O baixista que fez Geezer Butler entender o que queria fazer no Black Sabbath
Por Bruce William
Postado em 16 de maio de 2026
Geezer Butler não começou olhando para o baixo como se aquele fosse seu destino natural. Como muitos músicos britânicos de sua geração, ele primeiro foi fisgado pelos Beatles. John Lennon era sua grande referência inicial, e havia algo naquela banda que parecia pertencer a ele de um jeito diferente dos ídolos que seus irmãos mais velhos já carregavam de outra época, como Elvis Presley e Buddy Holly.
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Mas a virada mais importante para o futuro baixista do Black Sabbath veio quando ele viu o Cream. A princípio, sua atenção ficou presa em Eric Clapton, como acontecia com muita gente. Clapton era o nome mais evidente, o guitarrista que parecia comandar o centro da tempestade. Só que, depois de ver o trio algumas vezes, Butler começou a perceber outro motor dentro daquela banda: Jack Bruce.
O que chamou sua atenção foi o fato de Bruce não tocar baixo apenas como acompanhamento. Em um trio sem guitarrista rítmico fixo, ele preenchia espaços, segurava a base e ainda criava linhas que pareciam conversar com a guitarra e a bateria. Para Butler, aquilo abriu uma porta. "Ele fazia as partes de baixo e preenchia o que você tocaria na guitarra base, e era simplesmente incrível de assistir", disse ele, em frase replicada pela Far Out.
Em outra fala, Butler explicou ainda melhor o tamanho do impacto. Segundo ele, Bruce parecia "forte" e levou o baixo para "uma direção totalmente diferente". Foi ao vê-lo que pensou: "Sim, é isso que eu quero fazer!". Butler não queria apenas marcar tônica e seguir a banda. Ele percebeu que o baixo podia ser músculo, melodia, sustentação e comentário ao mesmo tempo. E essa influência aparece de forma clara no Black Sabbath. Tony Iommi criava riffs pesados, Ozzy Osbourne cantava com aquela voz quase fantasmagórica, Bill Ward vinha de uma escola mais solta e jazzística, e Butler ocupava um espaço essencial entre todos eles. Suas linhas muitas vezes dobravam ou empurravam os riffs, mas também abriam caminhos próprios dentro da música. Em faixas como "N.I.B.", "Hand of Doom" e "Into the Void", o baixo não está ali apenas para engrossar o som; ele ajuda a definir a ameaça.
Jack Bruce também era um exemplo diferente porque cantava, compunha e trazia uma formação mais ampla, com jazz e blues no sangue. Ele não tratava o baixo como instrumento secundário. Essa postura era importante para músicos que viriam depois, especialmente no rock pesado, onde a tentação de deixar o baixo enterrado sob guitarras sempre foi grande. Butler aprendeu outra coisa: peso não precisava significar simplicidade preguiçosa.
O curioso é que Black Sabbath e Cream soam como bandas de mundos diferentes, mas há uma ponte bem visível entre elas. O Cream mostrou como um trio podia soar enorme sem depender de uma estrutura tradicional. O Sabbath levou essa ideia para um terreno mais escuro, mais lento e mais opressivo. Geezer Butler pegou a lição de Jack Bruce e a aplicou em outro cenário, onde o baixo deixou de ser apenas fundação para virar parte da própria arquitetura do medo.
A admiração de Butler por Bruce, portanto, não é só uma curiosidade de influência. É quase uma explicação de origem. Antes de o Black Sabbath ajudar a criar uma linguagem para o heavy metal, Geezer viu um baixista no palco e entendeu que não precisava ficar escondido no canto. Bastava encontrar o lugar certo dentro do barulho e, no caso dele, esse lugar acabou sendo bem no meio da escuridão.
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