controle artístico, não aparecer na estreia pode ter sido a forma mais direta de marcar posição.
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