Nicko McBrain diz que se sentiu traído por Bruce Dickinson antes da volta ao Iron Maiden
Por Bruce William
Postado em 07 de maio de 2026
A volta de Bruce Dickinson ao Iron Maiden, em 1999, costuma ser lembrada como um daqueles movimentos que recolocaram a banda em outro patamar. Bruce retornou, Adrian Smith veio junto, "Brave New World" saiu no ano seguinte e o grupo abriu uma nova fase que, dali em diante, voltaria a levar o Maiden para grandes turnês e estádios. Mas, por dentro, o reencontro não foi apenas celebração e aperto de mão.
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Nicko McBrain contou em entrevista à Kerrang!, reproduzida pela Ultimate Guitar, que ainda carregava um incômodo real com Bruce quando o vocalista voltou ao grupo. O problema vinha da forma como Dickinson havia anunciado sua saída, no meio da turnê de "Fear of the Dark", em 1993. Para o baterista, aquilo deixou uma marca que precisava ser colocada na mesa antes que todos simplesmente fingissem que nada havia acontecido.
"Eu sabia que tinha que dizer alguma coisa a ele, porque era assim que eu me sentia. Eu me senti traído por ele, no meio da turnê de Fear Of The Dark, ao anunciar que estava saindo. Pensei: 'Vou ter que resolver isso com ele'. Você sabe, havia dúvidas sobre os motivos dele para voltar."
A conversa aconteceu depois de uma primeira reunião em Brighton, quando os músicos estavam em um pub. Em vez de transformar o assunto em uma briga, Nicko decidiu falar de maneira pessoal, deixando claro que estava feliz com a volta de Bruce, mas que não podia apagar o que tinha sentido anos antes. O retorno do vocalista era importante para a banda, só que, para McBrain, havia uma pendência humana antes da parte musical seguir adiante.
"Mas então, depois daquela primeira reunião em Brighton, estava feito. Estávamos no pub e coloquei meu braço em volta dele e disse: 'Olha, cara, é ótimo, estou feliz que você voltou, mas escuta, eu não posso mudar o que sinto e o que disse sobre isso. Eu te amo, mas é assim que me sinto'. Ele simplesmente virou e disse: 'Eu não quereria de outra forma, Nicko, eu também te amo'. E foi a última vez que nós - até hoje - falamos sobre isso."
A reação de Bruce parece ter encerrado o assunto justamente por não tentar rebater Nicko. O vocalista ouviu, aceitou o que o baterista tinha a dizer e não tentou transformar a mágoa em uma discussão sobre quem estava certo. Para McBrain, isso mostrou que havia sinceridade na volta de Dickinson, não apenas uma decisão profissional ou estratégica depois de alguns anos longe do Maiden.
Nicko também disse que, em sua visão, toda aquela sequência parecia seguir um plano maior. Ele mencionou a saída de Bruce, a entrada de outro vocalista, o retorno do cantor antigo e a volta de Adrian Smith como uma espécie de caminho que dificilmente alguém poderia ter calculado de maneira tão precisa. "Acho que tudo fazia parte do plano de Deus - não do plano de Rod [Smallwood, empresário do Iron Maiden], Deus o abençoe", afirmou.
O próprio Steve Harris já havia indicado que a volta de Bruce não foi recebida sem dúvidas por todos. Em declaração citada pela Ultimate Guitar, o baixista disse que o retorno foi algo maravilhoso "até certo ponto", mas admitiu que não tinha cem por cento de certeza sobre os motivos por trás da decisão. A reunião, portanto, não nasceu como uma cena limpa de documentário, com todos sorrindo em câmera lenta. Havia cautela, lembranças ruins e perguntas que precisavam ser respondidas na convivência.
O resultado, porém, acabou falando alto. "Brave New World", lançado em 2000, marcou o primeiro álbum de estúdio do Iron Maiden com Bruce Dickinson e Adrian Smith de volta, além de consolidar a formação com três guitarristas. Para Nicko, esse disco foi o começo do retorno da banda às grandes turnês de estádio e ajudou a recolocar o Maiden no mapa. "Bruce e Adrian voltando completaram a banda", disse o baterista.
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