OMD: eletricidade continua a 220
Resenha - English Electric - Orchestral Manoeuvres In The Dark
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 11 de outubro de 2017
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Formado em 1978 por Andy McCluskey e Paul Humphreys, o Orchestral Manoeuvres in the Dark (OMD) quase sempre teve mais membros, mas ouvintes mais casuais sempre se importaram com a dupla-fundadora. Junto com Gary Numan, Ultravox e o Human League dos Primeiros Dias, o Orchestral foi um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento da síntese synthpop entre punk music e música eletrônica. O rigoroso álbum Architecture & Morality (1981) é fundamental para entender isso. A primeira faixa, The New Stone Age, espetacularmente mistura Kraftwerk com pós-punk; é uma aula para década que se abria. Lá por 84, o OMD viraria mais pop e antes do fim da década McCluskey e Humphreys ficariam de mal, reatando a parceria apenas em 2006. Em 2013, lançaram English Electric, segundo fruto dessa encarnação século XXI.
Quarenta anos depois do auge do movimento punk e do Kraftwerk, pode-se afirmar com segurança que a Cromossomo K fixou-se definitivamente no genoma do OMD: English Electric tem tudo de Kraft e nenhum resquício audível do (pós)-punk. De modo geral, o LP tematiza certo desgosto com a modernidade; prometida de um jeito, vivida d’outro não tão resplandecente de neon e abundante de tempo livre. Quem lembra dum sociólogo desses de mídia, nos 80’s, profetizando que no futuro a automação permitiria que as pessoas trabalhassem menos? Precarização, insegurança na manutenção dos postos de emprego e gente conectada ao escritório quase o tempo todo são algumas facetas desse futuro não previsto pelo esquecido (Pollyann)acadêmico. E qual sonoridade para falar de perspectivas fracassadas de futuro idealizado do que o bom e velho tecnopop oitentista? Apesar de um par de piscadas para algum truque de produção mais contemporânea, English Electric é para ouvidos mais velhos ou para a moçada que curte vintage.
É provável que o pendor de McCluskey e Humphreys por lindas melodias explique a fixação no Kraftwerk e não no agressivo (pós-)punk. Ouça a boniteza dos riffs de teclado de Night Café e Stay With Me, esse capaz de fazer montanha se avalanchar em lágrimas. Na veia de Enola Gay e Electricity, Dresden traz memorável linha de teclado pra dançar, sustentada e impulsionada por baixo potente e rebolável. Não é à toa: Andy é baixista; Paul, tecladista.
Dresden é uma cidade alemã, pátria do Kraftwerk, inspirador de German, digo, English Electric. Metroland é pura minissinfonia fase Man Machine (1978), que aliás, tem faixa chamada Metroplis. Linda. Kissing the Machine é regravação de uma canção de 1993, do Elektric Music, projeto de Paul Humphreys com Karl Bartos, ex-percussionista adivinha de qual seminal grupo eletrônico germânico? Para completar o domínio teutônico, a faixa conta com vocais de Claudia Brücken, do grupo synthpop alemão Propaganda, que fez sucesso no Brasil, em 1985-6. Paul e Claudia foram casal por vários anos.
Embora expelindo Kraftwerk pelos poros, o álbum não soa como pastiche; é só que os caras amam Kraft desde os 70’s, a música dos alemães está até nos movimentos involuntários. Mesmo assim, sobra espaço para o synth-bolero de Final Song e pra The Future Will Be Silent, onde o OMD mostra que pelo menos ouviu dubstep e trap. Mas, para oitentistas que viveram a acid house, a faixa não soará alienígena.
Entremeado de vinhetas "experimentais", o álbum não assusta ninguém que passou pelos 80’s, afinal, os tais "experimentos eletrônicos" vinhetados já foram todos feitos. Com os timbres de teclados registrados do OMD, os vocais intocados pelo tempo (será efeito de estúdio? Estão iguaizinhos desde sempre!) e até mesmo uma personagem feminina inspiradora – Helena de Troia, no lugar de Joana D’Arc – English Electric mostrou um Orchestral Manuevres in the Dark no topo de sua forma madura.
Tracklist
Please Remain Seated 0:44
Metroland 7:33
Night Café 3:46
The Future Will Be Silent 2:41
Helen Of Troy 4:13
Our System 4:33
Kissing The Machine 5:06
Decimal 1:16
Stay With Me 4:27
Dresden 3:37
Atomic Ranch 1:44
Final Song
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Billy Gibbons explica continuidade do ZZ Top tendo apenas sua presença dos membros clássicos
42 shows internacionais de rock e metal no Brasil até o final de setembro
Assista o primeiro show da Cretin Family (Ramones, Green Day, Rancid e Blink-182)
O disco que talvez seja a definição mais perfeita de "classic rock"
Tuomas Holopainen diz que refaria apenas uma letra em 30 anos de Nightwish
O disco do Rush que baixista do Napalm Death considera perfeito
As únicas 11 músicas do Dream Theater que são boas, segundo Regis Tadeu
O riff do Black Sabbath que Eddie Van Halen vivia pedindo para Tony Iommi tocar
Por que Luís Mariutti foi barrado no show do Angra, segundo o próprio
A banda que Robert Plant definiu como "clinicamente morta" após ir a show deles
O hit do Led Zeppelin que Robert Plant acha ótimo: "Rock progressivo enlouquecido"
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
O álbum do Led Zeppelin que Ozzy Osbourne considerava um dos grandes discos de metal
Gigantes do rock: 10 rockstars que beiram os 2 metros de altura
O clássico dos Rolling Stones que tentou repetir "Satisfaction", mas Keith Richards odiava

Kinetic Orbital Strike despeja treze bombas punk/crust destruidoras
Ürütaü - Trabalho de estreia, qualidade de veteranos
A Magia Ancestral do Green Lung: O Impacto Monumental de "Woodland Rites"
Resenha - Skylab VI - Cadê Meu… Álbum?
Os 50 anos de "Journey To The Centre of The Earth", de Rick Wakeman
Guns N' Roses: o último grande álbum de rock feito a mão


