Aerosmith: uma bolacha que dá para chamar de mediana

Resenha - Music From Another Dimension! - Aerosmith

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Por Thiago El Cid Cardim
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2012. O ano em que nada menos do que três verdadeiras instituições do hard rock norte-americano oferecem aos fãs seus novos discos de estúdios, todos muitíssimo aguardados. O Van Halen nos entregou o excelente “A Different Kind of Truth”, um dos melhores lançamentos roqueiros do ano. Viva! O Kiss apareceu com “Monster”, bem-vinda e divertida continuação de “Sonic Boom” (2009). A empolgação só aumenta! E eis que então vem o Aerosmith com “Music From Another Dimension!”. E nos apresenta uma bolacha que só dá para chamar, no máximo, de mediana. E a onda se transforma em uma frustrante marolinha.
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Repleto de altos e baixos, “Music From Another Dimension!”, seu primeiro disco de inéditas em 11 anos (vamos lembrar que “Honkin’ on Bobo”, de 2004, é uma compilação de covers blueseiros), é um reflexo nítido de quem o Aerosmith é hoje. Estamos falando de uma banda que, desde o platinado “Get a Grip” (1993), praticamente se reinventou para uma nova geração MTV ao agregar elementos mais pop em sua sonoridade, e o vêm fazendo recorrentemente desde então, atraindo dezenas de menininhas aos gritos para as suas apresentações. Vejam, de maneira nenhuma este é algum tipo de julgamento de valor, longe disso. Influências pop podem ser de grande valia nas mãos de um compositor talentoso. Mas o grande problema é que, salvo algumas raras exceções, discos mais recentes do Aerosmith como “Nine Lives” (1997) e, principalmente, o fraquíssimo “Just Push Play” (2001), optam por uma coleção de hits pop sem inspiração, óbvios e ululantes. E, sinto dizer, mas “Music From Another Dimension!” está muitíssimo mais próximo de “Just Push Play” do que de “Rocks” (1976) ou de “Toys in The Attic” (1975), conforme os fanáticos das antigas tanto sonhavam.

Vejam, por exemplo, o caso das baladas. Ao todo, elas são praticamente seis dentre 15 faixas – e nenhuma delas é particularmente inspirada, é preciso dizer. São todas frouxas, sem graça, sem muito tesão. O dueto de Steven Tyler com a cantora country Carrie Underwood em “Can’t Stop Loving You” simplesmente não cola, os dois parecem não combinar em nada. Chega até a ser um tantinho vergonhoso, confesso, parece uma parceria forçada aos 45 do segundo tempo. Formulaica, a power ballad “Beautiful” parece ter sido costurada na medida certa para ganhar um videoclipe à moda “Crazy”, com Alicia Silverstone e Liv Tyler no elenco e tudo mais. E “Another Last Goodbye”, que encerra o disco, chega a beirar o insuportável de tão, mas tão chata.

Nem tudo são críticas, pois o bocudo Tyler e sua turma acertam em alguns pontos – é o caso, por exemplo, do single “Legendary Child”, que tem um provocativo gosto setentista que acabou mexendo com os brios dos fãs mais antigos. Ou mesmo da ótima “Out Go The Lights”, com uma levada cheia de groove, com direito até a suas backing vocals um tanto black, dialogando acertadamente com o soul do mestre James Brown. E o trabalho de guitarras envolvente de Joe Perry em “Street Jesus” chega realmente a empolgar. Mas o lance é que o disco não consegue passar muito disso: três boas canções. É pouco, muito pouco.

Não importa que Julian Lennon faça backing vocals na faixa de abertura, “Luv XXX”. Não importa que Perry assuma os vocais em “Something” (na qual, curiosamente, Tyler resolve atacar de baterista) e em “Freedom Figher” (que tem ainda os backing vocals do ator Johnny Depp). Sinceramente, nada disso é argumento o suficiente para atrair a atenção do pobre ouvinte.

“Music From Another Dimension!” está longe, mas muito longe, de ser o que o nome de fato promete – é, no máximo, música desta dimensão mesmo, e de uma região das menos inspiradas. O álbum resultante do retorno da banda depois da quase saída de seu frontman merecia muito mais força, muito mais punch. Morno, praticamente sem graça, torna-se apenas a sombra do que uma grande banda realmente pode fazer. E já provou, em outras ocasiões, que consegue. Quem sabe na próxima.

Line-up:
Steven Tyler – Vocais
Joe Perry – Guitarra
Brad Whitford – Guitarra
Tom Hamilton – Baixo
Joey Kramer – Bateria

Tracklist:
1. LUV XXX
2. Oh Yeah
3. Beautiful
4. Tell Me
5. Out Go the Lights
6. Legendary Child
7. What Could Have Been Love
8. Street Jesus
9. Can't Stop Loving You
10. Lover Alot
11. We All Fall Down
12. Freedom Fighter
13. Closer
14. Something
15. Another Last Goodbye

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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