Motörhead - Matéria sobre a entrevista coletiva em São Paulo

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Por Carlos Eduardo Corrales

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Estou começando a sentir as pressões da profissão. Acabei de chegar da coletiva do Motörhead, tenho que escrever a matéria e sair correndo para um curso que faço à noite. Não que eu esteja reclamando afinal, é melhor estar estar ocupado do que ocioso.

Bom, dessa vez como eu cheguei cedo no local, consegui pegar um lugar lá na frentona, ou seja, vi as famosas verrugas do baixista e vocalista Lemmy bem de perto. Pouco depois, entra a banda e a primeira pergunta é feita: “Como é estar pela 2ª vez no Brasil?” Pensei, peraí! Tem algo errado, a banda já veio pelo menos umas quatro vezes. E olha que a pergunta veio de uma conceituada revista de Heavy Metal, cujo nome não vou citar para não arranjar problemas. De fato, Lemmy respondeu: “É a quarta vez”, quando um jornalista que havia feito a lição de casa melhor do que o anterior e do que a própria banda interrompeu para avisar que na verdade era a quinta vez.

“Como vocês conseguem manter o som sem mudanças, mesmo depois de tantas formações?” “Não mantemos, o nosso som já mudou muito” responde um monossilábico e irritado Lemmy, que parecia sentir que os jornalistas não conheciam muito a banda.

E as perguntas continuam: “O que o Rock significa para vocês?” Lemmy: “É minha vida desde os 11 anos.” Mikkey Dee (Baterista): “Desde os 4 anos eu ouço Rock, mas também gosto muito de Jazz.” Phil Campbell (Guitarrista): “Hendrix in the West foi o disco que mais me influenciou. Esse disco hoje é uma raridade, não se encontra mais.”

O Motörhead está para lançar um álbum, o que vocês podem adiantar dele? “Vai ser um ótimo álbum. O Motörhead não mente, quando o disco não é bom, nós dizemos, mas vamos tocá-lo para vocês depois da entrevista, ouçam por vocês mesmos.” responde o simpático baterista.

Aliás, o baterista é o único da banda a responder as perguntas com simpatia. Lemmy fica o tempo todo com cara de quem comeu e não gostou, enquanto Phill fica mais preocupado em beber sua vodca do que em divulgar a banda. Prova da “simpatia de Lemmy veio na próxima pergunta: Qual é a sensação de estar no Brasil? Lemmy: “Pergunta boba!” responde. Tudo bem, eu até concordo, essa é daquelas perguntas estúpidas que aparece em todas as coletivas, mas não precisava responder assim. Mikkey entra para salvar o dia: “É ótima. A América do Sul é muito especial para nós, principalmente Brasil e Argentina”.

Os tributos que a banda participou também vieram à tona e Mikkey explica que eles deveriam ter sido exclusivos para o Japão, mas que gostam de tributos e pretendem participar sempre que a banda for boa.

Mas e o disco solo do Lemmy, quando sai? “As gravações estão demorando porque tenho que fazer tudo nos intervalos do Motörhead. Mas um dia sai.” avisa.

A censura do show vai ser de 14 anos. Como a banda se sente tendo fãs tão novos e também alguns bem mais velhos na faixa dos 50 anos? “O bom do Motörhead é que pode ser ouvido de fora das casas de shows” responde Lemmy em um dos poucos momentos em que fez uma piada. Para quem não sabe, o Motörhead estava no Livro dos Recordes como a banda que toca mais alto, até que eles foram vencidos pelo Manowar. Mikkey também quer falar: “14 anos ainda é bem novo. Nos EUA a censura é de 21 anos.” Cara, imagina uma censura dessas? Isso significa que eu não teria visto os shows do Kiss, dos Rolling Stones e nem mais um monte de shows que eu assisti. Essa é uma grande vantagem do Brasil.

Lemmy, você se preocupa com o que o público Metal vai achar dos seus projetos Rockabilly? “Não, não estou nem aí”, responde com a atitude que lhe deu fama. O que vocês estão ouvindo atualmente? Lemmy: “Evanescence”, Mikkey: “Rush In Rio” e Phil: “Johnny Cash”.


Lemmy já foi Roadie do Hendrix, o que você lembra daquela época? “Não lembro muito, pois vivia drogado.” Aproveitando o gancho, como você se sente depois de usar tanta droga? “Me sinto bem, ué. Mas me sentia melhor quando estava usando drogas.”

Atualmente existem algumas bandas que tratam o Rock como piada, como o Darkness. Que vocês acham disso: “O que interessa é o Motörhead. Fuck everybody else!” foi a resposta. Um biscoitinho para quem adivinhar quem mandou essa pérola. Mas o que é ser Motörhead? Mikkey com a resposta: “É como se fosse o Spinal Tap sem script.”

E a participação do Steve Vai no disco, como aconteceu? Lemmy: “Eu estava entrando num bar e ele saindo. Falei oi, ele respondeu. Perguntei se ele queria tocar no disco e ele disse sim.”

O último disco do Helloween, Rabbit Don’t Come Easy tem Mikkey Dee como baterista. Como foi, Mikkey? “Bom, o Andi (vocalista do Helloween) me ligou e pediu para eu participar. Mas eu não tinha tempo. Aí como eles precisavam muito da minha ajuda, gravei metade do disco e a outra metade gravei quando tive uma folga. O mais estranho foi aquela parte Reggae da Nothing To Say. Aliás, o Michael Weikath (guitarrista do Helloween, que compôs essa música) é um cara estranho. Quando estava gravando uma das suas músicas, perguntei como ele a queria. Ele respondeu ‘imagina que você está em um arranha-céu’ eu disse que tudo bem, e aí ele disse ‘agora imagina que você está transando com um coelho’”. Bizarro é pouco.

Para quem estava sentindo falta da tradicional carência tupiniquim, ela se manifestou nesse momento com as não menos tradicionais perguntas idiotas. Lá vai: “O que vocês conhecem da música brasileira?”. A resposta foi a mais óbvia possível: Sepultura e Soulfly. Pensa que a carência acabou aí? Não, ela continuou: “Vocês já pensaram em gravar um CD ao vivo no Brasil?” Lemmy: “Não.” Novamente Mikkey interfere: “Eu gostaria que nosso próximo DVD fosse gravado aqui.”

Vamos rir um pouco, qual foi a coisa mais bizarra que aconteceu com vocês? “Don Dokken (vocalista da banda Dokken) cantando Born To Raise Hell em uma participação especial em um show nosso. Ele cantou tudo errado e aí entrou o Slash (ex-guitarrista do Guns ‘n Roses) tocando uma outra música e eu não sabia mais o que fazer. Começamos tocando a Born To Raise Hell, mas acabamos tocando uma coisa completamente diferente.”

Qual foi o melhor show que vocês fizeram no Brasil? Foi o do Monsters Of Rock de 96? “No Monsters, o Skid Row queria tocar antes da gente, pois achavam que se tocassem depois, iam jogar coisas neles. No fim, acabamos não trocando e realmente jogaram coisas neles. Mas o melhor show foi na última vez, especialmente em São Paulo.” responde Lemmy.

Última pergunta: “Como vocês vêem a influência de vocês nas outras bandas?” Lemmy: “Não vejo. Eles se dizem influenciados, mas eu não vejo nenhuma semelhança. Aí eles dizem que nós os influenciamos e eu digo ‘e aí, o que deu errado?’”. Mikkey levanta a mão: “Quando tocamos no Ozzfest, todas as bandas eram tão más. Me senti super deslocado lá, parecia que nós éramos os Três Patetas. Quatro se você contar o Ozzy Osbourne”.

Nesse ponto, a entrevista termina e os jornalistas se tornam fãs e começam a formar fila para pegar autógrafo com os músicos. Eu, é claro, entrei na fila e autografei minha coletânea do Motörhead (cuja assinatura do Lemmy ficou borrada por causa do meu dedo estúpido. Maldito dedo!), mas o queria mesmo era o autógrafo do Mikkey Dee em dois outros discos: o já citado Rabbit Don’t Come Easy do Helloween e o Abigail, do King Diamond. Aliás, quando dei o Abigail para o Mikkey assinar, ele disse: “Puxa, esse disco é legal”. É mesmo. E agora eu tenho um clássico do Heavy Metal autografado. Eu adoro quando isso acontece.

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