Por que "Load" foi (e a ainda é) rejeitado por alguns fãs do Metallica?
Por Mateus Ribeiro
Postado em 17 de maio de 2026
No próximo dia 4 de junho, "Load", sexto disco de estúdio do Metallica, completa 30 anos. Sucessor do aclamado "Black Album" (1991), o trabalho marca uma guinada significativa no som da banda liderada por James Hetfield (guitarra/vocal) e Lars Ulrich (bateria), o que dividiu opiniões. Enquanto uns gostaram, outros torceram o nariz.
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Para entender melhor por quais razões "Load" desperta reações distintas, é necessário voltar no tempo. Fundado em 1981, o Metallica se firmou como um dos pioneiros do thrash metal, status conquistado graças ao impacto causado pelos seus três primeiros discos de estúdio: "Kill 'Em All" (1983), "Ride the Lightning" (1984) e "Master of Puppets" (1986).
Dez anos separam os lançamentos de "Master of Puppets" e "Load". E muita coisa aconteceu com o Metallica ao longo desse período. Um desses fatos foi a precoce morte do baixista Cliff Burton, falecido em um acidente automobilístico ocorrido no dia 27 de setembro de 1986.
Com Jason Newsted assumindo o baixo, o Metallica seguiu seu caminho e, aos poucos, promoveu mudanças em seu direcionamento artístico. Em "...and Justice for All" (1988), as composições se tornaram mais intrincadas e extensas. Já no disco autointitulado, o supracitado "Black Album", James e seus camaradas foram no rumo contrário: encurtaram as canções, que ficaram mais melódicas e acessíveis.
A aposta bancada pelo Metallica em "Black Album" deu muito certo. O trabalho vendeu dezenas de milhões de cópias, emplacou hits radiofônicos e aumentou de forma exponencial o alcance do quarteto.
O hiato entre "Black Album" e "Load" se estendeu por praticamente cinco anos. Nesse intervalo, o grupo fez turnês extensas e consolidou seu nome entre os maiorais da indústria musical.
Pois bem, após anos de shows apoteóticos, "Load" foi lançado. Composto por 14 faixas, o trabalho nem de longe lembra os primeiros discos do Metallica. O thrash vigoroso de outrora, que já havia perdido espaço, foi substituído por uma sonoridade voltada ao rock alternativo.
O peso continuava presente, embora aparecesse de maneira menos intensa, como pode ser notado na introspectiva "Until it Sleeps" e na épica "The Outlaw Torn". No entanto, a velocidade que consagrou o Metallica basicamente havia sumido.
Também há de se pontuar que "Load" reserva espaço para a emocionante "Mama Said". Melancólica e reflexiva, a faixa dialoga com a country music, o que seria praticamente impensável para o Metallica dos anos 1980.
O "rebranding" não se resumiu ao campo musical, uma vez que os integrantes do Metallica cortaram as longas madeixas. Além disso, as roupas de "metaleiro radical" ficaram para trás e cederam espaço para um visual casual. Acredite ou não, em pleno maio de 2026 ainda há quem esquente a cabeça com isso.
Trinta anos depois, fica o questionamento: por que "Load" causou (e ainda causa) rejeição? A possível resposta para essa pergunta passa, diretamente, pelo som apresentado no disco em questão. Parte dos fãs do Metallica não entendeu muito bem como um dos baluartes do thrash passou a fazer um som tão acessível. Ver um dos maiores expoentes do gênero deixar parte de suas características para trás pode ter sido um duro golpe.
Outro fator que deve ser levado em consideração é que uma parcela considerável dos fãs de metal não costuma reagir bem a mudanças abruptas. E, definitivamente, há um abismo entre "Disposable Heroes" e "Hero of the Day".
Também é notório que, ao longo dos anos 1990, o Metallica passou a ser admirado por fãs de outros estilos musicais. "Dividir" a banda do coração com "estranhos" não está entre as tarefas favoritas dos chamados "guardiões do metal".
Existe ainda um aspecto emocional nessa discussão. Para muitos ouvintes, o Metallica dos anos 1980 representava rebeldia, agressividade e identidade. Tudo isso acabou perdendo espaço, demonstrando que a banda já não era mais a mesma.
Três décadas depois, "Load" continua despertando debates apaixonados. Talvez por representar parte do processo em que o Metallica deixou de ser "apenas" uma banda de thrash metal para se tornar algo maior, admirado por multidões.
Aceitar bem ou mal essa transformação é uma escolha pessoal. Particularmente, gosto muito de "Load" e entendo por que tanta gente rejeitou o disco. Afinal, mudanças bruscas quase nunca passam despercebidas, ainda mais quando envolvem uma das instituições mais cultuadas da história do metal.
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