Aerosmith: novo álbum traz mais de um terço de baladas

Resenha - Music From Another Dimension! - Aerosmith

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Por Igor Miranda, Fonte: Van do Halen
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A espera foi incessante e turbulenta. A existência do Aerosmith chegou a ser ameaçada entre hiatos, brigas e promessas de substituição do vocalista Steven Tyler. Mas todos os problemas foram ultrapassados e Music From Another Dimension!, 15° trabalho de estúdio do Aerosmith, está pronto. Trata-se do primeiro álbum lançado desde Honkin’ On Bobo, de 2004, e o primeiro de material exclusivamente inédito desde Just Push Play, de 2001.
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Apesar do nome de música de Rap, “Luv XXX” abre com um digno Hard Rock ao estilo Aerosmith, lembrando bons momentos da banda em Pump e Get A Grip, lançados respectivamente em 1989 e 1993. Bons riffs, cozinha arroz-com-feijão, refrão repetido diversas vezes, vozes harmonizadas e o brilho individual de Joe Perry e Steven Tyler regem a canção. “Oh Yeah” segue a proposta da anterior, mas com vocalizações femininas de fundo, o que dá um toque Soul à música, além do leve swing presente no instrumental. Tyler se mostra mais comedido e a construção instrumental é pra lá de repetitiva, mas deve agradar os mais puristas. Vale ressaltar que, nessas duas músicas, Perry se destaca como solista mais do que nos últimos cinco lançamentos da banda.

“Beautiful” é comandada por um riff esquisito e a música explora escalas que soam até dissonantes em alguns momentos. Apesar deste incômodo e do seu andamento que flerta com o Hip Hop, a voz de Steven brilha. A rouquidão, proporcionada pela idade, deixou a sua voz mais atrativa. Joey Kramer também aparece legal aqui, com uma rítmica interessante em sua batida. A música é mediana, mas seria pior sem esses destaques particulares. Na sequência temos “Tell Me”, a primeira balada. Açucarada ao estilo Aerosmith, com boa apresentação de Tyler, melodia interessante, atmosfera melancólica e refrão grudento.

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Os quase sete minutos da “Out Go The Lights” espantam, mas trata-se de uma das músicas mais roqueiras e divertidas do álbum. Os riffs estão matadores e a banda, como um conjunto, soa bem completa. Seu andamento lembra a clássica “Love In An Elevator”. Só considerei desnecessário os vocais femininos serem utilizados novamente – aliás, o Aerosmith sempre tem essa necessidade de trazer gente de fora, até quando não se faz necessário. “Legendary Child”, primeiro single e conhecida pela maioria, dá sequência. Música sucinta, direta e bem ao estilo Aerosmith, apostando em boas linhas de guitarra e dobras vocais de impacto. “What Could Have Been Love”, balada, também virou single logo de cara e segue a fórmula adocicada do grupo: andamentos melódicos de impacto, ênfase nas vozes e aquele tipo de refrão que gruda na cabeça por semanas.

“Street Jesus” é a mais setentista até aqui. Ao meu ver, é o grande destaque do álbum. Seu riff inicial foi aproveitado de uma música da carreira solo de Joe Perry (“Mercy”), mas há de se perdoar, pois trata-se de uma canção genial. A linha de bateria sai do básico, as guitarras brilham e Steven Tyler se mostra inteiro, mesmo já sendo um senhor de 64 anos. “Can’t Stop Lovin’ You” traz o dueto com Carrie Underwood. Como esperado, uma faixa radiofônica, bem Pop Rock. “Lover Alot” coloca o pé no acelerador depois do momento “baladesco”. Aqui, a ênfase é na cozinha entrosada de Joey Kramer e Tom Hamilton.

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Music From Another Dimension! termina de forma pragmática e sem muitas surpresas. “We All Fall Down” chega e deixa aquele sentimento de: “caramba, outra balada?”. Ao menos, a proposta guitarra/baixo/bateria é deixada de lado e o instrumental é guiado pelo piano, com direito a orquestrações de fundo. “Freedom Fighter”, um rock blueseiro vindo diretamente dos anos 1970, traz Joe Perry nos vocais principais – e como vocalista, ele é um grande guitarrista. “Closer” é… outra balada. “Something” volta a ter Perry no microfone e também tem a aura setentista, bluesy e bastante cadenciada. O álbum se encerra com… outra balada. “Another Last Goodbye” tem show de Steven Tyler, que prova novamente ser uma das grandes vozes do Rock. Mas, a essa altura, é impossível ter disposição pra balada.

Music From Another Dimension! erra a mão nas baladas. São seis em quinze, tomando mais de um terço do trabalho. Não sei o que motiva isso, pois os fãs não querem isso, não teria como lançar tanto single do mesmo disco (ainda mais em tempos de Internet) e duvido que o Aerosmith esteja realmente precisando de espaço em rádios para aumentar suas vendas.

Apesar disso, os momentos mais roqueiros apresentam consistência e revivem os bons tempos do Aerosmith que, ao meu ver, duraram até Get A Grip, de 1993. Destaco, também, que toda a banda se apresenta muito bem, todavia esse registro comprova a eficiência de Steven Tyler – grande showman, excelente vocalista, compositor eficiente e multi instrumentista de destaque. Pode parecer óbvio para todos nós, nem tanto para Joe Perry, mas Aerosmith não existe sem Tyler. Se este trabalho tivesse doze faixas e apenas três baladas, a minha nota seria 9.

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Steven Tyler (vocal, gaita em 5, piano em 11, bateria em 14, mandolin em 4)
Tom Hamilton (baixo)
Joey Kramer (bateria)
Joe Perry (guitarra, vocal em 12 e 14)
Brad Whitford (guitarra, violão em 4)

Músicos adicionais:
Russ Irwin (teclados)
Julian Lennon (backing vocals em 1)
Lauren Alaina (backing vocals em 2)
Mia Tyler (backing vocals em 3)
Carrie Underwood (vocal em 9)
Johnny Depp (backing vocals em 12)

01. LUV XXX
02. Oh Yeah
03. Beautiful
04. Tell Me
05. Out Go The Lights
06. Legendary Child
07. What Could Have Been Love
08. Street Jesus
09. Can’t Stop Loving You (feat. Carrie Underwood)
10. Lover Alot
11. We All Fall Down
12. Freedom Fighter
13. Closer
14. Something
15. Another Last Goodbye

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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e apaixonado por rock há mais de uma década. Começou a escrever sobre música em 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Atualmente, é redator-chefe da área editorial do site Cifras e mantém um site próprio (www.IgorMiranda.com.br). Também co-fundou o site Van do Halen, para o qual trabalhou até 2013 – apesar de ainda manter por lá uma coluna semanal, chamada Cabeçote.

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