O disco do Metallica que transformou Lars Ulrich em inimigo eterno
Por Bruce William
Postado em 15 de maio de 2026
Antes de "Kill 'Em All" virar um marco do thrash metal, ele também foi o retrato de uma banda tentando sobreviver à própria bagunça. O Metallica ainda não era uma instituição mundial, Lars Ulrich ainda não era o baterista mais criticado e defendido do metal, e James Hetfield ainda estava longe de ser tratado como uma espécie de xerife do riff pesado. Eram jovens cruzando os Estados Unidos com pouco dinheiro, muito volume e um nível de convivência que já começava a cobrar sua conta.
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No meio disso estava Dave Mustaine, guitarrista solo da primeira fase da banda, relembra a Far Out. Ele não era um figurante qualquer. Mustaine ajudou a escrever partes importantes do repertório inicial do Metallica e deixou riffs que acabariam aparecendo em músicas gravadas no álbum de estreia. O problema é que, ao mesmo tempo em que trazia fogo para a banda, também trazia confusão demais. As histórias sobre brigas, bebida, comportamento destrutivo e tensão com os colegas viraram parte da mitologia daquele período.
A demissão veio antes das gravações de "Kill 'Em All". Mustaine foi dispensado em Nova York e colocado em um ônibus de volta para a Califórnia, enquanto Kirk Hammett era chamado para ocupar seu lugar. Lars contou essa cena sem muita cerimônia: quando Mustaine perguntou a que horas sairia seu avião, ouviu que na verdade passaria os próximos dias em um ônibus. "Então junta suas coisas e sai daqui antes mesmo de entender o que te atingiu", resumiu o baterista. Para uma demissão, não foi exatamente o pacote premium de recursos humanos.
O veneno ficou ainda maior porque "Kill 'Em All", lançado em 1983, trouxe material com participação de Mustaine na composição. "The Four Horsemen", por exemplo, vinha de "The Mechanix", música que ele levaria depois para o Megadeth. "Jump in the Fire", "Phantom Lord" e "Metal Militia" também têm créditos ligados a ele. Ou seja: Mustaine saiu da banda, mas parte de seu DNA continuou no primeiro disco do Metallica, ajudando a construir justamente a fundação de um grupo que se tornaria gigante sem ele.
Para Mustaine, isso nunca pareceu ter sido apenas uma mágoa juvenil. Ele criou o Megadeth, tornou-se um dos nomes centrais do thrash metal e construiu uma carreira grande o bastante para não depender da sombra do Metallica. Mesmo assim, o assunto volta e meia reaparece. Em uma fala recente, ele voltou a mirar Lars mais do que os outros integrantes: "Eu gosto do James, Lars eu poderia aceitar ou deixar. Ele não é um bom baterista. Qualquer bom baterista vai te dizer que ele não é. E o sucesso deles? Muito disso se baseia em mim."
A frase é cruel, mas não surge do nada. Mustaine parece separar Hetfield de Ulrich nessa conta emocional. James entra como alguém por quem ele ainda guarda algum respeito ou afeto. Lars aparece como o símbolo da expulsão, da decisão fria, da viagem de ônibus e talvez da sensação de ter sido deixado para trás no momento em que o Metallica começaria a virar algo muito maior. A crítica ao baterista, nesse caso, não é só musical. Carrega décadas de disputa pessoal, orgulho ferido e aquela velha pergunta que ninguém deve gostar de carregar: "e se eu tivesse ficado?"
O curioso é que os dois lados venceram, cada um à sua maneira. O Metallica virou a maior banda de metal do planeta, enquanto o Megadeth lançou discos fundamentais para o thrash e deu a Mustaine um lugar que não depende apenas de ter sido "o ex-guitarrista do Metallica". Mas algumas histórias não se resolvem apenas com discos de ouro, turnês lotadas ou reconhecimento tardio. Às vezes, a carreira inteira cresce em volta da ferida, mas a ferida continua lá, reclamando do baterista como se ainda estivesse dentro daquele ônibus.
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