A técnica de Eddie Van Halen que Billy Sheehan conheceu com outra banda lá em 1974
Por Bruce William
Postado em 17 de maio de 2026
Quando Eddie Van Halen apareceu para o grande público com "Eruption", em 1978, muita gente passou a associar o tapping de duas mãos diretamente a ele. Não sem motivo. Eddie não apenas usou a técnica; ele colocou aquilo no centro de uma linguagem, transformando um recurso de guitarra em uma espécie de assinatura. Mas, como quase sempre acontece na música, nenhuma ideia nasce completamente isolada. Antes de Van Halen incendiar o rock com aquele solo, outros músicos já exploravam caminhos parecidos em guitarras, baixos e instrumentos menos convencionais.
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Billy Sheehan entra nessa história por um ângulo interessante. Conhecido por seu trabalho com Talas, David Lee Roth, Mr. Big, Niacin, The Winery Dogs e outros projetos, ele construiu uma reputação como baixista que não tratava o instrumento apenas como suporte. Seu estilo sempre teve muito de "lead bass", com acordes, tapping, harmônicos, palhetadas rápidas com três dedos e uma vontade clara de puxar o baixo para a linha de frente. Por isso, quando ele fala sobre a origem de certos recursos em seu vocabulário, não é papo de curioso vendo tutorial no YouTube.
Em entrevista ao podcast Mind Behind The Music (via Ultimate Guitar), Sheehan contou que começou a mexer com tapping depois de ver o ZZ Top em 1974. "Eu estava tentando mudar. Precisava fazer algo a mais na banda em que eu estava, e o tapping surgiu depois de ver o ZZ Top em 1974. Billy Gibbons fez um bend em uma corda e bateu nela na escala com a mão direita, com o dedo indicador. Eu nunca tinha visto aquilo. Ninguém na plateia tinha visto. Todos nós olhamos, tipo: 'Você viu aquilo!? Ele tocou no braço com a mão direita! Inacreditável!'"
O show, segundo Sheehan, aconteceu em Buffalo, Nova York, com o ZZ Top abrindo para Alice Cooper, na turnê de "Billion Dollar Babies". Ele voltou para casa, testou a ideia no baixo e percebeu que funcionava. A partir dali, passou anos usando aquilo como parte de sua própria linguagem, sem saber exatamente quem mais estava fazendo algo parecido. É uma cena bem anos 70: um músico vê outro fazer um gesto rápido no palco, leva aquilo para casa, desmonta a ideia no próprio instrumento e transforma em ferramenta pessoal.
A virada veio quando Eddie Van Halen apareceu. Sheehan já tinha seu próprio jeito de usar tapping, mas percebeu que Eddie havia encontrado outro patamar para a técnica. Em uma fala anterior, ao livro Shredders!, ele disse: "Quando Ed Van Halen surgiu, ele abordou a técnica do jeito dele, que é diferente do meu - na escolha das notas, pelo menos - no que ele estava fazendo com ela. Fiquei empolgado e feliz em ouvir, porque era incrível e fantástico. Mas também fiquei de coração partido, porque eu achava que era o meu lance! Era uma das minhas marcas registradas, mas é uma ótima lição a se aprender: você não pode necessariamente patentear ou registrar as coisas que faz em um instrumento. É algo aberto a todos."
Essa é a parte mais honesta da fala. Sheehan não tenta apagar Eddie, nem se colocar como "o verdadeiro inventor" de uma técnica que, na verdade, tem uma história bem mais espalhada. Emmett Chapman, por exemplo, já havia desenvolvido o Chapman Stick a partir de uma lógica de tapping com as duas mãos, e músicos de diferentes áreas vinham testando variações desse tipo de abordagem. O ponto de Sheehan é outro: ele já tinha chegado ali por um caminho próprio, mas Eddie mostrou que dava para transformar aquilo em espetáculo, vocabulário e revolução para uma geração inteira.
O próprio baixista reconheceu isso com uma imagem bem americana: "Eddie realmente aperfeiçoou a técnica. Eu tenho vídeos meus dos velhos tempos fazendo meu lance de tapping. Mas eu não levei a técnica tão longe quanto ele. Então, quando ele fez, isso meio que me revigorou para pensar: 'Ah, então dá para ir até o fim com o tapping! Bom, vou com você!' Então, ele foi uma grande inspiração para mim também." A expressão usada por ele no título original, "ir até a end zone", vem do futebol americano: não era só avançar algumas jardas, era levar a jogada até o touchdown.
Billy Gibbons acendeu uma faísca em Sheehan em 1974. Sheehan levou aquilo para o baixo e fez da técnica uma parte de sua identidade. Eddie Van Halen apareceu depois e mostrou ao mundo até onde aquele tipo de ideia podia ir quando colocado no centro de uma música. Não é uma linha reta, nem uma disputa de cartório. É mais uma daquelas correntes estranhas do rock, em que um gesto visto de relance num palco em Buffalo acaba reaparecendo, anos depois, nas mãos de gente que resolveu não deixar a nota quieta no lugar onde ela nasceu.
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