Nevermore - O retorno da banda que nunca saiu da mente dos brasileiros
Resenha - Bangers Open Air 2026 (Espaço das Américas, São Paulo, 25 e 26/04/2026)
Por Ênio Flávio Santos Oliveira
Postado em 07 de maio de 2026
O retorno do Nevermore aos palcos tupiniquins, ocorrido no domingo do Bangers Open Air em São Paulo, foi mais do que um simples show de heavy metal, foi uma catarse coletiva.
Fotos: Diego Camara
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Em um país que guarda uma relação trágica e profunda com a história da banda, a apresentação não apenas celebrou o legado musical do grupo, mas também serviu como um tributo emocionante e um marco de renovação.

Cirurgicamente às 13:50 no palco ICE STAGE, em um sol escaldante, deu início ao esperado show da saudade, daqueles que aguardavam o retorno da banda desde 2011.

Abaixo, apresento a análise detalhada desse show histórico.

Contexto Histórico: Entre o Luto e a Celebração. A Sombra de Warrel Dane em São Paulo.
Não é possível falar do Nevermore em São Paulo sem mencionar o peso emocional que a cidade carrega para os fãs da banda. Warrel Dane, o icônico vocalista cuja voz e lirismo definiram a identidade do grupo, faleceu aqui na capital Paulista em 2017, durante as gravações de seu álbum solo.

Sua partida deixou um vácuo imenso no metal progressivo. Ver a banda retornar à capital Paulista, o lugar onde o coração de Warrel parou, trouxe uma aura de encerramento de ciclo e, ao mesmo tempo, um tributo vivo. Cada nota tocada no retorno da banda ao Brasil parecia uma reverência à memória dele e sua paixão pelo país.

A Nova Formação e o Desafio da Continuidade
A banda, que enfrentou um hiato prolongado desde 2011, retornou com uma formação que traz dois membros originais no palco, Jeff Loomis (guitarra) e Van Williams (bateria), mantendo a autenticidade do som técnico e atmosférico que consagrou o Nevermore.

Vale notar que este retorno não conta com o baixista original Jim Sheppard, fato que gerou discussões entre os fãs. A volta vem com sangue novo, e traz Semir Özerkan no baixo e o guitarrista Jack Cattoi pra completar o super grupo nas apresentações ao vivo.

Se tratando da nova formação, vem o grande X da questão: Assumir o posto de vocalista após Warrel Dane é uma tarefa difícil, ingrata e de imensa responsabilidade para o novo vocalista, o turco Berzan Önen, que além de cantor é treinador vocal, e até brincou com isso antes e durante o show, humildemente se preparando no palco enquanto Primal Fear terminava seu show no palco ao lado.

Onen estava ciente do legado, não tentou imitar Warrel, mas sim interpretar as músicas com uma técnica que honra a complexidade melódica e a agressividade vocal que as faixas exigiam. Sua performance foi o elo necessário para que as composições de Dead Heart in a Dead World e Enemies of Reality soassem atuais, mas respeitosas às suas origens.

O Setlist: Uma Viagem pela Discografia
O repertório escolhido foi um verdadeiro passeio pelos momentos mais cruciais da banda, focando principalmente no período de ouro entre os álbuns The Politics of Ecstasy e The Obsidian Conspiracy, e que apesar de não contemplar nenhuma música destes dois álbuns, o foco ficou nos álbuns Dead Heart in a Dead world, This Godless Endeavor, Dreaming Néon Black e Enemies of Reality.
Setlist:
Precognition - intro
1. Narcosynthesis
2. Enemies of Reality
3. The River Dragon Has Come
4. Beyond Within
5. Inside Four Walls
6. Engines of Hate
7. My Acid Words
8. Born

Análise da Performance
O show começou com a curta, porém atmosférica, "Precognition" de intro, preparando o terreno para a avalanche que viria. Com a camisa do Brasil e seu porte imponente, Berzan e banda partiram para a execução de "Narcosynthesis" e "The River Dragon Has Come" mostrando que a química entre os membros originais e os novos integrantes está afiada.

O ponto alto da noite foi, sem dúvida, "My Acid Words" . A complexidade instrumental típica do álbum This Godless Endeavor foi executada com uma precisão cirúrgica.

Ao longo do show, ficou claro que a banda não está apenas "tocando o passado", mas redescobrindo sua própria identidade.

Para os fãs de longa data, ver Inside Four Walls (o momento mais "Old School" do set) ser executada ao vivo foi um lembrete do porquê o Nevermore foi uma das bandas mais influentes do metal técnico dos anos 90 e 2000.

"Born" , a última música do curto set, foi puxada por um convite a um mosh imenso e muito peso na execução, deixando a plateia com aquele gosto de quero mais.

O Bangers Open Air foi palco de uma demonstração de resiliência. O Nevermore provou que, mesmo após a perda irreparável de um frontman lendário, a música composta por eles ainda tem poder, urgência e um lugar de destaque no coração dos fãs brasileiros. Foi, acima de tudo, uma noite de respeito ao passado e uma afirmação corajosa de que a banda ainda tem histórias para contar.

Para quem teve a oportunidade, Nevermore participou do disputado sign sessions no memorial das Américas, esbanjando simpatia no atendimento ao público.

Notícia excelente é que banda assinou recentemente com a gravadora Reigning Phoenix Music e tem planos de trabalhar em material inédito, com o objetivo de equilibrar o respeito ao legado do grupo com a exploração de novos caminhos musicais. Estamos ansiosos nos novos capítulos que vamos escrever sobre essa história. O show, entretanto, é candidato ao melhor concerto do ensolarado domingo de festival.







Bangers Open Air 2026
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