A banda que "nocauteou" Ray Manzarek, do The Doors; "Acho que era minha favorita"
Por Bruce William
Postado em 29 de dezembro de 2025
Sempre tentam colocar o The Doors numa caixinha só, como se fosse simples: rock, blues, psicodelia, sei lá. Só que a própria formação da banda já aponta para outra direção, e isso passa muito pelo Ray Manzarek. Sem o jeito dele tocar, e sem a ideia de conduzir as músicas pelo teclado, o The Doors teria ficado bem mais "convencional" no rock da época.
Quando Manzarek falava de onde vinha esse impacto, ele não puxava um nome "cult" nem uma referência escondida. Ele falava de Little Richard, e falava como fã mesmo, daquele tipo que lembra do choque físico de ouvir algo pela primeira vez. E o detalhe é que ele não elogiava só o vocal ou o personagem: ele destacava a banda tocando, relembra a Far Out: "A banda do Little Richard, acho que era provavelmente a minha favorita. Era só... aquela banda tocando 'Lucille', meu Deus do céu."

É uma lembrança que encaixa bem com a ideia de que o The Doors sempre foi uma banda com pulsação de palco, com dinâmica - não apenas um "cantor na frente". Esse tipo de depoimento também aparece em outras figuras da mesma geração, e de gerações vizinhas. Paul McCartney, por exemplo, descreveu o impacto de Little Richard de um jeito que soa quase como um marco pessoal: "Little Richard entrou gritando na minha vida quando eu era adolescente." E completou: "Eu devo muito do que eu faço ao Little Richard e ao estilo dele, e ele sabia disso. Ele dizia: 'Eu ensinei tudo o que o Paul sabe'." Keith Richards foi pelo mesmo caminho, só que com menos razão e mais emoção: "Aquilo foi o choque. Eu nunca tinha ouvido aquilo antes, nem nada parecido." É o tipo de fala que aparece quando a pessoa está tentando dar nome a um som que parecia "novo demais" para o que existia ao redor.
No caso do Manzarek, dá para entender o efeito: ele era um músico que mais tarde ajudaria a construir uma banda onde o teclado não era enfeite, mas estrutura - e onde as músicas podiam mudar de direção sem pedir licença. Quando ele chama a banda do Little Richard de "minha favorita", ele está dizendo algo sobre forma, ritmo, ataque, presença.
E talvez a graça esteja aí: muita gente resume Little Richard ao rótulo "rock and roll", do mesmo jeito que tentam resumir o The Doors. Só que, quando você olha os depoimentos, o que aparece é outra coisa: a lembrança de um som que bagunçava o padrão, empurrava os músicos para tocar diferente, compor diferente, se posicionar de forma diferente no palco. No fim, é isso que "Lucille" significava para Manzarek: um estalo de energia e linguagem, antes mesmo de existir o nome The Doors.
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