Vendettas: Rock sem firulas com leve pitada punk a ser ouvido
Resenha - Vendettas - Vendettas
Por Igor Miranda
Fonte: IgorMiranda.com.br
Postado em 04 de setembro de 2014
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Entre os materiais que recebo de bandas independentes, consigo classificar e separar mentalmente os trabalhos de duas formas. Existem aqueles grupos que querem trazer algo novo, e aqueles que apenas desejam reafirmar algo que já foi criado. São duas propostas diferentes. Analiso dentro de cada campo para me certificar sobre a qualidade do que é proposto.
A Vendettas, antes de tudo, não quer reinventar a roda. Talvez seja pretensioso demais que a banda se rotule como "rock de calçada" - apesar de parecer uma brincadeira -, porque essas denominações que não existem, na verdade, são apenas tentativas de encontrar identidades específicas quando simplesmente não é necessário. Despretensioso, o grupo quer fazer rock n' roll com boas letras, refrães interessantes e foco nas guitarras. Serve?
Para mim, serve. Autointitulado, o primeiro disco do quarteto de Caxias do Sul (RS) é simplório e direto, como o rock n' roll deve ser. Como a faixa de abertura, por exemplo, é. "A culpa é do calor" dá início aos trabalhos com leves pitadas do punk rock da década de 1970, em especial na bateria. Riffs em acordes, baixo discreto, solo simples, voz rasgada e letra bem feita completam o resumo da ótima canção. A faixa seguinte, "Amigo", começa com um countrycore dançante, por incrível que pareça, que se estende pelos versos. A pitada southern da canção é aliada a um direto rock n' roll e uma melodia bem grudenta.
"Embriagado", um punk rock/rockabilly afável e elétrico, dá sequência sem perder o clima da anterior. É o tipo de som que, com certeza, funciona ao vivo, especialmente pelas boas trilhas de guitarra. "Fins de semana" tem boa composição e, novamente, ótimo trabalho nas seis cordas. Mas nessa faixa, um problema do grupo começa a se destacar: a limitação na criatividade na linha de bateria.
"Pare o trem" se aproveita de uma das progressões melódicas mais clichês da música popular como um todo para projetar um rock n' roll interessante, que cresce muito na ponte e no refrão. Cortesia da performance vocal do Bruno Meneguzzi. O solo também é ótimo. "Sinais amarelos", que tem um toque de pop rock contemporâneo, volta a destacar as guitarras de forma sensacional. É uma das melhores faixas, se não a melhor, do disco. Todo o instrumental trabalha muito bem.
"Tempestade" começa a anunciar o fim. Oitava entre dez faixas, a balada garante a aparição do violão em uma faixa radiofônica, de audição gostosa e boa letra. "Underground Rock Bar", pesada, tem uma veia punk rock interessante. Meio stoner, diria, especialmente pelo riff principal. Faixa acima da média. "Vamos ser famosos" termina o disco do jeito que ele começou: com rock n' roll na essência. Progressões distorcidas do blues dão a base para, novamente, mais uma composição lírica bem sacada e levemente canastrona. Ótimo encerramento.
O disco de estreia da Vendettas soa muito bem. A masterização, feita no Abbey Road Studios - aquele mesmo, o eterno - deu um tapa na produção, que já me parecia ser boa. Os timbres de todos os instrumentos estão ótimos. Para um primeiro álbum, o trabalho de estúdio deu uma pinta para lá de profissional. Um ponto me conquistou: são apenas dez faixas e 34 minutos de duração. Não acho que um disco precise ter muito mais do que isso.
Poucos aspectos me deixaram receosos com a Vendettas. Detalhes, ressalto. As músicas são ótimas, a banda é boa e a proposta está definida. Isso é o que mais importa. Vez ou outra, acho que o baixo poderia receber mais destaque e até liberdade para linhas mais soltas. A bateria poderia ser mais inventiva, para garantir maior dinamismo. O grupo também pode investir em faixas um pouco mais distintas dos clichês do rock n' roll, sempre válidos mas nem sempre autossuficientes. A já destacada "Sinais amarelos" é um exemplo diferenciado.
No mais, o álbum é um cartão de visitas de um quarteto talentoso, que deve atingir patamares de relevância no underground nacional se continuar com o trabalho muitíssimo bem feito. Quem sabe, até mais do que isso. Qualidade não falta.
Vendettas: "Vendettas" (2014)
Bruno Meneguzzi (vocal, guitarra)
Leandro Rios (guitarra)
Lucas Damasceno (baixo)
Claiton Lize (bateria)
01. A culpa é do calor
02. Amigo
03. Embriagado
04. Fins de semana
05. Inverno
06. Pare o trem
07. Sinais amarelos
08. Tempestade
09. Underground Rock bar
10. Vamos ser famosos
Facebook:
http://www.facebook.com/vendettasrock
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Tony Iommi recusou gravar último álbum com o Black Sabbath original
O momento que Duff McKagan considera um dos mais importantes da história do Guns N' Roses
Canal crava a tier list definitiva do Iron Maiden e joga um disco no fundo do poço
A canção que Renato Russo escreveu e a Legião Urbana preferiu esconder do público
A música do Judas Priest que tem um dos solos "mais gloriosos" do metal, segundo Rob Halford
Por que o último show do Sepultura mudou do Pacaembu para uma casa menor?
As dez melhores músicas de thrash lançadas entre 2000 e 2020, segundo a Metal Hammer
Metal Hammer e Classic Rock ranqueiam discografia do Metallica do pior ao melhor
"Não chego aos pés dele"; o guitarrista contemporâneo admirado por Jimmy Page
Os 3 artistas considerados "rock de tiozão" pelo baixista do Nirvana Krist Novoselic em 1992
Regis Tadeu explica por que o Slipknot deve agradecer de joelhos a Eloy Casagrande
A canção que Axl Rose gravou sob efeito de cogumelos e que deixou o Guns N' Roses furioso
Brian May diz que ele e Tony Iommi estão no novo álbum do Capitão Kirk
Show de drones em Manchester indica nova turnê do Oasis em 2027
A canção do começo dos anos 70 que para Keith Richards resume o que é rock'n'roll de verdade
Tarja Turunen diz que somente um músico do Nightwish lhe pediu desculpas
Musical Box: Os 20 discos seminais do Hard Rock
Como foi a luta contra compulsão sexual que Renato Russo enfrentou, segundo o próprio

Relevante como nunca, Totalitär retorna após vinte anos com EP furioso
Herman Frank - O motor barulhento, rápido e construído para rodar
Entre nostalgia, legado e recomeços, Beseech apresenta seu 7º álbum de estúdio
Veterano Sacrifice mostra que continua afiado como nunca no ótimo "Volume Six"
O álbum pesado e melancólico do Soilwork que ajudou a salvar a minha vida
Metallica: And Justice For All é um álbum injustiçado?



