Vendettas: Rock sem firulas com leve pitada punk a ser ouvido
Resenha - Vendettas - Vendettas
Por Igor Miranda
Fonte: IgorMiranda.com.br
Postado em 04 de setembro de 2014
Nota: 8 ![]()
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Entre os materiais que recebo de bandas independentes, consigo classificar e separar mentalmente os trabalhos de duas formas. Existem aqueles grupos que querem trazer algo novo, e aqueles que apenas desejam reafirmar algo que já foi criado. São duas propostas diferentes. Analiso dentro de cada campo para me certificar sobre a qualidade do que é proposto.
A Vendettas, antes de tudo, não quer reinventar a roda. Talvez seja pretensioso demais que a banda se rotule como "rock de calçada" - apesar de parecer uma brincadeira -, porque essas denominações que não existem, na verdade, são apenas tentativas de encontrar identidades específicas quando simplesmente não é necessário. Despretensioso, o grupo quer fazer rock n' roll com boas letras, refrães interessantes e foco nas guitarras. Serve?
Para mim, serve. Autointitulado, o primeiro disco do quarteto de Caxias do Sul (RS) é simplório e direto, como o rock n' roll deve ser. Como a faixa de abertura, por exemplo, é. "A culpa é do calor" dá início aos trabalhos com leves pitadas do punk rock da década de 1970, em especial na bateria. Riffs em acordes, baixo discreto, solo simples, voz rasgada e letra bem feita completam o resumo da ótima canção. A faixa seguinte, "Amigo", começa com um countrycore dançante, por incrível que pareça, que se estende pelos versos. A pitada southern da canção é aliada a um direto rock n' roll e uma melodia bem grudenta.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
"Embriagado", um punk rock/rockabilly afável e elétrico, dá sequência sem perder o clima da anterior. É o tipo de som que, com certeza, funciona ao vivo, especialmente pelas boas trilhas de guitarra. "Fins de semana" tem boa composição e, novamente, ótimo trabalho nas seis cordas. Mas nessa faixa, um problema do grupo começa a se destacar: a limitação na criatividade na linha de bateria.
"Pare o trem" se aproveita de uma das progressões melódicas mais clichês da música popular como um todo para projetar um rock n' roll interessante, que cresce muito na ponte e no refrão. Cortesia da performance vocal do Bruno Meneguzzi. O solo também é ótimo. "Sinais amarelos", que tem um toque de pop rock contemporâneo, volta a destacar as guitarras de forma sensacional. É uma das melhores faixas, se não a melhor, do disco. Todo o instrumental trabalha muito bem.
"Tempestade" começa a anunciar o fim. Oitava entre dez faixas, a balada garante a aparição do violão em uma faixa radiofônica, de audição gostosa e boa letra. "Underground Rock Bar", pesada, tem uma veia punk rock interessante. Meio stoner, diria, especialmente pelo riff principal. Faixa acima da média. "Vamos ser famosos" termina o disco do jeito que ele começou: com rock n' roll na essência. Progressões distorcidas do blues dão a base para, novamente, mais uma composição lírica bem sacada e levemente canastrona. Ótimo encerramento.
O disco de estreia da Vendettas soa muito bem. A masterização, feita no Abbey Road Studios - aquele mesmo, o eterno - deu um tapa na produção, que já me parecia ser boa. Os timbres de todos os instrumentos estão ótimos. Para um primeiro álbum, o trabalho de estúdio deu uma pinta para lá de profissional. Um ponto me conquistou: são apenas dez faixas e 34 minutos de duração. Não acho que um disco precise ter muito mais do que isso.
Poucos aspectos me deixaram receosos com a Vendettas. Detalhes, ressalto. As músicas são ótimas, a banda é boa e a proposta está definida. Isso é o que mais importa. Vez ou outra, acho que o baixo poderia receber mais destaque e até liberdade para linhas mais soltas. A bateria poderia ser mais inventiva, para garantir maior dinamismo. O grupo também pode investir em faixas um pouco mais distintas dos clichês do rock n' roll, sempre válidos mas nem sempre autossuficientes. A já destacada "Sinais amarelos" é um exemplo diferenciado.
No mais, o álbum é um cartão de visitas de um quarteto talentoso, que deve atingir patamares de relevância no underground nacional se continuar com o trabalho muitíssimo bem feito. Quem sabe, até mais do que isso. Qualidade não falta.
Vendettas: "Vendettas" (2014)
Bruno Meneguzzi (vocal, guitarra)
Leandro Rios (guitarra)
Lucas Damasceno (baixo)
Claiton Lize (bateria)
01. A culpa é do calor
02. Amigo
03. Embriagado
04. Fins de semana
05. Inverno
06. Pare o trem
07. Sinais amarelos
08. Tempestade
09. Underground Rock bar
10. Vamos ser famosos
Facebook:
http://www.facebook.com/vendettasrock
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