Ecliptyka: Muito bom debut da banda do interior de SP
Resenha - A Tale of Decadence - Ecliptyka
Por Júlio André Gutheil
Postado em 18 de junho de 2011
Temos aí uma nova promessa do metal brasileiro. Recebi um e-mail a alguns dias com material de divulgação do Ecliptyka (de Jundiaí, interior de São Paulo) e fiquei interessado pelo que li. E além disso, já tinha ouvido bons comentários a respeito da banda pela abertura do show da Tarja Turunen em São Paulo recentemente.

Muito bem, fui atrás do debut, este "A Tale of Decadence", e de fato fiquei bastante impresionado com que ouvi nas treze faixas que compõe o track list do disco. A banda consegue com muita naturalidade unir diversas influências do heavy metal, mais latentemente gigantes como Nightwish e Epica, mas sem em momento nenhum soar uma cópia do som das bandas europeias. Tem uma sonoridade moderna, bem pensada, original e inspirada.
A abertura fica a cargo da intro 'The Age of Decadence', que é uma base de piano, que aos poucos cresce com ligeiras passagens sinfônicas. Cria um clima legal, que carrega o ouvinte para dentro do disco. Em seguida já chega a pesada 'We are the Same', que logo de cara mostra uma faceta de death melódico sueco, com os guturais de Guilherme Bollini muito bem exectuados, e a interpretação solta e talentosa de Helena Martins. Muito boa faixa que logo causa boa impressão.
A audição prossegue com 'Splendid Cradle' (boa sacada esse título). Tem ótimos riffs, atuação marcante de Tiago Catalá na bateria e mostra que Guilherme tem versatilidade vocal, mandando muito bem também na interpretação limpa. Grande faixa! Logo após vem 'Fight Back', mais um petardo, esbanjado peso e raiva, mas que fica muito bem balanceada com a interpretação de Helena, que é de força e energia, mas sem perder uma interessante leveza.
'Dead Eyes' começa misteriosa, com batidas fortes na bateria. Logo se juntam mais riffs muito bons, linhas de baixo coesas e precisas, criando outra bela canção pesada. Tem um andamento legal, bastante agitada, e o vocal mais cadenciado de Helena dá um ar que remete a algumas canções do Epica, mas sendo completamente original e de atitutude. 'Echoes from War' é um interlúdio que eu achei um pouco desnecessário, que poderia ser deixado de lado para que o audição fluísse melhor. Mas enfim, soa interessante ao menos.
E mais uma pedrada! Desta feita temos 'Hate', que é logo arrasadora, violenta e empolgante. O vocal de Helena agora pende um pouco para o lírico, mas sem exageros, e mesclados com os guturais fica um resultado excelente. A seguinte é 'Why Should They Pay?', esta mais melódica, de riffs certeiros e bem construídos, gutural saliente e importante, também agitada e com bastante vigor. Ótima faixa, acredito que daria um bom single com vídeo clipe.
Intensidade e força são os melhores adjetivos para 'Look at Yourself'. Guitarras distorcidas, solos inspirados, bateria enraivecida e vocais que esbanjam vitalidade e energia. Nos shows com certeza deve agitar e muito o público! E logo depois temos um tempo para retomar o fôlego, já que 'I've Had Everithing' é mais mansa, com um jeito de balada, mas sem ser exatamente uma. Junta peso com feeling, criando uma música elegante e bonita. Belo acerto!
Depois da calmaria vem a tempestade: 'Unnatural Evolution' é um tiro curto de pura pancadaria sonora. É mais uma de clara influência de melodeath sueco, mas que tem uma identidade única.
Mas agora sim uma balada de verdade, 'Eyes Closed' é quase acústica, de puro feeling e beleza, e Helena mandando muito bem. Lindíssima música. E o disco termina com uma muito legal homenagem ao nosso país. Trata-se da versão em português para 'Splendid Cradle', 'Berço Esplêndido'. Ficou realmente muito legal, com uma letra positivista que não soa estranha por estar em nosso idiona materno. Encerramento em grande estilo!
É um debut de respeito. "A Tale of Decadence" mostra uma banda coesa, com personalidade e que sabe muito bem aonde quer ir. Os músicos são muito talentosos e podem se tornar ainda melhores com o tempo e com a estrada, tendo tudo para entrar de vez no hall das maiores bandas brasileiras. Aliás, uso as palavras que constavam naquele e-mail: "uma banda que mostra o padrão brasileiro de qualidade".
Realmente o Brasil consegue criar sempre bandas de alto nível e de grande qualidade, o Ecliptyka é só mais um exemplo disso.
O Ecliptyca é:
Helena Martins – Vocais
Guilherme Bollini – Guitarra e vocais
Helio Valisc – Guitarra
Eric Zambonini – Baixo
Tiago Catalá – Bateria
Track List
1. The Age of Decadence (01:38)
2. We Are The Same (04:22)
3. Splendid Cradle (04:59)
4. Fight Back (05:43)
5. Dead Eyes (05:42)
6. Echoes From War (01:13)
7. Hate (03:52 )
8. Why Should They Pay? (04:29)
9. Look at Yourself (04:09)
10. I’ve Had Everything (04:46)
11. Unnatural Evolution (02:52)
12. Eyes Closed (04:45)
13. Berço Esplêndido (05:02)
Myspace:
http://www.myspace.com/ecliptyka
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