Axel Rudi Pell: orgulho em não inovar?
Resenha - Mystica - Axel Rudi Pell
Por Rodrigo Simas
Postado em 26 de março de 2007
Existem algumas bandas que você compra o CD já sabendo o que vai encontrar. Existem algumas que, além disso, não buscam nenhum tipo de inovação e sentem orgulho por fazer o mesmo disco infinitas vezes. Algumas conseguem um resultado excelente, algumas caem em clichês óbvios e outras são apenas cópias sem graça de seus ídolos.
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Axel Rudi Pell une um pouco de cada uma dessas características. "Mystica", lançado em 2006, traz tudo que um fã do guitarrista quer, até porque é exatamente igual a todos últimos lançamentos de estúdio da banda (sem contar com os álbuns "Ballads"): muitos solos, melodias neo-clássicas, um misto entre heavy-metal e hard rock com influências óbvias de Rainbow e Deep Purple (Ritchie Blackmore), refrões grudentos e nenhum tipo de surpresa durante toda audição do CD.
O engraçado (ou não) de tudo isso, é que até os mínimos detalhes são repetidos: a ordem das músicas segue um padrão (com a primeira sendo rápida, a segunda meio hard rock e lá pela segunda metade do CD, uma faixa épica, que também se parece com todas as outras faixas épicas lançadas anteriormente), você sabe (mesmo sem nunca ter ouvido) quando vai ouvir um solo, o refrão ou mesmo como a bateria vai entrar na próxima música.
De resto, o vocalista Johnny Giolli cumpre bem seu papel, conseguindo encaixar sua voz tanto nas músicas mais pesadas como nas baladas, o baterista Mike Terrana se enquadra no estilo, criando linhas que não chamam tanta atenção e não atrapalham o resto dos instrumentos, limitando-se apenas a acompanhar as músicas, e o tecladista Ferdy Doernberg e o baixista Volker Krawczak tem uma performance tímida, praticamente sem aparecer durante todas as faixas.
Clichês à parte, Axel consegue um resultado que dificilmente vai desagradar por completo qualquer fã de rock ou metal, mas provavelmente vai passar batido para os mais exigentes ou vai enjoa-los na segunda vez que for ouvido. Mas, se você é daqueles fãs que gostam de ter a sensação de já ter ouvido aquela música antes, sem surpresas, com tudo no seu devido lugar, "Mystica" é um prato cheio.
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