Avalon: Projeto aprende com erros mas ainda tem o que melhorar
Resenha - Angels of the Apocalypse - Avalon
Por Victor de Andrade Lopes
Fonte: Sinfonia de Ideias
Postado em 20 de maio de 2014
Nota: 7 ![]()
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Menos de um ano depois de lançar o primeiro álbum de seu novo projeto, a metal opera Avalon, o guitarrista finlandês Timo Tolkki (ex-Stratovarius, ex-Revolution Renaissence, ex-Symfonia) já estava na Grécia para buscar inspiração para o sucessor de The Land of New Hope, primeiro disco do que será uma trilogia. A viagem deve ter surtido efeito, pois aquilo que havia dado errado no trabalho anterior foi corrigido aqui, resultando em um álbum melhor e mais relevante. Mas ainda há uns pontos a acertar.
O time instrumental é bastante econômico e consiste em uma espécie de reunião do Stratovarius pré-Jens Johansson e Jörg Michael: Tuomo Lassila e Antti Ikonen, respectivamente o baterista e o tecladista que ficaram na banda até o Fourth Dimension (1995), finalmente voltam a trabalhar com Timo, que assume também o baixo e um pouco dos teclados.
Para os vocais, foram convidados sete talentos (um a mais que o álbum anterior): David DeFeis (Virgin Steele), Floor Jansen (Nightwish, ReVamp), Fabio Lione (Rhapsody of Fire, Angra), Caterina Nix, Elize Ryd (Amaranthe), Simone Simons (Epica) e Zachary Stevens (ex-Savatage, Circle II Circle). Destes, apenas Elize Ryd já havia cantado na primeira parte da trilogia.
O resultado? Um álbum mais inspirado, mais pesado e mais marcante. Vale lembrar que o disco anterior trouxe vários convidados com talento demais e espaço de menos. Além disso, os riffs e solos de Timo pareciam sem sal. Aqui, o finlandês mostra um pouco mais de criatividade.
Da épica "Jerusalem is Falling", precedida pela breve abertura a cappella "Song for Eden", até o sereno encerramento instrumental "Garden of Eden", com teclados à la Tuomas Holopainen, Angels of the Apocalypse vai apresentando uma faixa mais sombria e pesada que a outra - tudo dentro das intenções de Timo, que havia prometido um trabalho mais puxado para esse lado que o antecessor. Pudera, estamos na parte da saga em que a Terra é destruída. Lembrando que a trilogia está sendo lançada "de trás para frente", ou seja, o primeiro álbum conta a última parte da história, na qual os personagens partem em busca de um novo lar.
Essa mudança de clima veio na forma de riffs graves, vocais agressivos ou melancólicos, letras apocalípticas e todo um clima criado com ajuda das orquestrações de Nicolas Jeudy. E o fã perceberá isso, seja nas faixas rápidas "The Paradise Lost" e "Stargate Atlantis" (ainda que nenhuma chegue perto de "To the Edge of the World", do álbum anterior), nas épicas e grandiosas "Jerusalem is Falling" e a longa faixa-título, nas baladas "You'll Bleed Forever" e "High Above Me" (ponto alto das vocalistas femininas), ou nos casos mais específicos: "Neon Sirens", com a participação de Zachary e um clima de heavy metal tradicional; ou "Rise of the 4th Reich", com rasgadíssimos, quase escarrados vocais de David ousadamente divididos por um trecho do discurso que George W. Bush, então presidente dos Estados Unidos, proferiu após os atentados de 11 de setembro.
Perfeito, contudo, este disco está longe de ser. Os riffs e solos de guitarra estão melhores, mas ainda não chegam perto do que era Timo à frente do Stratovarius. Tuomo fez um trabalho acima das expectativas para alguém com uma carreira inconstante no metal, mas Antti acabou ficando com um papel secundário, considerando que não foi ele o orquestrador no disco. Quanto aos vocalistas, cada um ganhou espaço justo, com cinco dos sete cantando ao menos uma faixa inteira sozinhos. As exceções são Elyze, que teve espaço de sobra em The Land of New Hope, e Caterina, que apenas fez backing vocais em "Stargate Atlantis".
Uma pergunta fica no ar ao se terminar uma audição de Angels of the Apocalypse: que fim levou aquele concurso que Timo promoveria para selecionar guitarristas e tecladistas para solar com ele em uma das faixas? Parece ter sido abandonado, uma vez que, aparentemente, ninguém além de Timo sola no disco. Nada muito surpreendente para quem já é conhecido por mudar de ideia bruscamente. Além disso, estranhamente, já faz mais de um mês que ele não atualiza sua página oficial no Facebook, tampouco a página do Avalon. É justamente às vésperas do lançamento de um novo trabalho que os músicos mais se ocupam em usar suas redes sociais, em nome do marketing.
Angels of the Apocalypse é melhor que seu antecessor, não traz os mesmos erros, mas ainda falta algo. Falta um script mais acertado (com só uma das dez faixas com vocais trazendo mais de um vocalista cantando, o álbum é uma sucessão de monólogos). Faltam mais instrumentistas convidados, para dar charme às faixas. Falta uma produção que destaque melhor a guitarra do criador deste projeto. Até o momento, o Avalon é só mais uma metal opera, facilmente ofuscável pelos Avantasias e Ayreons da vida.
Abaixo, o vídeo de "Design the Century":
Track-list:
1. "Song for Eden"
2. "Jerusalem is Falling"
3. "Design the Century"
4. "Rise of the 4th Reich"
5. "Stargate Atlantis"
6. "You'll Bleed Forever"
7. "The Paradise Lost"
8. "Neon Sirens"
9. "High Above Me"
10. "Angels of the Apocalypse"
11. "Garden of Eden"
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