O elemento em comum entre os nomes Metallica e Legião Urbana, segundo Humberto Gessinger
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de outubro de 2025
Durante uma conversa no podcast Music Es Um Voyage, Humberto Gessinger refletiu sobre algo que poucos fãs percebem: a mudança de espírito nos nomes das bandas de rock - do humor e da leveza dos anos 1980 para uma era mais "séria" e unidirecional. Segundo ele, Metallica e Legião Urbana são nomes que fogem desse humor dos anos 1980.
O vocalista e ex-líder do Engenheiros do Hawaii comentou que, na época, havia um senso de autoironia que se refletia até nas escolhas de nomes: Engenheiros do Hawaii, Kid Abelha, Titãs, Abóboras Selvagens. "Tinha muito esse elemento de humor nos nomes das bandas, né?", observou. "Eram nomes que tinham graça, que não se levavam tão a sério."
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Humberto lembrou ainda de uma curiosa anedota envolvendo o Metallica e o ator Sean Penn. Segundo ele, o astro teria conhecido os músicos em um hotel e dito: "A banda de vocês é muito legal, mas não tem futuro, porque o nome é muito unidimensional." A história, real ou não, serviu para ilustrar o ponto do músico: "O mundo acabou ficando todo unidimensional. Tinha nomes que fugiam um pouco disso, mas foi o lado para o qual o mundo foi."
Humberto Gessinger, Metallica e Legião Urbana
Para Gessinger, esse "espírito leve" se perdeu com o tempo - e talvez por excesso de humor nas redes e na cultura pop. "Hoje, todo mundo se acha humorista, pega uma câmera e começa. Chega uma hora que aquilo causa o efeito contrário do que o humor deveria causar", afirmou, em tom crítico, mas bem-humorado. Ele citou como exceção dos anos 1980 a banda de Renato Russo. "Tinha nomes que fugiam um pouco disso - Legião Urbana era um nome unidirecional, não tinha essa coisa da autoironia".
A fala do músico reforça uma ideia que já foi explorada em outras análises sobre o rock brasileiro: o caráter brincalhão e criativo dos nomes das bandas dos anos 1980 fazia parte de um momento cultural marcado por irreverência e liberdade artística.
De fato, nomes como Paralamas do Sucesso, Blitz, Titãs do Iê-iê, Biquini Cavadão, Kid Abelha e os Abóboras Selvagens e Engenheiros do Hawaii refletiam o clima de besteirol e despretensão da época. Como explicou Júlio Ettore em entrevista ao Inteligência Ltda., "era um movimento de não se levar tão a sério - o rocker era uma coisa leve, divertida, que fazia sentido naquele momento histórico."
Confira a entrevista completa abaixo.
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