Labyrinth renasce com fúria e sofisticação em "In The Vanishing Echoes Of Goodbye"
Resenha - In The Vanishing Echoes Of Goodbye - Labyrinth
Por André Luiz Paiz
Postado em 05 de julho de 2025
Atravessando décadas sem perder a relevância, a Labyrinth nos entrega, em "In The Vanishing Echoes of Goodbye", uma obra madura, intensa e artisticamente ousada. Mais do que apenas mais um capítulo em sua já sólida discografia, este décimo registro de estúdio se estabelece como um marco sonoro e criativo. Sob a liderança do magistral Olaf Thorsen e com a banda inteira envolvida na composição, o álbum exala unidade, ambição e identidade.
A produção cristalina de Simone Mularoni (também responsável pela mixagem e masterização), com participação ativa de toda a banda, valoriza cada nuance do disco, equilibrando perfeitamente a fúria técnica com as melodias carregadas de emoção. É importante destacar o quanto "In The Vanishing Echoes of Goodbye" brilha por não tentar replicar sucessos anteriores ou ecoar as fórmulas manjadas do power metal europeu. Pelo contrário, a banda expande horizontes sem medo, entregando um trabalho que é simultaneamente agressivo, melódico e progressivo.

A faixa de abertura, "Welcome Twilight", já dá o tom com sua intensidade cortante e estrutura complexa. Thorsen e Andrea Cantarelli entregam riffs e solos em velocidade vertiginosa, enquanto a cozinha — composta por Nik Mazzucconi (baixo) e Matt Peruzzi (bateria) — sustenta com precisão matemática. É uma introdução de respeito, que antecipa o que está por vir.
"Accept The Changes" mantém o fôlego com um peso dramático e uma progressão harmônica envolvente, enquanto "Out of Place" desacelera para mergulhar em uma balada moderna e introspectiva. Aqui, as guitarras criam uma ambiência quase cinematográfica, e Tiranti assume uma postura vocal mais emocional — apesar das inevitáveis comparações com Russell Allen, ele entrega uma performance sólida e expressiva, com identidade própria.
Na sequência, "The Right Side of This World" e "The Healing" exploram uma veia mais melódica e cadenciada, flertando com elementos do hard rock e do metal progressivo, sem jamais perder a pegada característica da banda. O trabalho de teclados de Oleg Smirnoff se destaca especialmente nessas faixas, oferecendo texturas que ampliam ainda mais a paleta sonora do álbum.
A viagem sonora culmina em "Inhuman Race", um épico de mais de sete minutos que sintetiza todas as qualidades do álbum: composição engenhosa, mudanças de tempo surpreendentes, camadas instrumentais bem resolvidas e um refrão marcante que fecha a experiência de forma grandiosa.
O maior triunfo deste álbum está na capacidade da banda de soar renovada, sem negar suas raízes. Labyrinth não soa como ninguém — nem mesmo como uma versão passada de si mesma. Há familiaridade, sim, mas também há evolução e coragem para experimentar, para sair da zona de conforto sem perder o fio condutor da identidade artística. Seu crescimento em termos líricos também é notável.
Em tempos onde muitos nomes consolidados do power metal optam por zonas seguras ou repetição, "In The Vanishing Echoes of Goodbye" surge como um manifesto de criatividade. Um disco que não subestima o ouvinte, mas o convida a embarcar numa jornada densa, rica e emocionalmente ressonante.
"Com In The Vanishing Echoes of Goodbye", o Labyrinth entrega não apenas um dos melhores discos de sua carreira, mas também um forte candidato a álbum do ano dentro do prog/power metal. Um trabalho que combina técnica, emoção, diversidade e coesão — e que merece ser apreciado com atenção, do início ao fim.
É possível encontrar o novo álbum do Labyrinth em lojas brazucas, já que foi lançado no Brasil pela Shinigami Records.
"In the Vanishing Echoes of Goodbye" Track-listing:
Welcome Twilight
Accept the Changes
Out of Place
At the Rainbow’s End
The Right Side of This World
The Healing
Heading for Nowhere
Mass Distraction
To the Son I Never Had
Inhuman Race
Labyrinth Lineup:
Roberto Tiranti - Vocals
Olaf Thörsen - Guitars
Andrea Cantarelli - Guitars
Nik Mazzucconi - Bass
Oleg Smirnoff - Keyboards
Matt Peruzzi - Drums
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