Resenha - Threshold - Hammerfall
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 19 de dezembro de 2006
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
A minha relação com a sonoridade dos suecos do Hammerfall sempre foi muito semelhante ao que me acontecia ao ouvir o Primal Fear e o Kamelot até dois, três anos atrás. Se tratavam de bandas que tinham tudo para cair de imediato no meu gosto pessoal mas que, até então, não tinham me chamado tanta atenção assim. Eu sentia que faltava algo, apesar de achar... digamos... "bacaninha". Médio. No entanto, os dois últimos me surpreenderam muito positivamente com os recentes (e respectivos) "Seven Seals" e "The Black Halo", que me abriram os olhos e ouvidos e mostraram possibilidades que, até então, não tinha detectado nos dois grupos. O mesmo não tinha acontecido ainda com o Hammerfall - cuja discografia eu já conhecia de longa data. Ao ouvir "Chapter V: Unbent, Unbowed, Unbroken", por exemplo, tive a mesmíssima sensação anterior: tratava-se de uma banda boa. Isso era indiscutível. Mas ainda faltava muito para que me cativassem o suficiente a ponto de me tornarem fã do grupo. Tudo soava parecido demais, repetições de trabalhos prévios. E então veio..."Threshold". E o enorme martelo bateu na minha cabeça sem dó e nem piedade.

Na verdade, a curiosidade já tinha tomado conta de mim quando assisti ao clipe do single "Natural High" e tive uma iluminação. "Caraca. Que música boa. Há muito tempo não ouvia nada do Hammerfall que me empolgasse deste jeito. Preciso ouvir o disco". Quando "Threshold", incensado por parte da crítica especializada como uma "obra-prima metálica", caiu nas minhas mãos e começou a tocar, a faixa-título que abre o álbum já foi mostra suficiente do que eu veria pela frente: uma banda com muito mais pegada, as guitarras de Oscar Dronjak e Stefan Elmgren muito mais encorpadas e a visível inclusão daquela vontade que eu não sentia nos trabalhos anteriores do quinteto. Algo que Austin Powers chamaria de... mojo.
Embora sejam egressos da Suécia, a terra gelada que deu origem a uma efervescente e lendária cena de metal extremo, a trupe do frontman Joacim Cans poderia ter muito bem sido forjada na Alemanha, pois seu som é uma rendição completa ao estilo de power metal promovido pelos e imortalizado pelos germânicos. A influência fica ainda mais clara neste "Threshold", ainda mais agressivo mas sem perder a melodia. "Rebel Inside", por exemplo, é uma paulada que sabe mesclar bem o gosto de balada - e peço que levante a mão aquele que vai conseguir ouvir esta canção e não cantar junto com os corais gritos de batalha como "Warriors!" e "Rebel For Life!".
Mas esqueça aquele rótulo limitador que se convencionou chamar de "metal melódico" - no caso desta bolacha, os suecos preferiram misturar o gosto da Alemanha com influências ainda mais distantes, adicionando um tempero que talvez seja o segredo de tudo: o resgate ao metal mais cru e tradicional de Iron Maiden, Judas Priest e mesmo do Accept. Ouça a canção final, "Titan", e você vai entender. Ainda "power metal", mas um "power metal" bem mais "metal" do que "power", tentando cortar as amarras de um estilo que há anos vinha se repetindo de maneira tediosa.
O show das cordas da dupla Dronjak e Elmgren pode ser deleitado em faixas como "Dark Wings, Dark Words" (repare no riff de abertura!), "Reign of The Hammer", no mini-duelo de "Genocide" (que tem um quê de Stratovarius) e na deliciosa "Howlin' With The 'Pac" - cuja levada melódica e refrão pegajoso conseguem nos remeter a uma saudável herança quase hard rock.
O único pecado de "Threshold", no entanto, é pisar no freio justamente na reta final do disco - quando as épicas "Shadow Empire" e "Carved In Stone" acabam servindo como uma espécie de "anti-clímax" com suas introduções pomposas. Não chega a estragar o conjunto da obra, mas se tivesse sido evitado, com certeza colocaria "Threshold" entre os cinco melhores do ano.
"Threshold" não é exatamente uma inovação para o gênero. Chamá-lo de "obra-prima" é um quinhão de exagero. Mas é uma lufada de ar fresco em uma cena que vinha caminhando combalida nos últimos anos, com bandas menos preocupadas em tocar com tesão e mais interessadas em mostrar quem era mais rápido na guitarra e quem mais fazia mais firulas com a bateria de pedal duplo. Rapazes do Hammerfall: o caminho é este. Acreditem: vocês acabam de ganhar mais um admirador...que, quem sabe, pode virar fã muito em breve.
Line-up:
Joacim Cans - Vocal
Oscar Dronjak - Guitarra
Stefan Elmgren - Guitarra
Magnus Rosén - Baixo
Anders Johansson - Bateria
Tracklist:
1. Threshold
2. The Fire Burns Forever
3. Rebel Inside
4. Natural High
5. Dark Wings, Dark Words
6. Howlin´ With The ´Pac
7. Shadow Empire
8. Carved In Stone
9. Reign Of The Hammer
10. Genocide
11. Titan
12. Hammerfall - Media Player - Bonus Track
Gravadora:
Nuclear Blast
Outras resenhas de Threshold - Hammerfall
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os 10 melhores discos do thrash metal, de acordo com a Kerrang!
Floor Jansen garante que novo álbum solo é mais metal que o Nightwish
Nicko McBrain destruiu camarim por ter se decepcionado com atuação de Blaze em show do Maiden
Os melhores álbuns de metal lançados em 1986, segundo Gastão Moreira
O rockstar que Ozzy Osbourne considerava o "meu Deus do rock"
Cantora canadense Sass Jordan morre aos 63 anos
A banda que tentou trabalhar com Kurt Cobain, mas ele mal conseguia parar em pé
O álbum mais subestimado do Led Zeppelin, segundo Robert Plant: "Um dos nossos melhores"
O erro que James Hetfield admite ter cometido com Jason Newsted no Metallica
Eleições 2026: e se os astros do metal disputassem todos os cargos?
Steve Harris colocou Nicko McBrain em "enrascada" na primeira tour do baterista com o Iron Maiden
Causa da morte de Phil Campbell, guitarrista do Motörhead, é revelada
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
O disco solo que Roger Waters coloca no mesmo nível dos maiores clássicos do Pink Floyd
O clássico do Yes que arranca lágrimas de Geddy Lee, lendário vocalista do Rush
Regis Tadeu explica por que detesta Linkin Park e detona clássico "Hybrid Theory"
Baron disse que Mustaine "quase saiu na porrada" após crise de ciúme por Kiko Loureiro
Hammerfall anuncia turnê latino-americana 2027 e confirma três sideshows do Bangers Open Air
Summer Breeze vende todos os ingressos para a edição 2027 em tempo recorde
5 músicas de metal que são vergonha alheia, mas todo mundo ouve mesmo assim
Wacken Open Air confirma 50 primeiras atrações para 2027
Iron Maiden: Grata surpresa e despedida perfeita do gigante
Death: Responsáveis por elevar a música pesada a novo nível



