Axel Rudi Pell: hard maduro, evoluído e moderno
Resenha - Mystica - Axel Rudi Pell
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 05 de julho de 2007
Nota: 10 ![]()
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Fãs mais detalhistas, por favor segurem as tochas e as foices: sei muito bem que este "Mystica" foi na verdade lançado em 2006. Mas como só tive acesso à bolacha recentemente, o meu comentário acaba sendo perfeitamente cabível - o mais novo disco do projeto solo do alemão Axel Rudi Pell foi uma das melhores coisas que ouvi este ano, andando de mãos dadas na minha lista de "best of 2007" com "United Abominations", do Megadeth.
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Sem sacanagem, é daqueles CDs que já na primeira faixa ("Fly To The Moon", incrível), à primeira audição, te fazem pensar "Uau". Aliás, perdão aos puristas, mas eu não pensei em "Uau". Mas sim em "Caralho! Que música boa do cacete!". É tanta energia e personalidade que a faixa te pega pelas bolas e dá uma bela sacudida, fazendo você chacoalhar a cabeça enquanto entoa automaticamente o refrão, de maneira irresistível.
A reação foi ainda mais surpreendente para a minha pessoa porque, salvo raras exceções, não costumo gostar de álbuns de guitarristas. Os amigos mais próximos sabem que a virtuose quase masturbatória de um Yngwie Malmsteen, por exemplo, funciona como sonífero para mim. Mas não foi, em hipótese nenhuma, o caso desta obra. Já conhecia um pouco do trabalho de Pell, mas não aprofundadamente o suficiente para me apaixonar desta forma tão ampla por sua sonoridade.
"Mystica" é hard rock maduro, evoluído, interessante e moderno, mas que não nega em nenhum momento suas origens, em especial nos ecos pesados de Deep Purple e Rainbow. "Rock The Nation" tem todo o potencial para tornar-se hino de um Dio da vida, por exemplo. Impossível não sair cantando, ainda mais no meio de uma galera de centenas de pessoas: "We are the wild creation / And we will rock this town / We gonna rock the nation / So shout it out loud".
Pell tem um talento que dispensa comentários, mas o mais interessante é perceber que aqui, mais até do que em qualquer outro material prévio que eu tenha ouvido, o sujeito está bem comedido nos seus solos. Eles estão lá, é claro, e aos montes. E as canções são suficientemente longas para abrigá-los. Mas todos funcionam de maneira tão integrada ao conjunto geral que, em nenhum momento, soam como manifestações gratuitas de "olha só como eu sou um músico exímio que consegue tirar X notas por segundo enquanto você fica aí babando". O espaço para o guitarrista esbanjar sua perícia está na épica, cadenciada e metálica "Mystica", na suíte instrumental "Haunted Castle" e na longa faixa de encerramento, "The Curse of The Damned", que tem direito a um interessante duelo de guitarra x teclado.
Mas apesar de ser líder da banda e dar nome ao projeto, Pell não é o único destaque da formação. Na bateria está o poderoso Mike Terrana, daquele tipo de instrumentista incontestável, um dos meus bateristas favoritos dentro do universo heavy/hard – e que aqui mostra o valor costumeiro. E nos vocais estrela um surpreendente Johnny Gioeli, vozeirão limpo e intenso da escola do Roy Khan (Kamelot), que entrega interpretações apaixonadas e verdadeiras com toda a alma e coração sem precisar recorrer a agudos finíssimos. Do jeito que pede uma boa banda de hard rock. Basta ouvir a sua performance na power ballad "No Chance To Live", ou toda a raiva rasgada e incontida que ele libera em "Living a Lie", um chute no estômago na forma de alguém abrindo o coração e cortando os laços de uma relação venenosa. Ideal e recomendadíssima para todos os que já tiveram um relacionamento que não deu certo e querem exorcizar seus demônios.
O que mais eu posso dizer que não soe repetitivo?
Ouça "Mystica". Imediatamente. Você merece.
Line-up:
Johnny Gioeli – Vocal
Axel Rudi Pell – Guitarra
Volker Krawczak – Baixo
Mike Terrana – Baterista
Ferdy Doernberg – Teclado
Tracklist:
1. The Mysterious Return (Intro)
2. Fly to the Moon
3. Rock the Nation
4. Valley of Sin
5. Living a Lie
6. No Chance to Live
7. Mystica
8. Haunted Castle Serenade
9. Losing the Game
10. The Curse of the Damned
Gravadora:
Hellion Records
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