Pra ser sincero - Humberto Gessinger
Por Cassionei Niches Petry
Fonte: Porém, ah, porém
Postado em 09 de fevereiro de 2010
Humberto Gessinger parece gostar muito do número 3 ou deve ser o próprio número que o persegue. Penso nisso para tentar entender o porquê do subtítulo do seu livro lançado no final do ano passado, "Pra ser sincero: 123 variações sobre um mesmo tema" (Editora Belas Letras, 304 p.). Segundo o autor, é "o som de baquetas contando o início da canção: 1... 2... 3...", além de ele ter "encasquetado com o número", utilizando-o em todo o livro. Mas se pensarmos sobre as curiosidades sobre o 3 na trajetória do líder dos ENGENHEIROS DO HAVAII, podemos entender melhor a escolha.
Engenheiros Do Hawaii - + Novidades
Em primeiro lugar, HG nasceu em 1963. A banda teve em sua formação original 3 membros: Gessinger, Carlos Maltz e Marcelo Pitz. O primeiro show foi num dia 11/1 (somando, dá o número 3). Já no primeiro LP, o número aparece nos versos da música "Longe demais das capitais", que dá nome ao disco: "O 3º sexo, a 3ª guerra, o 3º mundo". Mais adiante, Augusto Licks entra no lugar de Pitz, completando aquela que seria a formação mais importante da banda. No segundo LP, o número está presente nos versos de "Revolta dos Dândis II": Esquerda e direita, direitos e deveres,/ os 3 patetas, os 3 poderes". Inspirados em outro "power trio", os canadenses do RUSH, os ENGENHEIROS estabeleceram que depois de 3 discos, iriam gravar sempre um outro ao vivo, plano que eles cumpriram até o final dos anos 90. Também criaram várias trilogias de seus discos, uma delas é a trilogia da bandeira tricolor do Rio Grande do Sul, formada pelos álbuns "A revolta...", "Ouça o que eu digo..." e "Várias Variáveis", cada um com uma das cores da bandeira gaúcha na capa. Quando resolveu realizar um trabalho solo, HG juntou mais dois músicos e formou o Humberto Gessinger Trio. Poderíamos citar mais músicas ainda ("3ª do plural", "3X4", "3 minutos", etc.) e outras referências (até o ilustrador de uma das capas dos CD’s se chama Trimano), mas volto ao livro, que é o que interessa comentar.
Humberto Gessinger é um baita escritor, só para usar a expressão aqui do RS, lugar tão importante para ele, como se percebe pelas referências nos discos e até na capa do seu livro. Suas letras são poesias do mais alto gabarito, repletas de citações literárias e filosóficas, mostrando ser um artista que não se limita ao mundo da música, que tem uma bagagem cultural grande e uma leitura diversificada e de qualidade. Talvez por isso eu fechei o livro com uma sensação de que faltava algo.
O livro é divido, claro, em 3 partes. Na primeira, há uma autobiografia do cantor. Com uma linguagem poética, cheia de frases gessingerianas (calcadas em paradoxos, pleonasmos, ambiguidades e citações), ele conta fatos de sua vida e, principalmente, da trajetória dos ENGENHEIROS (e também do Pouca Vogal, seu projeto mais recente), curiosidades das gravações e fotos de cada época. Aliás, o projeto gráfico é o que mais chama a atenção no livro, trazendo as reproduções das capas e contracapas de todos os álbuns, além das ilustrações de Andrews & Bola, já conhecidas pelos fãs na internet, representando as mudanças no visual de Humberto Gessinger.
Essas ilustrações estão na segunda parte, aquela sobre a qual tive mais expectativas. A divulgação anunciava que seriam 123 letras de músicas comentadas. No entanto, só algumas das letras estão acompanhadas por pequenos textos que não retomam as discussões que já circulam há anos pelos fóruns da web. Quais as fontes das citações, as influências para a criação das letras? O que ele queria dizer com tal palavra? Quem era Ana? O que é trottoir? Não acho que o artista deva revelar o que quis dizer. Isso é função do apreciador da obra. Mas a propaganda do livro criou essa expectativa, de registrar em livro as referências das letras. No fim, ficou mais como uma antologia pessoal do compositor.
Para fechar o livro, a terceira parte traz um ensaio de Luís Augusto Fisher, professor de Literatura da Ufrgs. Intitulada "Pra entender", em alusão a uma música dos Engenheiros, destaca o papel da banda na vida cultural do país. Apesar de ser professor de uma universidade, seu texto é leve e não destoa do resto. Tudo a ver com as contradições gessingerianas: um texto não acadêmico de um acadêmico.
Ouça o que eu digo, não ouça ninguém: o livro é peça indispensável na prateleira de qualquer fã dos ENGENHEIROS DO HAWAII, apesar dos pesares.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O hit do rock nacional que boa parte do Brasil não sabe o que significa a gíria do título
Dave Mustaine admite que pode não ter outra chance de falar com James Hetfield e Lars Ulrich
As cinco piores músicas do Iron Maiden, segundo o Loudwire
O "Big Four" das bandas de rock dos anos 1980, segundo a Loudwire
As cinco melhores músicas do Iron Maiden, segundo o Loudwire
Nazareth é a primeira atração confirmada do Capital Moto Week 2026
O melhor riff da história do heavy metal, segundo Max Cavalera (ex-Sepultura)
O primeiro disco de heavy metal que Mikael Åkerfeldt comprou
Dave Mustaine afirma que não há motivos para não ser amigo dos integrantes do Metallica
5 bandas de rock que melhoraram após trocar de vocalista, segundo Gastão Moreira
O maior guitarrista do grunge de todos os tempos, segundo Jerry Cantrell do Alice in Chains
Metallica adiciona mais seis shows a temporada em Las Vegas
Spiderweb - supergrupo de prog com membros do Genesis, Europe e Angra lança single beneficente
Felipe Andreoli sobre Angra: "Eu teria colocado o Alírio Netto 13 anos atrás"
Adrian Smith quer aposentar música do UFO que serve como intro dos shows do Iron Maiden
Black Sabbath: Tony Iommi explica como tocar "Paranoid"
Rick Rubin sobre System of a Down: "Eu ri o show inteiro! Era absurdo! Mas eu amei!"
O álbum do Megadeth que parecia ser do Metallica, até que um fã enquadrou Mustaine



Ex-Engenheiros do Hawaii, Augusto Licks retoma clássicos da fase áurea em nova turnê
O erro que Humberto Gessinger admite ter cometido no disco "O Papa é Pop"
Humberto Gessinger e a linha tênue entre timidez e antipatia: quem está certo?
Engenheiros do Hawaii - "De Fé" e a prova de amor de Humberto Gessinger
Heavy Metal: A História Completa (Ian Christe)
Run For Cover: The Art Of Derek Riggs



