A música mais "louca, progressiva e fora da curva" do Metallica, segundo Lars Ulrich
Por Gustavo Maiato
Postado em 14 de maio de 2026
O baterista Lars Ulrich apontou "Dyers Eve", faixa de encerramento de "…And Justice For All", como uma das músicas mais extremas já feitas pelo Metallica. A declaração foi dada em entrevista à Uncut, ao relembrar o período que antecedeu a criação do "Black Album", lançado em 1991.
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Segundo Lars, o Metallica chegou ao fim da turnê de "…And Justice For All" com a sensação de que havia levado aquela linguagem ao limite. O disco era marcado por composições longas, estruturas complexas e uma sonoridade seca, técnica e pesada. Para ele, não havia mais muito para onde avançar naquele caminho.
"Quando terminamos '…And Justice For All' e a turnê seguinte de dois anos, não havia mais para onde ir naquele caminho. Tínhamos batido no muro", afirmou o baterista. Em seguida, ele citou "Dyers Eve" como exemplo máximo daquela fase. "A última música daquele álbum é 'Dyers Eve', e são seis ou sete minutos do material mais louco, progressivo e fora da curva que o Metallica é capaz de fazer."
A frase deve ser lida dentro do contexto da entrevista. Lars falava do Metallica até aquele momento, ou seja, do que a banda havia produzido até o fim dos anos 1980 e início do processo do "Black Album". Como o grupo lançou muitas músicas depois disso, não há como saber se hoje ele apontaria outra faixa como ainda mais "louca" ou extrema.
O comentário ajuda a entender por que o Metallica mudou tanto em 1991. Depois de "Dyers Eve" e do desgaste da turnê, a banda decidiu simplificar. Lars contou que o novo desafio era escrever músicas mais curtas, diretas e físicas. A ideia era trocar parte do excesso cerebral por impacto imediato.
Kirk Hammett também explicou à Uncut que o grupo queria fazer um disco com força de coletânea de singles, usando como referência o clássico "Back In Black", do AC/DC. "Queríamos chegar a um 'Back In Black', um LP cheio de singles", disse o guitarrista.
Nesse processo, entrou o produtor Bob Rock, que teve papel decisivo na transformação sonora da banda. Lars admitiu que o começo foi difícil. "Nós não éramos muito abertos a ouvir alguém dizendo o que fazer", afirmou. Ainda assim, reconheceu que Rock pressionou o Metallica a ampliar seus métodos e buscar outro tipo de impacto.
Metallica e "Dyers Eve"
Segundo a Rolling Stone, "Dyers Eve" também tem um peso pessoal para James Hetfield. A faixa, uma das mais rápidas e agressivas do Metallica, foi usada pelo vocalista para tratar de traumas de infância. Ele explicou que a música retrata uma criança protegida demais do mundo exterior, como aconteceu com ele por causa da Christian Science, religião seguida por seus pais. "Isso me afastou de muitas crianças na escola", disse Hetfield.
Esse contexto ajuda a entender por que "Dyers Eve" soa tão extrema dentro de "…And Justice For All". A música não é apenas um exercício de velocidade e técnica, mas uma descarga de raiva contra uma criação rígida e isolada. Talvez por causa do andamento difícil e da intensidade da execução, o Metallica só tocou a faixa inteira ao vivo em 2004, mais de 15 anos depois de seu lançamento.
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