Pink Floyd: entre busca de identidade e maturidade

Resenha - Meddle - Pink Floyd

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Por Elias Varella
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Entre as incertezas e a busca por uma nova identidade sem Syd Barrett e discos como "Atom Heart Mother" (o mal compreendido "disco da vaca") e a genialidade e maturidade do clássico absoluto "Dark Side Of The Moon", o Pink Floyd lança o sexto álbum de sua discografia, "Meddle" (1971), um trabalho transitório que levaria a banda a um caminho mais sólido e coeso, rumo ao estrondoso sucesso comercial que estaria por vir.

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O disco sempre foi muito bem cotado entre os admiradores do grupo, principalmente pela experimental e bem colocada "Echoes", uma obra-prima do rock progressivo, que em seus 23:27 mostra o entrosamento da banda em sua melhor fase, mas que acabou deixando as outras ótimas faixas do disco em sua sombra, de maneira que para muitos, "Meddle" é sinônimo de "Echoes", o que não é verdade.

A abertura do álbum se dá com "One Of These Days", calcada na psicodelia e experimentalismo que foram a marca registrada do Pink Floyd na fase Barrett. A faixa foi construída em cima da psicodélica linha de baixo criada por Roger Waters, contendo muitas experimentações sonoras à lá "prog" anos 60/70. A música ainda faz alusões à violência em sua letra composta por apenas uma frase: "One of these days, I'm going to cut you into little pieces" (um destes dias eu te corto em pedacinhos). A faixa foi resgatada pela banda na turnê do último álbum de estúdio "The Division Bell", e pode ser conferida uma excelente versão, mesmo sem Waters, no DVD "Pulse".

Em seguida, David Gilmour mostra que conquistou espaço na banda e assume os vocais na típica floydiana "A Pillow Of Winds", música lenta que é levada pelo violão, guitarra e a voz suave de Gilmour.

O disco segue com "Fearless", talvez a faixa descartável do disco, que não possui destaque algum, a não ser novamente pela voz de Gilmour e pelo grito da torcida do Liverpool "You'll Never Walk Alone" no final.

Uma das faixas mais injustiçadas do Pink Floyd vem em seguida. "San Tropez" é diferente de tudo que a banda já gravou. Composta por Waters, aqui ele canta diferente do seu famoso timbre sofrido, dando lugar a um tom mais alegre e sereno. A música possui um ritmo dançante, levado pelo violão de Gilmour e por Wright, que mostra que sua praia é mesmo o jazz num inspiradíssimo solo de piano no final. Tudo isso junto a uma levada de bateria bem simples e seca tem como resultado uma música agradável e de fácil digestão.

"Seamus" é considerada por muitos a "ovelha negra" do disco. Trata-se de um blues bem simples criado em cima de latidos de um cachorro. O resultado é bem interessante mostrando mais uma das loucuras que a banda fazia e criava em estúdio. O DVD "Live At Pompei" mostra a banda tocando e o cachorro latindo num microfone ao lado sendo segurado por Wright. Curioso, no mínimo.

O lado B da bolacha é inteiro ocupado pela supracitada e majestosa "Echoes", a música que toda banda de rock progressivo gostaria de ter composto.

É sem dúvidas a melhor faixa do disco e uma das melhores músicas da banda, que apesar de ser muito longa, podia ser facilmente executada ao vivo. Uma de suas melhores versões pode e DEVE ser conferida, também, no DVD "Live At Pompei", pois retrata toda energia e entrosamento de um time muito bem treinado, com muita qualidade e vontade de jogar.

A música foi criada a partir de diferentes sons elaborados por cada integrante da banda, que juntos e encaixados com a belíssima linha melódica criada por Gilmour e Wright a tornam memorável.

Ela se inicia com o famoso som criado por Wright no piano, interpretado por uns como sendo um sonar, e por outros, um pingo no oceano. A partir daí a música vai crescendo aos poucos: entra a guitarra com um solo delicado, o baixo, a bateria, os vocais harmonizados pelo guitarrista e pelo tecladista, até que tudo culmina no famoso trecho que remete à trilha sonora do "Fantasma Da Ópera". Uma mudança de andamento ocorre dando espaço a uma "jam" com influências de "reggae" e "blues" em que o órgão e a guitarra marcam presença. Tudo vai desaparecendo aos poucos e a música adquire uma atmosfera soturna e sombria, que poderia fazer parte da trilha sonora de um filme de terror. Gilmour faz a guitarra falar e gritar, criando uma sonoridade excepcional. Tudo volta quando a banda entra em cena aos poucos novamente até o retorno dos vocais. A música acaba lentamente dando a sensação de perfeição e coesão sonora.

Muito mais bem organizado e maduro que seu antecessor "Atom...", "Meddle" foi o primeiro passo rumo à sonoridade ímpar que o Pink Floyd criou nos seus grandes álbuns na década de 70: "DarkSide Of The Moon" (1973), "Wish You Were Here" (1975), "Animals" (1977) e "The Wall" (1979).

Clássico do Floyd e representante do que a música tem de melhor para oferecer!

Músicas:
1. One Of These Days (5:56)
2. A Pillow Of Winds (5:13)
3. Fearless (6:08)
4. San Tropez (3:43)
5. Seamus (2:15)
6. Echoes (23:27)

Músicos:
- David Gilmour - (guitarra, vocal)
- Nick Mason - (bateria)
- Roger Waters - (baixo, vocal)
- Richard Wright - (teclados, vocal)

Gravadoras:
LP - Harvest (1971)
CD - Capitol/EMI Records (1990).




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