A música em que Brian May percebeu que o Queen podia criar as próprias regras
Por Bruce William
Postado em 17 de maio de 2026
O Queen não começou sua carreira já com o tamanho que teria poucos anos depois. Em 1973, quando lançou seu primeiro álbum, a banda ainda estava tentando abrir espaço em meio a um cenário cheio de grupos pesados, músicos virtuosos e discos cada vez mais ambiciosos. Freddie Mercury já tinha uma presença fora do comum, Brian May já carregava uma sonoridade muito própria na guitarra, mas o grupo ainda procurava a melhor forma de juntar tudo aquilo sem virar apenas mais uma banda de hard rock da época.
Queen - Mais Novidades
Nesse primeiro disco, uma das faixas que mais ajudam a entender esse começo é "The Night Comes Down". Ela não é uma das músicas mais lembradas do Queen pelo grande público, nem aparece com frequência quando se fala nos momentos mais famosos da banda. Mesmo assim, conforme lembrado pela Far Out, para Brian May, a canção teve um peso especial porque mostrou que o grupo podia desafiar pequenas regras de estúdio e encontrar suas próprias soluções.
A questão, naquele caso, era a mistura entre violão e guitarra elétrica. Hoje isso parece banal, ainda mais depois de décadas de gravações em que os dois instrumentos aparecem juntos sem nenhum drama. Mas May lembrou que, na época, ainda havia gente dizendo que essa combinação não funcionaria direito. "Em 'The Night Comes Down', do nosso primeiro álbum, estamos fazendo algo que as pessoas diziam que não podíamos fazer. As pessoas naquela época costumavam dizer: 'Você não pode misturar guitarra elétrica com violão'. Hoje isso soa bem engraçado, mas era uma crença que as pessoas dos estúdios tinham, sabe?"
May não via aquilo como uma barreira real. Para ele, era apenas uma questão de equilíbrio na mixagem. A música tinha uma base acústica, construída em cima de seu velho violão, mas as harmonias de guitarra eram elétricas, criando uma camada que já apontava para o tipo de arranjo que se tornaria uma marca do Queen. Ele explicou: "Com 'The Night Comes Down', ela é baseada no violão, meu belo e velho violão. Mas as harmonias de guitarra são todas elétricas. E aquilo foi um começo, uma espécie de demonstração: 'Sim, podemos fazer isso, podemos criar nossas próprias regras!'"
É claro que o Queen não inventou a mistura de violão com guitarra elétrica. Antes disso, Jimmy Page já havia explorado esse tipo de construção no Led Zeppelin, e "Stairway to Heaven" era um exemplo muito conhecido. Mas a importância de "The Night Comes Down" não está em mudar a história da música por si só. O ponto é que, para o Queen, aquela gravação ajudou a estabelecer uma mentalidade: se uma ideia parecia funcionar para a música, eles não precisavam abandonar só porque alguém no estúdio achava inadequada.
Esse detalhe ajuda a entender o caminho que a banda tomaria depois. Em "Queen II", Sheer Heart Attack e principalmente "A Night at the Opera", o Queen ampliou esse gosto por camadas, vozes sobrepostas, guitarras orquestradas e mudanças bruscas de clima. Brian May passou a usar a guitarra quase como um pequeno conjunto de instrumentos, empilhando partes até criar arranjos que não dependiam apenas de riffs ou solos convencionais. A semente desse pensamento já aparecia ali, de forma mais discreta, no primeiro álbum.
"The Night Comes Down" também mostra um Queen menos conhecido por quem chegou à banda pelos grandes sucessos de estádio. Há um clima melancólico, uma construção mais contida e uma preocupação com textura que se afasta da explosão mais imediata de outras faixas. Não é a música que define comercialmente o grupo, mas ajuda a revelar como May já pensava a gravação como parte essencial da composição, e não apenas como registro de uma performance.
Visto em retrospecto, aquele "podemos criar nossas próprias regras" parece quase uma frase de apresentação do Queen antes da fama. A banda ainda levaria alguns anos para transformar essa liberdade em obras mais populares e ousadas, mas a lógica já estava colocada. Antes de empilhar vozes em "Bohemian Rhapsody" ou tratar o estúdio como um parque de diversões musical, Brian May já estava ali, em 1973, tentando provar que uma boa ideia não precisava morrer só porque alguém dizia que violão e guitarra elétrica não combinavam.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Tamanho dos pés de Sebastian Bach vira assunto após vídeo publicado pelo cantor
Os dois gênios da guitarra que, para Neil Young, ajudaram a matar o rock
5 músicas de metal que são vergonha alheia, mas todo mundo ouve mesmo assim
Disney lança coleção de vilões inspirada na estética do heavy metal; veja modelos
Vocalista de black metal enfrenta acusações que podem lhe render 12 anos de prisão
O show do Metallica que terminou com Lars Ulrich levando um soco de James Hetfield
Os melhores riffs de guitarras de todos os tempos, segundo Zakk Wylde
Novo álbum do Guns N' Roses "está ficando cada vez mais próximo", afirma Slash
O clássico do AC/DC considerado por Angus Young "um rock perfeito para um guitarrista"
Wacken Open Air abre sindicância interna após incidentes relatados pelo público
A música do King Crimson inspirada pela separação dos Beatles
O melhor álbum e música do Heavy Metal de cada ano dos anos 1980, segundo a Loudwire
Roger Taylor não acha que "A Night of the Opera" seja o melhor disco do Queen
A música que o The Who abandonou nos shows porque não conseguia parar de rir na hora de tocar
Bruce Dickinson revela dificuldade em conseguir gostar do Batman



Primeiro show do Queen foi organizado pela mãe de Roger Taylor
Roger Taylor levou cinco anos para superar a morte de Freddie Mercury
A "proposta indecente" que Brian May recebeu no início da carreira do Queen
15 coisas que você não imagina que coexistiram com bandas famosas
Brian May relembra qual foi o momento mais "aterrorizante" de sua carreira
A música longa que apavorou a gravadora do Queen mas acabou chegando ao topo das paradas
As duas bandas que Ozzy não queria que o Black Sabbath passasse a imitar
Show do Queen na Hungria em 1986 ganha restauração em 4K
Cheio de humildade, Brian May fala sobre guitarristas que considera melhores que ele
Brian May escolhe os 5 maiores bateristas e inclui um nome que poucos lembram


