O álbum do Aerosmith que deveria marcar um retorno importante, mas deixou a desejar
Por Bruce William
Postado em 16 de maio de 2026
O retorno de Joe Perry ao Aerosmith não veio acompanhado de um renascimento imediato. Quando ele deixou a banda em 1979, o grupo já vinha se arrastando entre excessos, desgaste interno e discos que não repetiam a mesma faísca dos anos anteriores. Steven Tyler ainda tentou manter o nome vivo em "Rock in a Hard Place", com Jimmy Crespo e Rick Dufay nas guitarras, mas havia uma ausência impossível de disfarçar. O Aerosmith podia continuar existindo no papel, mas sem Tyler e Perry juntos a engrenagem não girava do mesmo jeito.
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A reunião aconteceu em meados dos anos 80, com Perry e Brad Whitford de volta ao grupo. Em teoria, era o tipo de notícia que prometia uma retomada em grande estilo. Na prática, "Done With Mirrors", lançado em 1985, acabou funcionando mais como um ensaio geral para a segunda fase do Aerosmith do que como o grande retorno em si. A banda estava reunida, os elementos principais estavam de volta, mas ainda faltava alguma coisa para transformar aquela energia em um disco realmente forte.
O álbum tinha uma proposta compreensível: deixar o Aerosmith soar mais cru, mais próximo de uma banda tocando junta, sem tentar vestir uma roupa pop demais antes da hora. Ted Templeman, conhecido pelo trabalho com Van Halen, foi chamado para produzir, o que sugeria uma tentativa de recuperar peso e espontaneidade. O problema é que essa busca por um som mais de garagem não convenceu totalmente Joe Perry depois.
Ele resumiu sua frustração sem transformar o disco em tragédia, ressalta a Far Out: "Eu sempre senti que aquele disco poderia ter sido melhor se tivéssemos trabalhado nele um pouco mais. Ou se todo mundo tivesse entrado junto na sala de controle e dito: 'A gente se sente meio tenso trabalhando com você', mas eu não sei... foi simplesmente assim que aconteceu."
Mesmo com essa ressalva, "Done With Mirrors" tem seu lugar. "Let the Music Do the Talking", música que Perry já havia lançado em seu projeto solo The Joe Perry Project, ganhou nova vida com Tyler nos vocais e virou um dos momentos mais lembrados do disco. A faixa funciona quase como declaração de retorno: menos conversa, mais volume. Só que o álbum não trouxe um grande hit e não conseguiu recolocar o Aerosmith imediatamente no centro do rock americano.
A virada comercial viria logo depois, por um caminho que quase ninguém teria previsto. Em 1986, a parceria com Run-DMC em "Walk This Way" colocou o Aerosmith de volta no mapa para uma geração nova, misturando rap e rock de um jeito que abriu caminho para a fase seguinte. Depois viriam "Permanent Vacation" e "Pump", já com mais polimento, compositores externos e um Aerosmith muito mais adaptado aos anos 80. Comparado com essa sequência, "Done With Mirrors" ficou parecendo um disco de transição, ainda preso entre o velho caos e a nova máquina.
O ponto é que ele não soa como um álbum sem valor. Há sujeira, há guitarra, há tentativa real de reconexão entre músicos que tinham passado anos separados. Talvez por isso a crítica de Perry seja válida: ele não diz que o disco não deveria existir, mas que poderia ter sido lapidado melhor. Para uma banda que logo depois entraria em uma fase de produção mais calculada e refrões gigantes, "Done With Mirrors" ficou como uma fotografia borrada do momento em que o Aerosmith estava voltando para casa, mas ainda tropeçando nos móveis.
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