O membro mais importante dos Beatles com a pior carreira solo, segundo a Far Out
Por Gustavo Maiato
Postado em 03 de maio de 2026
John Lennon foi um dos nomes centrais da história dos Beatles, talvez o mais decisivo em termos de identidade. Ainda assim, na avaliação da Far Out, ele terminou com a pior carreira solo entre os principais compositores do grupo. A tese do site é provocadora e diz que o beatle mais importante não foi, necessariamente, o que mais brilhou depois do fim da banda.

O argumento parte de um traço que marcou Lennon ainda dentro dos Beatles. Segundo o texto, ele se cansou cedo das limitações da fase pop mais comercial do grupo e queria escrever canções com mais peso pessoal. A prova disso estaria em "Help!", música que ele apontava como uma das favoritas do próprio catálogo por considerar que ali havia verdade. "Eu falava sério, era real", disse Lennon sobre a faixa, ao lembrar que não gostava tanto da gravação, mas gostava da canção em si.
A carreira solo de John Lennon
A partir dali, a tensão criativa entre Lennon e Paul McCartney teria se aprofundado. Enquanto McCartney seguia à vontade com melodias diretas e canções de apelo popular, Lennon queria ir além, influenciado por compositores como Bob Dylan. Para a Far Out, esse choque ajudou a expor uma fratura dentro da banda: de um lado, a busca pela canção perfeita; de outro, a necessidade de fazer música que dissesse algo mais profundo.
O texto também sustenta que Lennon passou a radicalizar esse impulso nos últimos anos dos Beatles. É nesse contexto que aparecem sua aversão a músicas como "Ob-La-Di, Ob-La-Da", de McCartney, e sua adesão a experiências mais agressivas e menos convencionais, como "Revolution 9". Para o site, isso mostrava um artista já em rota de colisão com a ideia de compor pensando, antes de tudo, no sucesso comercial.
Quando a banda acabou, Lennon enfim teve o caminho aberto para seguir essa linha sem freio. Discos com a Plastic Ono Band e músicas como "Mother", "Working Class Hero" e "Imagine" passaram a refletir esse desejo de franqueza total. A Far Out reconhece o peso dessas composições, mas afirma que, no balanço geral, o resultado ficou abaixo do que seus ex-companheiros produziram fora dos Beatles.
Na comparação proposta pelo site, Paul McCartney manteve alto nível melódico tanto em carreira solo quanto com o Wings. George Harrison, por sua vez, também teria alcançado uma produção mais consistente, seja sozinho, seja depois no Traveling Wilburys. Lennon, em contrapartida, teria deixado a melodia em segundo plano ao se concentrar demais na mensagem.
A crítica vai além da forma musical e alcança o conteúdo. A Far Out afirma que parte do discurso político e social de Lennon perdeu força por causa de contradições entre a mensagem e sua vida prática. O exemplo citado é "Imagine", vista por uns como obra-prima política e, por outros, como uma canção marcada por hipocrisia, já que seu autor, milionário, cantava sobre um mundo sem posses.
No fim, a conclusão do texto é dura. Para a Far Out, Lennon segue como um dos membros mais importantes dos Beatles, talvez o mais influente em certos momentos. Mas, ao trocar o equilíbrio entre melodia e invenção por uma busca quase obsessiva por autenticidade, acabou produzindo uma carreira solo menos forte do que a de McCartney e Harrison. É essa distância entre peso histórico e rendimento posterior que sustenta a provocação do site.
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