A banda de rock nacional dos anos 1990 cujo reconhecimento veio muito tarde
Por Gustavo Maiato
Postado em 06 de maio de 2026
O Pato Fu é a banda de rock nacional dos anos 1990 cujo reconhecimento "veio tarde", segundo análise de Júlio Ettore. Em vídeo sobre a trajetória do grupo mineiro, o jornalista diz que, para muita gente, eles foram "os patinhos feios dos anos 90" e define a banda como "a maior banda indie e a menor banda comercial" daquela década.

A observação resume bem o lugar ambíguo que o Pato Fu ocupou por muito tempo. O grupo chamou atenção cedo pela originalidade, pelo humor e pela mistura entre rock, eletrônica e pop, mas passou anos sendo visto como estranho demais para o mercado e pop demais para parte do circuito alternativo.
No vídeo, Ettore mostra que a história começa em Belo Horizonte, com John Ulhoa, que antes havia integrado a banda Sexo Explícito. Depois do fim do grupo, ele abriu uma loja de instrumentos e acabou encontrando ali os futuros parceiros de sua nova empreitada: Ricardo Koctus e Fernanda Takai, então cliente habitual da loja. Pouco depois, nascia o Pato Fu.
Desde o início, a banda fugia do padrão. Era um trio, todos cantavam, e a bateria, por um período, foi substituída por programação eletrônica. Segundo o relato, essa combinação era rara no rock brasileiro daquele momento e ajudava a dar ao grupo um som incomum, com forte apelo de palco. "Era engraçado, mas era para cima. Era rock, mas tinha uma batida forte. Era alternativo, mas dava para cantar e dançar", resume o vídeo.
A trajetória do Pato Fu
A primeira demo, gravada em 1992, ajudou a transformar o Pato Fu em queridinho da imprensa musical. As canções tinham títulos irreverentes, como "Meu Coração é uma Privada" e "Sou o Umbigo do Mundo", e a banda ainda enviava o material para gravadoras e veículos acompanhado de um queijo fedorento comprado no mercado municipal, numa tentativa de chamar atenção. Funcionou.
A primeira aposta veio da Cogumelo Records, selo mais associado ao metal e que havia lançado o Sepultura nos anos 1980. Depois, o grupo assinou com a BMG, já num momento em que as majors buscavam novidades da cena alternativa brasileira. Ainda assim, o reconhecimento mais amplo demorou. Ettore observa que, apesar do talento e da inventividade, o Pato Fu seguia preso ao underground nos primeiros discos por uma grande gravadora.
O álbum "Gol de Quem?", de 1995, ampliou a exposição e rendeu ao grupo o prêmio de banda revelação no VMB, além de projetar nacionalmente a faixa "Sobre o Tempo". Mesmo assim, a banda ainda era vista como difícil de vender. "Era uma banda que não tinha estilo, que lançava discos que não tinham linha, era muito legal, mas não era vendável", diz o vídeo.
Pato Fu e Mamonas Assassinas
Um episódio marcante daquele período ocorreu em 1996, quando o Pato Fu foi chamado para tocar no Domingão do Faustão justamente no dia do acidente com os Mamonas Assassinas. Segundo o relato, a produção pediu que o grupo tocasse algo dos Mamonas para entrar no programa. A banda recusou, por entender que o público poderia pensar que se tratava de um cover. A gravadora temeu que isso fechasse portas, mas o convite voltou a acontecer depois.
A virada comercial veio de forma mais clara com "Televisão de Cachorro", de 1998. Produzido por Dudu Marote, o disco ajudou a organizar melhor a identidade pop da banda sem apagar sua estranheza. Foi ali que surgiu "Antes que Seja Tarde", apontada no vídeo como o primeiro grande hit do Pato Fu. Também ganhou destaque "Canção para Você Viver Mais", escrita por Fernanda Takai durante a doença de seu pai.
Nos anos seguintes, o grupo emplacou sucessos em rádio e novela, consolidou presença em festivais e mostrou que podia circular entre o alternativo e o popular sem abandonar a própria assinatura. O vídeo lembra faixas como "Perdendo Dentes", "Depois" e "Eu", além da participação da banda em eventos como Hollywood Rock e Rock in Rio 2001.
Mesmo assim, a ideia central de Ettore é que o reconhecimento do Pato Fu não acompanhou, no tempo certo, a importância da banda. O grupo vendeu discos, tocou em trilhas de novela, sobreviveu às gravadoras e depois assumiu a própria independência, mas durante muito tempo foi tratado como exótico demais para estar no primeiro escalão do rock nacional.
Confira o vídeo abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O disco do Iron Maiden que fez integrantes do Metallica perderem o controle dentro de um avião
Rhapsody anuncia Brasil na turnê de despedida em 2027
Por que King Crimson é melhor do que Dream Theater, segundo Mikael Åkerfeldt do Opeth
Dave Mustaine nega que Megadeth tenha pedido dinheiro para tocar em despedida de Ozzy
A banda dos anos 1990 que não tocava depois do Motörhead ou Slayer
43 roqueiros que morreram em 2026, segundo a Loudwire
Sharon Osbourne explica ausência do Megadeth em "Back to the Beginning"
A pior banda gaúcha de rock de todos os tempos, segundo Rogério Skylab
Floor Jansen quebra silêncio sobre saída do Nightwish em vídeo: "Também estou triste"
A diferença dos fãs de metal nos EUA e Europa e no Brasil, segundo produtor do ProgPower
Revolução feminina? Perfil vê padrão nas saídas recentes de cantoras do metal sinfônico
Os 30 melhores álbuns do blues rock britânico segundo a Classic Rock
Todos os discos do Van Halen gravador por Sammy Hagar, do pior ao melhor, segundo o CRH
Após 17 anos de queda, buscas por guitarra no Brasil voltam a crescer no Google
Biohazard retorna afiado com "Divided We Fall"

Por que o Pato Fu era confundido com os Mamonas Assassinas, segundo Fernanda Takai
Pato Fu relança "Gol de Quem?" ao vivo e celebra três décadas de um clássico do rock mineiro
A divertida história de como Garfield e medo de processo fez surgir o nome Pato Fu


