A música que Arnaldo Antunes fez em homenagem a Marcelo Fromer e Titãs não lançou
Por Gustavo Maiato
Postado em 07 de maio de 2026
Momentos de perda costumam impactar profundamente o processo criativo de uma banda, especialmente quando envolvem integrantes fundamentais. No caso dos Titãs, a morte de Marcelo Fromer, em 2001, deixou marcas não apenas pessoais, mas também artísticas - influenciando diretamente decisões dentro do estúdio.
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Durante as gravações do disco que viria na sequência, "A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana", os músicos chegaram a trabalhar em uma canção com forte carga emocional. A letra, escrita por Arnaldo Antunes, trazia um tom existencial direto e impactante: "Se a vida não faz sentido / Por que é que morrer / Haveria de fazer?". O texto refletia claramente o momento vivido pela banda.
Segundo o livro "A Vida Até Parece Uma Festa", biografia do grupo, a música chegou a ser desenvolvida ainda no estúdio AR, no Rio de Janeiro. Aproveitando que estavam hospedados no mesmo hotel, Arnaldo e Nando Reis se juntaram a Branco Mello e rapidamente musicaram a letra. A canção inclusive chegou a ser registrada em gravação naquele momento.
Apesar disso, a faixa acabou ficando de fora do álbum. A decisão teve relação direta com o direcionamento artístico adotado pela banda naquele período. A ideia era manter o repertório previamente definido antes do acidente de Marcelo Fromer, evitando mudanças estruturais em meio ao processo já em andamento.
A homenagem de Arnaldo Antunes a Marcelo Fromer
Na mesma época, o impacto da perda também se manifestou nos palcos. Um show do projeto paralelo The Silva's, realizado no Canecão poucos dias após o acidente, acabou se transformando em uma homenagem espontânea ao guitarrista. Com participações de nomes como Frejat e Samuel Rosa, a apresentação teve forte carga emocional e terminou com Branco Mello cantando "Flores", sob aplausos de um público lotado.
Mesmo com o clima difícil, os Titãs seguiram com as gravações, demonstrando uma postura resiliente. O período marcou uma retomada de energia criativa da banda, que buscava equilibrar o luto com a continuidade do trabalho.
Curiosamente, a letra criada por Arnaldo não ficou esquecida. Anos depois, o trecho acabou sendo reaproveitado pelo próprio compositor em carreira solo, integrando o álbum "Disco", lançado em 2013. Assim, a homenagem a Marcelo Fromer encontrou outro caminho para chegar ao público.
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