Gus Monsanto: Um CD de compositor, não de vocalista
Resenha - Karma Café - Gus Monsanto
Por Eduardo Simões
Postado em 06 de dezembro de 2016
O vocalista, produtor e compositor Gus Monsanto começou a sua carreira musical em Petrópolis/RJ, como vocalista da banda de hard rock Angel Heart, mas participou de inúmeros outros projetos no Brasil e no exterior.
Dentre os seus trabalhos mais famosos estão os CDs lançados com as bandas Adagio (França), Revolution Renaissance (Finlândia) e o excelente projeto brasileiro Marmor. Mas o carioca também possui no currículo nomes como Symbolica, Human Fortres e Takara, onde substituiu ninguém menos que Jeff Scott Soto (ex- Journey, ex-Malmsteen e ex-várias outras bandas).
O músico também já tocou baixo na banda mineira Overdose, produziu outras bandas, leciona música no site Cifras.com, participou de CD do Dr. Sin, fez participações em shows do Angra... Bom, acho melhor mencionar que a história do músico e a lista dos seus projetos está no site wikipedia.
Com um currículo tão variado o que esperar do seu primeiro CD solo? Hard Rock? Metal Melódico? Thrash? Nenhumas das anteriores! O CD Karma Café é um trabalho de AOR e melodic rock, com toques de rock dos anos 70 Hard Rock dos anos 80. São 14 composições que misturam influências como The Beatles, Boston, Kansas, Foreigner, Kings X, Tom Petty, Toto, Mr. Big, Bon Jovi, Great White, Aerosmith e Whitesnake. A impressão é de que não é um CD do vocalista Gus Monsanto, mas do compositor.
A faixa título, Karma Café, abre o CD deixando a grata impressão de que houve um enorme carinho com esse trabalho. A produção, a gravação, a capa, enfim, tudo foi cuidadosamente pensado e analisado. Imagino que em função do riff que abre a música deva ter sido tentador colocar guitarras mais altas e explorar a voz mais agressiva que usava nas bandas acima citadas, mas o artista se conteve e manteve o estilo AOR do CD. Essa será a primeira faixa de trabalho e em breve será lançado um clipe.
A segunda faixa do CD, No Candle Left in the Box, soa um pouco os primeiros trabalhos da carreira solo do Paul Gilbert, com aquelas sequências de acordes de um bom rock and roll dos anos 70 e alguma influência de The Beatles na forma de organizar alguns backings vocais. O excelente solo de guitarra é um destaque à parte, mostrando que o músico montou um time de primeira para a empreitada.
Fire and Dynamite, é um hard rock "calmo", com aquela tradicional levada meio blues. Em alguns momentos uma guitarra com slide lembra os trabalhos solos do George Harrison, mas o refrão "levanta estádio" leva a música para um terreno completamente diferente, lembrando o hard rock dos anos 80. Interessante ver como a música é construída em cima de influências tão distantes. Uma excelente música que deveria estar sendo tocada diariamente em todas as rádios e novelas do país.
Elephant in The Room tem uma introdução grandiosa e com belas orquestrações. Um prato cheio para fãs de Avantasia. Imagino que deva ter sido tentador incluir um refrão mais próximo do metal melódico, mas, mais uma vez, o artista manteve a coerência.
A faixa Time traz um pouco de Red Hot Chili Peppers na introdução e discoteca no refrão. Tudo bem costurado para que não existam sustos ou sobressaltos.
A excelente A Girl I Know representa muito bem o estilo do CD. Um bom hard rock, sem excessos e com excelente refrão. As bandas insistem em não me consultar antes de fazer as coisas... Rs Nada contra a excelente faixa título, mas essa a melhor faixa do disco. Clipe dela pra ontem!
Uma questão que merece destaque é o inglês do vocalista, que é excelente, provavelmente fruto da turnês internacionais e trabalhos com bandas de fora. Alguns vocalistas simplesmente começam a cantar em inglês e esquecem que, para conquistar o mercado externo, a pronúncia é essencial. Não cometam esse erro!
A banda é competente e serve às músicas sem exageros. Os excelentes solos de guitarra são a prova disso. O da faixa Forbidden, por exemplo, demonstra nas suas últimas notas que foi feito por um guitarrista habilidoso e criativo, entretanto, não há excessos nem exageros. Tudo na medida para atender a música. E que fique claro: não tenho nada contra exageros e virtuosismos, mas, como já explicado, não é o objetivo desse trabalho.
Aliás, ficaria feliz em ver uma reportagem nas revistas especializada em guitarra sobre esse disco: quem são os dois guitarristas, o que escutam, o que usaram, etc. Realmente despertaram interesse pelo seu trabalho.
Talvez surjam algumas críticas em função de várias composições terem um pé no hard rock, podendo conviver com um pouco mais de distorção ou uma "pegada" mais forte. Bobagem! O artista é livre para explorar vários estilos, especialmente em um CD solo no qual quer mostrar um lado mais intimista.
O disco é independente e está disponível em várias lojas do ramo.
Parabéns para o compositor Gus Monsanto. Que venham mais CDs na mesma linha!
Mais informações:
http://www.gusmonsanto.com.br
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