The Cult: um dos melhores discos de todos os tempos
Resenha - Electric - Cult
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collector's Room
Postado em 21 de junho de 2019
Ian Astbury e Billy Duffy são os responsáveis por um dos melhores discos lançados durante os anos 1980. Terceiro álbum do The Cult, "Electric" é um registro único na carreira deste quarteto inglês, apresentando em suas onze faixas um hard rock vigoroso, direto e repleto de energia, que bebe no melhor que o estilo produziu na década anterior.
Ao lado de Astbury e Duffy estavam o baixista Jamie Stewart e o baterista Les Warner. O quarteto juntou forças ao produtor Rick Rubin para transformar a sonoridade anterior da banda, um rock com influência gótica e uma bem-vinda dose de peso e que rendeu o igualmente ótimo "Love" (1985), em um arregaço regado a inspirados riffs de guitarra e interpretações vocais antológicas.
Billy Duffy estava possuído em "Electric". O guitarrista louro pegou para si o posto de legítimo herdeiro da nobre linhagem de riffmakers do rock, que inclui nomes lendários como Angus Young, Jimmy Page e Tony Iommi, e, banhado de luz e inspiração, pariu uma sequência sensacional de notas que colocam "Electric" na categoria daqueles discos onde a guitarra, mais do que qualquer outro instrumento, é a espinha dorsal, a alma e o sangue que escorre pelos sulcos.
As cinco primeiras faixas não deixam espaço para o ouvinte respirar. O The Cult entrega um dos melhores lados A da década de 1980 e também de todos os tempos, jogando o ouvinte contra a parede com o ataque frontal e selvagem de "Wild Flower", "Peace Dog", "Lil' Devil", "Aphrodisiac Jacket" e "Electric Ocean", todas devidamente abençoadas por riffs faiscantes que brotam como água da guitarra de Duffy. As duas primeiras são pedradas hard certeiras, influenciadas claramente pelo AC/DC. Já "Lil' Devil" coloca um certo groove na jogada, e era essa faixa que, do alto dos meus dezesseis, dezessete anos, eu tocava feito louco nas festinhas que minha turma de amigos promovia no interior do Rio Grande do Sul - bons tempos aqueles.
Entretanto, foi o riff de "Aphrodisiac Jacket" que me fez comprar o disco, pois foi ouvindo essa canção que me vi obstinado atrás do LP. Mais cadenciada, ela exemplifica a inspiração absurda do The Cult em "Electric", cativando qualquer pessoa que tenha o rock correndo nas veias e, ao mesmo tempo, honrando os grandes nomes que foram fundamentais para o surgimento e desenvolvimento do hard rock como Cream, Jimi Hendrix Experience, Led Zeppelin, Mountain, Grand Funk Railroad e inúmeros outros.
O lado B, apesar de não ser tão iluminado quanto o primeiro, possui as duas faixas mais conhecidas de "Electric": o single "Love Removal Machine" e o cover de "Born to Be Wild", do Steppenwolf. A primeira tocou feito louco nas rádios desde o momento em que o play foi lançado, e é uma das trilhas mais marcantes das lembranças de um tempo de descobertas, onde éramos felizes sem ao menos saber. E, em um disco cujas composições nos transmitem sensações sublimes, sendo uma das mais fortes a liberdade, a escolha da clássica "Born to Be Wild" como releitura não poderia ser mais apropriada. Aliás, o peso que o The Cult imprimiu transformou a sua versão em uma das preferidas entre as milhares de interpretações que "Born to Be Wild" já ganhou - inúmeras delas, diga-se de passagem, pra lá de dispensáveis.
Quando um disco nos faz sentir certas coisas, é preciso abrir os olhos e ouvi-lo com atenção. "Electric" nos faz primeiro aumentar o volume de maneira progressiva. Em seguida, já estamos empunhando nossa Les Paul e tocando air guitar alucinadamente. E, quando vemos, cantamos os solos das faixas a plenos pulmões - "Wild Flower" e "Love Removal Machine" que o digam. Por fim, quando o CD acaba já estamos ouvindo-o novamente.
Enfim, "Electric" é um discaço de rock, daqueles que cativam novos adeptos e fazem rockers veteranos como eu se apaixonarem, de novo e mais uma vez, pelo gênero que os viu crescer.
Agora, chega de papo furado porque a minha Les Paul já está apitando aqui do lado...
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