Novembers Doom: Privado de luz!
Resenha - Aphotic - Novembers Doom
Por Vitor Sobreira
Postado em 10 de junho de 2018
Conheci a banda estadunidense Novembers Doom bem no início de 2008, por pura jogada de sorte, ao adquirir o maravilhoso ‘The Novella Reservoir’, que havia sido lançado no ano anterior. Sim, comprei o trabalho para conhecer a banda, sem mesmo nunca a ter ouvido antes… E sendo bem franco, até hoje – 10 anos depois – agradeço aquele moleque (que eu era), que ainda estava descobrindo o Metal, por ter arriscado em "atirar no escuro" e felizmente acertar em cheio o alvo. De lá pra cá, venho acompanhando a banda discretamente, mas ainda com demasiada atenção. Após o mediano ‘Into Night’s Requiem Infernal’, de 2009, veio o ótimo ‘Aphotic’ (2011), cujo qual resolvi ensaiar a escrever…
A capa mais uma vez sombria, feita por Tommy Genest, logo no primeiro contato entrega o que o ouvinte poderá aguardar ao ouvir o oitavo full length dos caras de Chicago/Illinois, ‘Aphotic’ – inclusive pelo próprio título, que em português, afótico significa algo como "privação de luz". Lançado pela The End Records (e aqui no Brasil liberado pela Shinigami Records) em maio de 2011, o trabalho manteve a sonoridade especial que o Novembers Doom vem desenvolvendo alquimicamente ao longo dos anos, inserindo ainda mais passagens progressivas e melodiosas ao seu Doom/Death Metal.
Músicas trabalhadas, com doses equilibradas de melancolia e peso permeiam toda a audição de 50 minutos de duração. A agressividade do Death Metal ainda está ali, mas usada de uma maneira mais dosada. A velocidade, mesmo nunca tendo sido o foco principal da banda, foi destinada a discretos pontos – pessoalmente falando, senti falta de uma faixa mais dinâmica como "Rain", do supracitado ‘The Novella Reservoir", mas nada de prejudicial, no fim das contas. Enquanto isso, o vocalista e letrista Paul Kuhr apostou no maior uso de seus característicos vocais limpos, fazendo uma mescla interessante com os guturais poderosos, além de ser acompanhado por ótimos parceiros, que garantem um excelente instrumental.
Do ponto de vista da formação, o álbum marcou a estréia do baixista Mike Feldmam (com passagens pelas distintas bandas Degradation e Subterranean Masquerade), que ainda permanece atualmente. Também, não poderia deixar de citar a participação mais do que especial da holandesa Anneke Van Giersbergen (ex-The Gathering), na emocional e intimista faixa "What Could Have Been", que ganhou um vídeo clipe. Ben Johnson (teclados), Dan Swanö (vocal nas faixas 5 e 6) e Rachel Barton Pine (violino nas faixas 1 e 4) completam as participações.
Falar que ‘Aphotic’ tem apenas um momento ou outro especial, seria uma tremenda mentira, afinal, todas as oito composições – em sua maioria, um pouco mais longas – são capazes de prender a atenção pela qualidade e bom gosto. Desde com a abertura ‘The Dark Host" e suas mudanças de andamento que pegam de surpresa, passando por "The Havest Scythe" (que refrão mais viciante!!) e "Buried" até as duas partes de "Of Age and Origin" e o desfecho com "Six Sides" e a igualmente emblemática "Shadow Play", cada uma nos oferece algo de bom. Além do aspecto musical e sonoro, não posso deixar de comentar a arte do encarte, onde cada composição é ilustrada por interessantes imagens, feitas por Jason Hicks e com layout do próprio vocalista.
Sete anos já se passaram deste lançamento, e outros dois discos já foram lançados nesse período de tempo, mas parece que foi outro dia. E você leitor, já ouviu ‘Aphotic’? Caso ainda não, dê uma conferida, pois o som é de respeito!
Formação:
Paul Kuhr (vocal);
Larry Roberts (guitarra);
Vito Marchese (guitarra);
Mike Feldman (baixo);
Sasha Horn (bateria)
Faixas:
01. The Dark Host
02. Harvest Scythe
03. Buried
04. What Could Have Been
05. Of Age and Origin – Part 1: A Violent Day
06. Of Age and Origin – Part 2: A Day of Joy
07. Six Sides
08. Shadow Play.
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