Next to None: guinada para o metalcore sem abandonar o progressivo
Resenha - Phases - Next to None
Por Victor de Andrade Lopes
Fonte: Sinfonia de Ideias
Postado em 05 de agosto de 2017
Nota: 8 ![]()
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A quantidade e a importância das mudanças pelas quais uma pessoa normalmente passa ao longo de dois anos dentro da adolescência são gigantemente superiores àquelas que vivemos no mesmo período na idade adulta. O que diabos isto tem a ver com o texto?
Bom, falamos aqui de uma banda de jovens: o Next to None, cujo baterista é Max Portnoy (sim, filho do lendário Mike Portnoy). Mas é injusto reduzir a banda a isto, dada a qualidade dos demais integrantes. O parágrafo introdutório? Uma rasa filosofada para comentar a "guinada" que este álbum traz.
Se a estreia do quarteto, A Light in the Dark, foi marcada por um metal progressivo "típico" e muito bem executado para um grupo de garotos, o sucessor Phases adota um tom bem mais puxado para o metalcore.
A abertura "Answer Me", precedida pela introdução "13", deixa clara essa guinada, embora ainda mantenha elementos progressivos. O single "Apple", por sua vez, chocou alguns fãs - para o bem e para o mal. Aqui sim, temos um metalcore bem típico. Ao menos ela impõe mais respeito. Assim como "Beg", uma das mais pesadas e com vocal mais convincente.
O progressivo finalmente chega numa sequência de 20 minutos divididos quase igualitariamente entre "Alone" e "Kek". E chega muito bem! No caso da primeira, temos uma ótima peça do gênero, com tudo que pede o manual: um começo sereno, um peso que vai sendo construído aos poucos, variações de andamento e muitos solos. O metalcore ainda está presente na forma de guturais e acordes staccatos, mas somente como coadjuvante. A segunda é menos ortodoxa e não impressiona tanto, mas mantém a peteca lá no alto.
De "Clarity" a "Mr. Mime", passando por "Pause", temos uma espécie de "desaquecimento" do progressivo de volta para o metalcore, com as faixas lentamente encurtando de duração e ficando com aquela cara mais "moderninha". Vem então o breve interlúdio instrumental "Isolation" para emendar em mais uma boa peça progressiva, "Denial".
E chegamos ao fim nos quase 20 minutos de "The Wanderer". É admirável o esforço dos meninos em preenchê-los de forma entusiasmante, mas a verdade é que a faixa é uma espécie de "Empire of the Clouds", ou seja, ou seja, foi esticada para parecer superlonga. Uma boa produção teria aparado-a um pouco para caber talvez em 15 minutos. Falando em produção, o pai de Max desocupou esta função no disco e a própria banda a assumiu, o que ajuda a explicar o rejuvenescimento do som.
Posso comentar aqui sobre cada um dos membros individualmente, a começar por Max. Ao mesmo tempo em que sua habilidade mostra clara evolução e ele dá mais sinais de ter herdado a destreza do pai, percebemos uma configuração nas caixas que se aproxima daquilo que Lars Ulrich, do Metallica, fez em St. Anger e que até hoje é motivo de debate. Prevejo debates aqui também, mas em nível bem menor, proporcional à relevância da banda.
Thomas Cuce impôs muito mais respeito com seus guturais do que com sua voz limpa. Resta saber se conseguirá reproduzi-los decentemente ao vivo. E já que ele comanda satisfatoriamente os teclados, não seria o caso de chamar um vocalista para cada um focar em uma função?
E o estreante Derrick Schneider, que entra no lugar de Ryland Holland por recomendação de ninguém menos que Ron "Bumblefoot" Thal (que fez uma participação em A Light in the Dark e hoje integra o supergrupo Sons of Apollo com Mike Portnoy)? Ele sem dúvida é um dos responsáveis diretos pela mudança no direcionamento da banda, sendo sua guitarra a nave-mãe desse novo som que a banda apresenta, e ele ficou totalmente à altura da nova responsabilidade.
Apostar no metalcore se mostrará uma faca de dois gumes: por um lado, afastará headbangers mais conservadores, que desprezam a vertente como coisa de adolescente. Por outro lado, faz a banda surfar na onda do gênero, que tem se mostrado muito popular nos Estados Unidos, criando uma possibilidade para aproximar esse público do progressivo. De qualquer forma, do ponto de vista estritamente musical, o álbum é quase impecável. E o bom de ser uma banda tão jovem é que ainda tem muito, mas muito espaço para evoluir.
Abaixo, o lyric video de "Apple":
Track-list:
1. "13"
2. "Answer Me"
3. "The Apple"
4. "Beg"
5. "Alone"
6. "Kek"
7. "Clarity"
8. "Pause"
9. "Mr. Mime"
10. "Isolation"
11. "Denial"
12. "The Wanderer"
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